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| Informações: 2007.08.11 |
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Há lodo no cais -" in Semanário Expresso @ 11 Agosto 2007"

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O Semanário Expresso, a exemplo do que tem vindo a acontecer com outros órgãos de comunicação social, procurou efectuar um artigo sobre a situação actual da marina. Lamentavelmente, o interlocutor que a Parque Expo escolheu para falar sobre o projecto de reabilitação da marina, não só pouco ou nada conhece do projecto, como também, é completamente leigo em assuntos relacionados com o mar...
Efectivamente, a afirmação de que as "comportas só abrirão durante pequenos períodos à maré-baixa", facto que, a ser verdade, significaria que a operação de entrada/saída de embarcações só poderia ter lugar de 12 em 12 horas, mostra bem, não só um completo desconhecimento do projecto para a nova infra-estrutura da marina por parte do interlocutor da Parque Expo, mas também, uma total ignorância sobre o funcionamento do regime de marés.
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Como "uma desgraça nunca vem só", o Expresso descobriu ainda uns "velejadores anónimos (?)" (uma espécie de treinadores de bancada), que fazem também um conjunto de afirmações sem qualquer sentido, conforme teremos oportunidade de rebater na "Nota de Direcção" que inserimos no rodapé desta página.
Para conhecimento dos nossos associados e visitantes do Site, transcrevemos abaixo o artigo publicado no Semanário Expresso na sua íntegra, chamando à atenção para a referida "Nota de Direcção" colocada no final do artigo. Nesta data, oficiámos também a Parque Expo e a MPN para que, tão breve quanto possível, efectuem uma apresentação pública do Projecto de Reabilitação da Marina, para evitar que, situações como a que aconteceu com o Semanário Expresso, voltem a repetir-se.
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Sedimentos A marina do Parque das Nações está a ser dragada.
Mas o mal parece crónico.
HÁ LODO NO CAIS
Anoitece no topo sul do parque das Nações.
À parte das crianças que andam de bicicleta ou atletas que terminam o treino à beira rio, a envolvente da marina está quase deserta. No extremo da antiga Zona de intervenção da Expo-98, algumas esplanadas e restaurantes dão um resquício de animação mas é patente que só metade dos espaços comerciais está ocupada. Olhando para a agua percebe-se por quê: mesmo com meia maré, há lodo à vista e alguns pneus e ferros sobressaem, dando ideia da pouca profundidade existente.
Uma muralha de pedra estende-se a toda a volta, com uma abertura para o Tejo. Mas por ali já não passam barcos. Quanto muito entra lodo. A construção do quebra-mar foi um recurso levado a cabo em 2002 para tentar evitar os efeitos da mareta (ondulação em dias de temporal) e o assoreamento. Os milhares de euros aqui gastos manifestamente não cumpriram o segundo objectivo. E como a meio da marina corre a antiga ponte-cais da refinaria, em cuja plataforma foi construído o edifício-pirâmide pintado de branco e agora quase deserto, a bacia ficou cortada ao meio. Do lado norte não há acesso ao rio.
Ali restam dois batelões-restaurantes abandonados, junto aos quais evolui, noite e dia, uma pequena draga, sugando os sedimentos para um baletão amarrado ao exterior da muralha. O ronco da máquina é o único sinal de vida no vasto tanque, à medida que a noite cai.
“Estão a varrer o lixo para debaixo do tapete” diz Paulo Jorge Andrade, presidente da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações (ANMPN). “Não há plano de requalificação da zona, pelo que até voltar a ficar assoreada é uma questão de tempo”. E de dinheiro, pois segundo fontes da Parque Expo e empreitada a empreitada está orçada em 722 mil euros.
A marina era para ser tão efémera como a Expo-98. Abrigaria a Exibição Náutica, com destaque para a então reconstruída, fragata D. Fernando e Glória”. Era aberta ao rio e com pontões flutuantes. Terminada a exposição internacional, a marina e as construções anexas foram vistas como um negócio lucrativo, procedendo-se à venda de moradias e andares com postos de amarração associados. Foi criada uma sociedade gestora da marina, entre outros, a Parque Expo (16.35%) e o BCP, sócio maioritário (53,74%). Os estragos dos primeiros temporais levaram a pensar no quebra-mar. Ao mesmo tempo, o lodo começava a acumular-se.
“Basta olhar para as cartas náuticas para perceber porquê”, disse ao expresso um velejador com muitos anos de Tejo e que pediu para ser identificado. Ali confluem dois únicos canais de navegáveis do rio, a Cala Norte e a Cala das Barcas. De Inverno, as lamas trazidas pela corrente tendem a depositar-se aqui. E, quando há temporais de sul e sudoeste, a mareta bate aqui amplificando o fenómeno. Esta situação levou alguns velejadores contactados pelo Expresso a considerar que “de todos os sítios de Lisboa para fazer uma marina, esta é o pior de todos”. Com os custos inerentes de construção e manutenção.
Inviabilizada a utilização da marina pelo assoreamento, a sociedade gestora passou a ter que pagar a deslocação das embarcações para as docas de Lisboa e Cascais ou localizações em terra. É um “renda” mensal” nunca inferior a 15.000 euros, tomando como referência o valor médio pago por um barco de 10 mts (250 euros). Por outro lado, o BCP só via viabilidade no negócio caso avançasse um novo projecto imobiliário para a zona. Chumbado este pelo Ministério do Ambiente o BCP pretende, agora vender a quota.
