Entretanto, recebemos também do Senhor Prof. Doutor Eng. António Brotas (IST/SGL) cópia de um email dirigido ao Dr. António Costa - Presidente da Câmara Municipal de Lisboa -, sobre a mesma temática, o qual, com a devida autorização, publicamos abaixo para conhecimento:
15 de Novembro de 2008
Caro António Costa,
Não tem o mínimo sentido aprovar a futura travessia ferroviária do Tejo sem, simultanemente, decidir o traçado da linha de bitola europeia, que não é urgente, mas que um dia ligará Lisboa ao Porto.
Leio no ”Expresso” de hoje a sua proposta de baixar 5 metros o tabuleiro da ponte para o Barreiro prevista pela RAVE para a TTT (Terceira Travessia ferroviária do Tejo), para diminuir os impactos negativos sobre Lisboa. Com a sua proposta a navegação no Tejo seria significativamente dificultada e os impactos sobre Lisboa continuariam grandes. Mas, o problema de fundo é outro. É o de saber por onde seguirão, depois, os comboios para o Porto.
Segundo a RAVE, os comboios vindos do Sul pela ponte do Barreiro chegarão à gare do Oriente ( por um tunel, ou um viaduto, consoante seja aprovada ou não a proposta apresentada agora pelo António Costa) . Os Comboios para o Norte, partindo desta gare, seguirão, depois, pelo vale do Trancão.
Mas a RAVE não ousou, até agora, divulgar este trajecto num mapa com curvas de nivel. De facto, é necessário a Engenharia descer ao nivel zero e ser-se totalmente indiferente aos custos para propor este trajecto para uma linha onde, em princípio, deverão, além de muitos outros, circular comboios TGV . (Qualquer pessoa que olhe a carta 34 B na escala 1/50.000 editada pelo Instituto Geográfico Cadastral pode-o ver instantaneamente. Não é necessário pagar estudos muito caros para ter esta certeza).
Neste momento, está em consulta pública a apreciação do impacto ambiental desta linha pelo vale do Trancão. Mas há um largo equívoco. Uma obra pode ser um total disparate e não ter um impacto ambiental negativo. A CE exige que seja feita uma avaliação ambiental prévia de todas as grandes obras, mas não exige que este seja o único critério para decidir sobre a sua construção. O Trancão está tão poluido que, do ponto de vista ambiental, a construção desta linha, possivelmente, poderia nem sequer ser negativa.
A decisão sobre a TTT não é urgente e pode, perfeitamente, esperar mais dois ou três anos. Há outras obras mais baratas e de efeito benéfico mais imediato que podem, entretanto, ser construidas. O que se pode pedir à Câmara Municipal de Lisboa é que não se precipite e que exija que o problema conjunto da TTT e do futuro comboio para o Porto seja seriamente estudado. Há outras soluções diferentes das da ponte para o Barreiro incomparavelmente mais baratas e menos gravosas para Lisboa, nomeadamente, as da travessia perto de Alverca. É necessário que a Câmara de Lisboa as olhe com atenção.
Com as melhores saudações
António Brotas |