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Informações: 2008.02.21

«A grande razão de ser desta Marina é o Estuário do Tejo» - Vilar Filipe, Administrador da MPN, em entrevista ao "Notícias do Parque"

Crédito Notícias do Parque

A edição de Fevereiro do Notícias do Parque, jornal de distribuição gratuita no Parque das Nações, traz uma entrevista com o Sr. Eng. José Vilar Filipe, Administrador da Sociedade MPN - Marina do Parque das Nações, concessionária da marina.

Nesta longa entrevista, o Eng. Vilar Filipe, fala sobre o projecto de reabilitação da marina, dos serviços que irão ser disponibilizados, da importância desta infra-estrutura para a devolução da dignidade à Zona Sul do Parque das Nações, e do valor da marina como catalisadora da náutica de recreio e do turismo de vertente náutica, no grande estuário do Tejo.

Para conhecimento dos nossos associados que não tiveram acesso ao Notícias do Parque, e para os demais visitantes do nosso site, aqui fica a transcrição do artigo na sua íntegra.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN


“A grande razão de ser desta marina é o Estuário do Tejo”

A Marina Parque das Nações, um dos projectos mais importantes na concepção Parque das Nações encontra, hoje, finalmente um rumo. Vilar Filipe, administrador da Marina, falamo-nos um pouco sobre o que vamos poder encontrar na Zona Sul ribeirinha do Parque das Nações.

Fale-nos um pouco sobre o projecto da Marina.

Vamos ter uma zona destinada às embarcações desde as classes mais baixas às mais altas, dos 6 metros a todos os outros que consigam passar pela comporta, 10, 12, 15, 18 metros. Vamos receber 630 embarcações nesta primeira fase (bacia sul). Vamos ter uma zona para Jet Skies (30); para abastecimento de combustíveis, para recolha de águas negras; um cais de espera e um cais de eventos (para a realização de Boat Shows, de representantes que queiram promover as suas embarcações, para realizarmos regatas, etc.. Estas são as partes a nado. A seco, vamos ter um pequeno estaleiro para reparações. Poderá, ainda, vir a surgir a necessidade de criarmos uma zona para guardar barcos durante a invernagem das embarcações.

Com que capacidade?

Para cerca de 90 embarcações.

Estamos a falar de um projecto que vai além de um simples estacionamento para embarcações.

Sim. Por exemplo, as diferenças entre docas e marinas: as docas permitem, apenas, o estacionamento do barco. Uma marina é um dormitório onde existem serviços de apoio e que, dependendo da sofisticação da marina, podem ser bastante diversificados. É a diferença ente o campismo selvagem e um parque de campismo.

Nós vamos ter uma marina de cidade, os clientes serão potencialmente desta área envolvente e, como é a única marina em Lisboa, é natural que se alargue, também, ao resto da cidade. Será uma marina de residentes e com serviços pensados para este tipo de utentes, que exigem um maior conforto, no que diz respeito à prestação de serviços.

Uma marina destas é um motor de desenvolvimento para a actividade náutica de recreio porque, ao permitir uma data de actividades conexas com o estacionamento dos barcos (pesca, desportos, aluguer de barcos, iniciação ao remo, à vela, competições, exibições, etc.), vai incentivar o lazer náutico. Não só aqui mas para montante e para jusante, como a exploração do Tejo até onde ele seja navegável. Em frente da Marina, poderão ser desenvolvidas outras actividades como o windsurf, motas de água, etc.).

De que forma esperam garantir um bom assoreamento?

Temos um estuário muito largo e com uma actividade natural muito grande provocando um grande conjunto de sedimentos que aqui ficam depositados e que, através dos períodos de turbulência e agitação, se movimentam provocando a sua acumulação. Quanto menos água entrar na zona dos barcos, menor será essa deposição de sedimentos. Essa será a função do dique com duas comportas duplas, com 10 metros de largura cada uma, que protegerão toda esta zona de agitações que venham a acontecer e a sua consequente acumulação de sedimentos. O ante-porto será dragado com alguma frequência e, como está fora da zona dos barcos, feito de uma forma de extrema facilidade.

Qual será o ciclo de abertura e fecho das comportas?

As comportas estarão fechadas nos períodos de maior potencial agitação (Inverno) com grandes quantidades de depósitos em suspensão compatibilizando-se, sempre, com o tráfego, o que será relativamente fácil dado que se trata de uma altura de menor circulação.
No Verão, a comporta estará sempre aberta durante o dia e fechada à noite.