Para já, só existe projecto para a bacia sul. A Parque Expo pretende avançar com um investimento de 10 milhões de euros para a selagem do quebra-mar e a construção de um anteporto com, comportas duplas para minimizar a entrada de sedimentos. O projecto, segundo fonte de Parque Expo, vai avançar antes do final do ano, não havendo oposição do BCP. O restabelecimento da passagem para a bacia norte implica e demolição de parte da ponte-cais a sua substituição por uma ponte móvel.
A salvação da marina pode ter outras vertentes. Peritos ouvidos pelo Expresso referem que as “rendas” pagas pelos proprietários dos barcos, quanto muito, suportam os custos de exploração. A base do negócio é o “resto”, ou seja, as lojas, restaurantes, estacionamentos e a parte imobiliária. Mas só há publico se houver barcos e ambiente aprazível.
Mário de Carvalho / Rui Cardoso
in Semanário Expresso @ 11 Agosto 2007
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Nota da Direcção:
A distância da realidade inerente ao artigo do Expresso obriga-nos, como é óbvio, a alguns esclarecimentos:
Funcionamento do sistema de comportas para controlo do assoreamento:
O estudo efectuado durante cerca dois anos pela PROMAN e pelo IST - Instituto Superior Técnico concluiram que a (%) de assoreamento ao longo do ano aponta para uma sazonalidade significativa (30% no Verão e 70% no Inverno). Nesse sentido, a marina no verão funcionará fundamentalmente como uma marina aberta, com menos limitações do que acontece hoje, por exemplo, com a Doca do Espanhol (ponte móvel). Apenas no Inverno, na altura em que o índice de assoreamento é maior, prevê-se que a comporta seja fechada durante a noite, numa altura, em que o movimento de embarcações expectável é praticamente nulo. Mesmo nesse caso, qualquer embarcação que arribe à marina com a comporta fechada, ficará estacionada no anteporto até à hora de abertura da comporta.
Note-se que, nas respostas aos requerimentos do Dr. Pedro Quartin Graça, quer Sexa o Ministro do Ambiente quer o Presidente da Parque Expo, referiram-se à introdução das comportas para mitigar do assoreamento, mas sem introduzir condicionalismos operacionais sensíveis. Face ao exposto, a afirmação inserida no artigo do Expresso de que as "comportas só abrirão durante pequenos períodos à maré-baixa" não faz qualquer sentido, e só pode ter sido referida por alguém que desconhece completamente o projecto.
Problemas de assoreamento no rio Tejo:
Os problemas de assoreamento no grande estuário do Tejo, não são um "exclusivo" da Marina do Parque das Nações, como parece decorrer das afirmações dos "velejadores anónimos (?)" descobertos pelo Expresso, e que, em nosso, entender, poderiam fazer uma excelente "parceria" com o interlocutor da Parque Expo que explicou o funcionamento das comportas.
O assoreamento no grande estuário do Tejo está relacionado com o facto das partículas em suspensão atingirem a velocidade de corte (velocidade que conduz à sedimentação) devido a dois efeitos que se conjugam. O primeiro tem a ver com o alargamento muito repentino do estuário a partir de Sta. Iria, situação que provoca um diminuição significativa da velocidade da corrente, e o segundo, que afecta sobretudo a margem norte, pelo facto das colinas da cidade de Lisboa "protegerem" o rio (junto à margem) dos ventos predominantes de NW, o que conduz a situações de "calmaria" durante a estofa da maré, que facilitam também a sedimentação. As situações de assoreamento acontecem assim por todo o estuário, como por exemplo na Cala das Barcas, na Marina do Parque das Nações, na Doca do Poço do Bispo, na Doca do Jardim do Tabaco, etc.
No local onde hoje está instalada a Marina do Parque das Nações funcionaram durante mais de 70 anos a Gare Marítima de Cabo Ruivo e a Doca dos Olivais. Nesse sentido, vir dizer-se que o local não é adequado para marina não faz qualquer sentido. A diferença que existe para os dias de hoje é que, até alguns anos a esta parte, as operações de dragagem no estuário e nas docas eram frequentes, ao contrário do que acontece neste momento, onde já nem as calas são devidamente dragadas, como constitui prova evidente a situação da Cala das Barcas - uma vergonha para o Porto de Lisboa e para o próprio País.
Localização da Marina do Parque das Nações junto ao Canal (natural) de Cabo Ruivo:
Os manuais de "boas práticas" para a construção de marinas em cursos fluviais, apontam a necessidade destas serem construídas o mais próximo possível de um canal natural, não devendo a sua "boca de entrada" ficar a mais de 3 metros do respectivo canal. No caso da Marina do Parque das Nações, a entrada do anteporto vai ficar localizada mesmo junto ao canal (a boía CR6 do Canal de Cabo Ruivo foi removida exactamente porque ficava junto Farolim do Quebra-mar Sul da Marina). A proximidade de um canal natural é assim uma vantagem e não uma desvantagem como algumas afirmações no artigo do Expresso tentam fazer crer.
O estudo profundo que foi efectuado sobre o regime de assoreamento na zona, os mecanismos de controlo previstos pelo Projecto de Reabilitação, permitem-nos não só encarar com confiança o futuro, mas também, estamos certos, que a Marina do Parque das Nações vai ainda servir de referência para outros locais com problemas de assoreamento semelhantes no grande estuário do Tejo.
Saudações Náuticas,
A Direcção da ANMPN |
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