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Informações: 2008.11.16

«O Futuro do Porto De Lisboa e as Travessias do Tejo» - 21 de Novembro, pelas 18:00 horas, na Sociedade de Geografia de Lisboa.

A ADFER, Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário, promove no próximo dia 21 de Novembro, pelas 18 horas, na Sociedade de Geografia de Lisboa, uma Sessão subordinada ao tema:

«O Futuro do Porto de Lisboa e as Travessias do Tejo»

e para a qual recebemos um convite da ADFER para participação e divulgação do evento, que transcrevemos abaixo na íntegra.

Presidirá à Sessão o Senhor Comandante Azevedo Soares, ex-ministro do Mar.

Em nome da ADFER o Senhor Prof. Mário Lopes fará a intervenção de abertura.

O Presidente da Comunidade Portuária de Lisboa, Senhor Dr. João Carvalho, fará a intervenção de fundo.

Bote Baleeiro do Clube Naval de São Roque do Pico a navegar no grande estuário do Tejo, nas comemorações do Dia Nacional do Mar - 16 Novembro de 2008. Fazer uma Ponte a cruzar este magnífico plano de água, é mais uma "ideia" da "Cegueira do Regime".

 

Vão ainda intervir na Sessão os Senhores:

Almirante Francisco Vidal Abreu, ex-chefe do Estado Maior da Armada.

Eng. Damião de Castro, ex-presidente do Porto de Lisboa.

Eng. José Manuel Cerejeira, Consultor.

O processo relativo à TTT evidencia que não existe uma visão estratégica que sustente e respeite o desenvolvimento do porto de Lisboa. Ao invés, obriga-se o porto a remendar as suas infra-estruturas para continuarem a assegurar os tráfegos actuais.

Em Maio de 2005 a APL, já com o actual Presidente, definiu as exigências de vão (900m) e de Tirante (60m) para a travessia do Canal de Cabo Ruivo pela Ponte Chelas – Barreiro. E defendeu um vão de 450m e um tirante de 41m se a travessia desse Canal se fizesse a montante, aproximadamente no local que veio a ser previsto pelo estudo da CIP / TIS para a Ponte Beato – Montijo, o qual respeitou esses parâmetros.

A travessia desse Canal pela Ponte Vasco da Gama tem um vão de 420m e um tirante de 40 m.

Porque foi quebrada a coerência destes números e o desenvolvimento lógico do porto de Lisboa?

Porque foi sacrificado o desenvolvimento natural dos terminais de mercadorias entre Santa Apolónia e o Poço do Bispo?

Porque se não investe já no terminal de grande potencial da Trafaria?

O Presidente da APL reitera como ideal os valores defendidos no início e diz que se insistisse seria perdedor.

Mas o País não pode ser perdedor face ao autismo do Governo.

Convidamo-lo a participar nesta iniciativa.

Com os melhores cumprimentos,

Arménio Matias
Presidente da Direcção da ADFER


Entretanto, recebemos também do Senhor Prof. Doutor Eng. António Brotas (IST/SGL) cópia de um email dirigido ao Dr. António Costa - Presidente da Câmara Municipal de Lisboa -, sobre a mesma temática, o qual, com a devida autorização, publicamos abaixo para conhecimento:

15 de Novembro de 2008

Caro António Costa,

Não tem o mínimo sentido aprovar a futura travessia ferroviária do Tejo sem, simultanemente, decidir o traçado da linha de bitola europeia, que não é urgente, mas que um dia ligará Lisboa ao Porto.

Leio no ”Expresso” de hoje a sua proposta de baixar 5 metros o tabuleiro da ponte para o Barreiro prevista pela RAVE para a TTT (Terceira Travessia ferroviária do Tejo), para diminuir os impactos negativos sobre Lisboa. Com a sua proposta a navegação no Tejo seria significativamente dificultada e os impactos sobre Lisboa continuariam grandes. Mas, o problema de fundo é outro. É o de saber por onde seguirão, depois, os comboios para o Porto.

Segundo a RAVE, os comboios vindos do Sul pela ponte do Barreiro chegarão à gare do Oriente ( por um tunel, ou um viaduto, consoante seja aprovada ou não a proposta apresentada agora pelo António Costa) . Os Comboios para o Norte, partindo desta gare, seguirão, depois, pelo vale do Trancão.

Mas a RAVE não ousou, até agora, divulgar este trajecto num mapa com curvas de nivel. De facto, é necessário a Engenharia descer ao nivel zero e ser-se totalmente indiferente aos custos para propor este trajecto para uma linha onde, em princípio, deverão, além de muitos outros, circular comboios TGV . (Qualquer pessoa que olhe a carta 34 B na escala 1/50.000 editada pelo Instituto Geográfico Cadastral pode-o ver instantaneamente. Não é necessário pagar estudos muito caros para ter esta certeza).

Neste momento, está em consulta pública a apreciação do impacto ambiental desta linha pelo vale do Trancão. Mas há um largo equívoco. Uma obra pode ser um total disparate e não ter um impacto ambiental negativo. A CE exige que seja feita uma avaliação ambiental prévia de todas as grandes obras, mas não exige que este seja o único critério para decidir sobre a sua construção. O Trancão está tão poluido que, do ponto de vista ambiental, a construção desta linha, possivelmente, poderia nem sequer ser negativa.

A decisão sobre a TTT não é urgente e pode, perfeitamente, esperar mais dois ou três anos. Há outras obras mais baratas e de efeito benéfico mais imediato que podem, entretanto, ser construidas. O que se pode pedir à Câmara Municipal de Lisboa é que não se precipite e que exija que o problema conjunto da TTT e do futuro comboio para o Porto seja seriamente estudado. Há outras soluções diferentes das da ponte para o Barreiro incomparavelmente mais baratas e menos gravosas para Lisboa, nomeadamente, as da travessia perto de Alverca. É necessário que a Câmara de Lisboa as olhe com atenção.

Com as melhores saudações

António Brotas


Nota da Direcção:

No dia 29 de Julho de 2008, a Direcção da ANMPN, através do seu Presidente, participou numa Apresentação do Sr. Arq. Manuel Salgado, sobre o Plano Geral de Intervenções para a Zona Ribeirinha no Welcome Center, no Terreiro do Paço. Apesar de se tratar de uma zona de interface, onde necessariamente se deveria falar de ambos os meios (lado terra e lado rio) o Sr. Arq. apenas falou do lado terra e, a única vez que "tocou na água", foi para falar de uma "piscinas de plástico" para a Doca do Poço do Bispo (que estava abandonada pela APL), e que facilitaria a promoção dos investimentos imobiliários da zona...!

Agora, e em face da notícia do "Expresso", a Câmara Municipal de Lisboa prepara-se para, mais uma vez, tomar uma posição sem olhar para as suas consequências no plano de água, nomeadamente, nos problemas para navegação decorrentes da redução da altura do tabuleiro, do assoreamento que ocorrerá junto dos pilares, e de outros problemas colaterais relativos à hidrografia da zona, que não foram minimamente estudados.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

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