Durante o Inverno teremos muitos dias com ela fechada, dado que se trata de uma marina urbana e teremos um tráfego mais reduzido.
Teremos os cais de espera onde a tripulação, caso queria, poderá desembarcar e ir à sua vida, enquanto nós esperamos pela abertura da comporta para estacionar as embarcações.

Quanto tempo demora a abertura de comporta?

Entre 5 a 6 minutos.

Quanto custará ao utente a residência na marina do parque das Nações?

Ainda não existem valores, mas posso dizer que seremos concorrências com as já existentes marinas desta zona.

Terão acesso ao Wi-fi?

Sim, teremos Wi-fi.

De que forma é que a marina estará integrada e articulada com a zona envolvente?

A própria marina tem o seu edifício principal onde teremos vários serviços de apoio à actividade náutica, quer a nível técnico, quer a nível de restauração.
Temos uma coisa muito interessante, também, que é a Ponte Cais, que era a zona onde os petroleiros vinham descarregar o crude para a refinaria da Sacor. Trata-se de um excelente porto de acostagem para barcos de grande dimensão e que faz com que esta marina tenha uma flexibilidade tremenda de acostagem que vai desde motas de água aos cruzeiros. Aqui todos poderão atracar.

A Associação Náutica da Marina, ANMPN, tem tido um papel de grande relevo em todo este processo de recuperação. Que tipo de relacionamento é que a Marina do PN espera ter com esta associação?

Uma infra-estrutura deste tipo permite associações com varias identidades. A ANMPN tinha o objectivo inicial de pugnar pela recuperação da marina. Hoje têm um objectivo muito mais ambicioso que é utilizar esta estrutura para incentivar o gosto pela náutica de recreio, utilizando toda esta zona circundante, o que é obviamente complementar com a nossa actividade. Precisaremos sempre de iniciativas deste género e nós, aqui, fornecemos a infra-estrutura e iremos colaborar com eles.
A marina passou a ser integrada no grupo Parque Expo o que é muito importante. Não só complementa o tipo de actividade deste grupo, como se integra nos seus objectivos mais globais passando a ter um papel muito mais distinto, o que é favorável para o proveito que poderemos ter deste projecto.

Fale-nos da obra em si.

Estamos a iniciar uma obra que é muito complexa. É um projecto inovador e que poderá ter alguns riscos técnicos no seu desenvolvimento. Vai existir um período de credibilização do projecto de forma a que os utentes se revejam satisfeitos na sua utilização. Existem, no entanto, alguns riscos inerentes.

E o que representará este projecto para o simples morador que apenas reside aqui?

É o retomar do sonho. Este espaço foi promovido desde sempre e agora será uma realidade.

Qual é que pensa ser o ex-líbris desta marina? Se quisesse convencer um potencial utente, qual seria o seu “speach sale”?

A grande razão de ser desta marina é o Estuário do Tejo. A nossa costa ocidental é razoavelmente batida para embarcações mais reduzidas estarem a aventurar-se para muito longe das suas docas. Aqui estamos mais protegidos e temos uma amplitude de navegação muito maior. O nosso ex-líbris é, sem dúvida, o Estuário do Tejo.
Para as pessoas de terra temos uma estrutura para todo o tipo de interesses, desde os serviços, à restauração, ao Oceanário, etc..

E até lá?

Iremos mais para a frente organizar um conjunto de acontecimentos, tanto de carácter desportivo como de carácter social, para promover esta infra-estrutura. Ainda há muito pouco tempo fizemos o lançamento europeu de um automóvel e, sem termos iniciado sequer as obras. Agora, se já nos procuram sem estarmos em actividade, imagine quando estivermos.

Uma questão que deixamos, sempre, no fim, aos nossos entrevistados: a cidade no Mundo que mais admira?

Há várias. Vivi alguns anos no Brasil e adoro o Rio de Janeiro. É para mim uma cidade muito fotográfica.
Mas posso dar, também, o exemplo do que se passa no sul de Espanha e de França ou, como recentemente, em países com a Grécia e a Croácia, em relação à forma como aproveitaram o litoral para a actividade náutica.

in "Notícias do Parque" @ Fevereiro 2008

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