|
 |
| Informações: 2007.07.21 |
|
"A actual situação de degradação da marina é inadmissível" - referiu António Costa em entrevista ao "Notícias do Parque".
|
A Edição de Julho do Notícias do Parque, traz inserida uma entrevista com o Dr. António Costa, onde os problemas que afectam o Parque das Nações, foram abordados.
Nesta mesma edição, o Jornal dedicou especial atenção às visitas efectuadas por alguns dos candidatos às Eleições Intercalares à Câmara Municipal de Lisboa ao Parque das Nações, efectuando sobre esse assunto um balanço, suportado em declarações dos Presidentes da ANMPN e da AMCPN.
Para conhecimento dos nossos associados e visitantes do site que não tiveram acesso a esta edição do Notícias do Parque, transcrevemos abaixo excertos de alguns dos temas atrás referidos.
|
Candidatos visitam o Parque - Sá Fernandes, Helena Roseta, Ruben de carvalho, Pedro Quartin Graça, Garcia Pereira e Pedro Coelho do Partido Nacional Renovador (PNR) ouviram as associações de Moradores e da Marina.
Balanço positivo para a convocação dos candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, ao Parque das Nações. Para uma zona tão jovem e com a indefinição territorial que todos conhecemos, foi importante ter conseguido cativar a maioria do elenco desta campanha. Tal facto prova que o movimento associativo do PN tem-se movimentado e fazer-se ouvir além fronteiras locais. A visita era feita a dois tempos e de forma muito articulada. |
| José Moreno, da Associação de Moradores e Comerciantes, iniciava a recepção aos candidatos fazendo uma contextualização histórica do dossiê geral do Parque das Nações, apontando as principais carências e, logo de seguida, Paulo Andrade, da Associação Náutica da Marina, fazia um enfoque sobre o dossiê da Marina. Notou-se, na sua maioria, que os candidatos possuíam algum conhecimento sobre o Parque das Nações de hoje, contribuindo com algumas ideias e, incentivando o debate sem se ficarem, apenas, pelo ouvir das "lamentações". Como refere Paulo Andrade "na actual campanha os candidatos demonstraram possuir um conhecimento bastante razoável do dossiê da marina. Nesse sentido, o encontro com os candidatos tem sido pautado por debates bastante enriquecedores sobre o papel que a marina, depois de reabilitada, deverá representar como pólo de dinamização de actividades náuticas e de lazer, com uma contribuição forte para o desenvolvimento da náutica de recreio e do turismo de vertente náutica no grande estuário do Tejo". |
|
| Não só a Marina do PN foi debatida, mas também a política de toda a zona ribeirinha de Lisboa que, segundo Paulo Andrade, apresenta erros tão graves que "corremos o risco de asfixiar completamente a cidade com os «paredões» que estão a ser construídos sobre a interface com o Tejo, comprometendo, não só as vistas sobre o rio que lhe deu alma, mas também, a circulação dos ventos que sopram nos vales das sete colinas, e que são essenciais para manter a qualidade do ar na capital." |
|
José Moreno, em forma de balanço, referiu que "todos os candidatos se mostraram solidários com os nossos anseios de ver resolvida, nomeadamente, a questão territorial, construídos os prometidos equipamentos escolares e o Centro de Saúde." No entanto, concluiu que "a menos de um ano do décimo aniversário da vinda dos primeiros moradores, comerciantes e empresários - já decorreram mais de nove anos! -, a desilusão começa a instalar-se, levando muitos dos que acreditaram no que ouviram dos responsáveis pelo projecto, dos governantes e dos autarcas, a considerarem-se enganados." |
| Tanto a Associação de Moradores como a Associação da Marina deram provas de ter conseguido receptores atentos às reivindicações reclamadas para a nossa comunidade, aumentando, o seu capital associativista e a sua presença no palco político e civil. Para Paulo Andrade "no final de encontro, tem ficado o desejo de continuar a debater estas temáticas, fazendo com que a sociedade civil, representada pelas suas associações de interesse, passe a ter uma participação mais profunda com os restantes stakeholders, na dignificação da zona ribeirinha de Lisboa e na promoção do grande estuário do Tejo." |
No respeitante à entrevista com o Dr. Antóno Costa, reproduzimos abaixo as questões relativas à Marina e à criação da Freguesia do Oriente:
|
| Qual é a sua posição face ao facto da Marina Parque das Nações ainda não ter sido reabilitada e, caso venha a ser eleito, qual será o papel da CML neste dossiê? |
As informações fornecidas pela Administração da Parque Expo apontam para que a intolerável situação em que se encontra a Marina do Parque das Nações esteja em vias de resolução.
Espero francamente que assim seja pois a actual situação de degradação é inadmissível.
