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Informações: 2007.06.19

“Tanque de lodo” para receber a presidência europeia - "in Notícias da Manhã"@18 de Junho.

O Notícias da Manhã publicou na sua edição de 18 de Junho, um artigo sobre a Marina do Parque das Nações, subordinado ao título referido em epígrafe, onde estão inseridas declarações do Presidente da ANMPN.
Para conhecimento dos nossos associados e visitantes do site, publicamos abaixo o artigo na íntegra.

Diogo Carvalho (texto)
Luís Brás (fotos)

Entre as queixas e o “mau cheiro”. Entre “promessas” e um “tanque de lodo”. É esta a situação que os comerciantes da zona da Marina do Parque das Nações dizem viver.

Crédito Notícias da Manhã

Edificada por ocasião da Exposição Mundial de Lisboa (EXPO’98), evento que levou à regeneração de grande parte da área oriental da capital, a Marina seria como que um “porto seguro”, numa exposição centrada no tema “Os Oceanos, Um Património para o Futuro”.

Se por um lado o evento internacional da capital foi um sucesso, o mesmo não se pode dizer da Marina. Problemas de assoreamento e algumas tempestades acabaram por se traduzir num “mar de problemas” para comerciantes e proprietários de lugares de amarração.

Foram esses mesmos problemas que Paulo de Andrade, presidente da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações, explicou ao NM. “Em Novembro de 1999, a Parque EXPO substituiu o Quebra-mar flutuante da Bacia Sul por um fixo devido ao mau tempo”. Mais tarde, em Dezembro de 2000, um novo temporal destruiu outro Quebra-mar, desta feita na Bacia Norte. Assim, “a Parque EXPO fez a mesma intervenção que havia feito na Bacia Sul em 1999”.

Ainda assim, e apesar das intervenções realizadas pela Parque EXPO, em Abril de 2002, segundo Paulo de Andrade, “as embarcações foram transferidas para outras docas e a Marina do Parque das Nações encerrou”. Quanto a este aspecto, Paulo de Andrade salienta que a Parque EXPO “paga os alugueres nas outras marinas”.

Governo não é esquecido
Com a infra-estrutura inactiva há cerca de cinco anos, Paulo de Andrade não se conforma com a inexistência de uma obra de requalificação da Marina. “É uma vergonha para Lisboa ter uma zona ribeirinha naquele estado. É inaceitável que um País que vai assumir a presidência da União Europeia [n.d.r. a 1 de Julho], utilizando para tal o Pavilhão Atlântico, tenha uma Marina muito próxima que mais parece um tanque de lodo“.
As críticas de Paulo de Andrade são também o lamento do presidente da Comissão de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações”. Para José Moreno, “é urgente que se faça uma requalificação da Marina, de modo a potenciar a própria zona do Parque das Nações”. As críticas deste responsável estendem-se ao Governo, nomeadamente a Nunes Correia. “Espero que o ministro do Ambiente tenha vergonha quando receber os seus homólogos por ocasião da presidência portuguesa da UE”.

Concurso já foi lançado
Segundo fonte da autarquia lisboeta, em declarações ao NM, o projecto existente para a requalificação da Marina está agora em “stand-by”. “Existe um projecto mas está parado. A comissão administrativa da Câmara de Lisboa não tem capacidade legal para avançar com qualquer projecto para a Marina do Parque das Nações.”
Por outro lado, de acordo com fonte da Parque EXPO, e estando já concluído e orçamentado o projecto para a recuperação da Marina, “os accionistas comprometeram-se a obter, na proporção das respectivas participações, uma linha de crédito de médio e longo prazo até ao limite de 8,8 milhões de euros, para o desenvolvimento do projecto de recuperação da sociedade”.

A mesma fonte adiantou ainda que “o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) foi contratado para efectuar a apreciação do Estudo Prévio desenvolvido pelo projectista, nas áreas da dinâmica sedimentar, hidrodinâmica e obras marítimas”. Para além de dar a conhecer ao NM os contornos do novo projecto, a Parque EXPO enumera ainda as intervenções a realizar. “Vai ser criada uma nova bacia de entrada na Marina, provida de comportas de controlo dos fluxos de água e semelhantes, operando segundo um regime ajustado às ocorrências que ocasionam acréscimos de caudais sólidos em suspensão. Na área compreendia entre a actual e a futura boca de entrada será criado um anteporto (…) Paralelamente, serão ainda realizadas obras de beneficiação dos molhes”.

A mesma fonte diz ainda que “o concurso para a empreitada das obras de reactivação da Marina, estando em curso a fase de esclarecimentos das propostas apresentadas. Foi também lançada uma consulta para a dragagem da bacia norte, que se encontra na fase de adjudicação”.


Titularidade do Capital Social
BCP - 53,74%
Agrupación Guinovart Obras y Serv. Hispana S.A. - 27,8%
Parque EXPO 98, S.A. - 16,35%
Europrojects, S.A. - 1,42%
Catalana d’Iniciatives - 0,3%
S.D.I., Lda - 0,23%
Proinautica - 0,10%
Algeco, S.A. - 0,01%
Nautel - 0,006%


Vai fazer oito anos que estou aqui. No primeiro ano e meio isto funcionou muito bem, mas depois os problemas foram-se sucedendo. Infelizmente temos que levar com este tanque de lodo com um cheiro nauseabundo. A Parque Expo diz-nos que as negociações estão a decorrer, mas até agora nada. Com a Marina assim, nota-se uma grande quebra no número de clientes”.
Irene Pereira, proprietária do restaurante Roda de Leme

Trabalhei no Parque das Nações durante oito anos, desde 1998, e há mais de um ano abri o meu negócio. A partir do momento em que o espaço se foi degradando muitas pessoas fecharam os seus negócios. Sinceramente, não tenho muitas esperanças. Na Câmara, as pessoas entram e saem e nada se resolve”.
Fernando Cunha, proprietário do restaurante Tertúlia do Marina

No final de 1997 comprei um lugar de amarração na Marina do Parque das Nações, mas só podia deixar lá o barco após a EXPO’98. Na altura, paguei 3250 euros que correspondia a 30% do preço total do lugar. Este negócio foi feito com a Marina EXPO, que era a responsável pelo local. No entanto, esta entidade faliu e, como não tenho nenhum contrato assinado, acabei por perder o dinheiro”.
António Ferreira Mendes

"in Notícias da Manhã @ 18 de Junho"


Nota da Direcção.

Lamentavelmente, apesar de todas as advertências efectuadas pela Direcção da ANMPN para a situação atrás referida, nomeadamente, o artigo que divulgámos em 01 de Julho de 2006 (clique aqui), bem como, a carta enviada a 13 de Julho de 2006 a um conjunto de cerca de trinta entidades com responsabilidade directa ou indirecta na reabilitação da marina (clique aqui), não conseguimos que o processo saísse do marasmo em que se encontra há mais de cinco anos. Efectivamente, o Projecto de Reabilitação da Marina do Parque das Nações, só teve nestes últimos cinco anos duas velocidades: "devagar" ou "completamente parado".

Vamos assistir, no próximo semestre, à "ratificação" in loco de "Portugal como o País dos maus exemplos", situação que tem vindo a ser avançada noutros domínios, face à nossa incapacidade de concretizar projectos e de aproveitar as oportunidades. Tanto neste caso da marina, como noutros bem conhecidos de todos, não conseguímos sair do ciclo dos "estudos e mais estudos...!"

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

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