A Câmara Municipal de Lisboa deve estar atenta e não permitir que a situação se possa arrastar. |
|
| No seu programa fala numa "reorganização administrativa de Lisboa". Pedro Santana Lopes, na altura pôs fim à chamada SGU que iria gerir esta zona, de uma forma tripartida entre a Parque Expo, Lisboa e Loures. Hoje nenhuma das Câmaras assumiu ainda a gestão desta zona e já lá vão quase dez anos, desde o fim da Expo98. A comunidade reclama, não só o assumir da gestão como a criação de um freguesia que consiga gerir, de forma unificada, o Parque das Nações. Qual a sua posição relativamente à criação de uma freguesia? |
|
A criação da Freguesia do Oriente é bastante polémica e as opiniões dividem-se. A comunidade de residentes reclama a sua criação com base nos seguintes argumentos:
- Gestão unificada, significa maior eficiência e menor custo de gestão;
- Manter a coesão do espaço urbanístico herdado da Expo'98. O facto de o projecto ter sido concebido do ponto de vista urbanístico [e infra-estruturado] como um todo;
|
- O sentimento de identidade da comunidade que ali vive, fortemente ligada ao Parque das Nações e com pouca relação com Olivais, Moscavide ou Sacavém.
Loures discorda da criação da Freguesia do Oriente, alegando que tal significaria retirar às freguesias de Sacavém e Moscavide o espaço que têm mais privilegiado. |
Lisboa tem 53 freguesias com características tão díspares como os 340 habitantes da freguesia dos Mártires, ou os 380 da Madalena, comparada com os 38.523 da freguesia de Benfica ou os 46.410 da freguesia dos Olivais. [censo de 2001].
É consensual a necessidade da reorganização administrativa de Lisboa.
O Parque das Nações tem actualmente cerca de 15.000 habitantes [estima-se que venha a ter cerca de 25.000] e 3,30 Km2. |
|
De acordo com estes dados e com os argumentos apresentados, faz sentido a criação de freguesia do Oriente, no entanto, esta decisão não pode ser casuística, mas sim integrada na reorganização geográfica-administrativa da cidade de Lisboa.
|
| Para quando pensa ser possível a entrada de Lisboa no PN e quais os primeiros passos a serem dados caso seja eleito? |
Essa é uma matéria que, com toda a clareza, não pode ser alvo de nenhum compromisso sério quanto a uma data. O que é essencial é que haja diálogo entre todas as partes e que ninguém ignore que todos são precisos para gerar consensos. E que todos trabalhem no mesmo sentido.
Nota da Direcção:
É com agrado que registamos as posições do Dr. António de Costa, nomeadamente, no reconhecimento da situação inadmissível da marina, convertida há mais de cinco anos no maior tanque de lama da Europa, e no papel que a CML deverá passar a exercer no sentido de possibilitar a agilização do processo de reabilitação.
Esta postura contrasta em absoluto com a da anterior gestão da CML, que declinava qualquer responsabilidade pelo dossiê da marina, limitando-se a endossar o assunto para a Parque Expo, sem ser capaz de reconhecer, não só o forte impacto negativo que a situação de desleixo e abandono do espaço da marina tem vindo a causar na imagem da capital, mas também o seu papel dinamizador para a frente ribeirinha de Lisboa. Aliás esta situação ficou bem patente na ausência de resposta por parte do anterior Presidente da Câmara aos requerimentos da Assembleia da República sobre a situação de abandono da marina (vide link), para além das inúmeras cartas endereçadas pela nossa associação que também não mereceram qualquer resposta. Definitivamente, o dossiê da Marina do Parque das Nações, não constava nas prioridades do Prof. Carmona Rodrigues, apesar do estado de completo abandono e desmazelo afectar principalmente a cidade de Lisboa.
Esperamos que, com a nova gestão da CML, agora presidida pelo Dr. António Costa, a zona ribeirinha de Lisboa deixe de estar confinada a Belém, e que todo o eixo ribeirinho "Parque das Nações - Belém" possa ganhar um novo alento, reconciliando finalmente a cidade com o rio que lhe deu a alma. A nova administração camarária, terá a incumbência de criar mecanismos e potenciar sinergias que possibilitem evidente aproveitamento do rio e da sua magnífica frente ribeirinha.
Por fim, resta-nos aguardar serenamente pelo final do corrente mês de Julho para ver até que ponto a Parque Expo cumpre com a promessa em arrancar com a obra da Bacia Sul, onde ficará instalada a infra-estrutura da única marina da cidade de Lisboa.
Os "bons ventos" que ora sopram permitem renovar a esperança de que, em breve, Lisboa - Capital do País de Marinheiros - voltará a ter a sua Marina.
Saudações Náuticas,
A Direcção da ANMPN |
|
|
 |
|