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Informações: 2007.06.16

As mazelas da zona ribeirinha de Lisboa, entre o Parque das Nações e Belém.

A anterior Presidência Portuguesa da União Europeia teve lugar no 1º semestre do ano 2000, tendo na altura ficado localizada no Centro Cultural de Belém.

No início do próximo mês de Julho, Portugal voltará a ser o “centro” da Europa e a Presidência Portuguesa da UE ficará desta vez localizada na zona do Parque das Nações, em particular, no Pavilhão Atlântico.

As mazelas da zona ribeirinha de Lisboa, entre o Parque das Nações e Belém.
 

Suponhamos que, algum dos governantes, membro das comitivas ou jornalista, resolve percorrer na zona ribeirinha do Tejo, a distância que separa as duas localizações atrás referidas.

Lamentavelmente, fruto da negligência, incúria e falta de responsabilidade dos governantes e gestores públicos, a zona ribeirinha de Lisboa apresenta mazelas graves como demonstramos nas imagens que podem ser vistas clicando no Álbum ao lado.

Saindo do Pavilhão Atlântico, a menos de meia milha náutica está localizado o “maior tanque de lama da Europa”, consubstanciado na Marina do Parque das Nações. A única saída mar da “Expo dos Oceanos” está há mais de cinco anos votada ao mais completo desleixo e abandono. (Figuras 1 a 4)


Continuando para jusante, encontraremos a Doca do Poço do Bispo, a qual, para além de mais um enorme tanque de lama, serve também de “cemitério de embarcações”. (Figuras 5 a 8)


Já na zona do Centro Histórico da Cidade, em frente a Alfama, surge outra situação de abandono da zona ribeirinha do Tejo, associada à Doca do Jardim do Tabaco. (Figuras 9 a 12)


Chegados ao Terreiro do Paço, qualquer tentativa para encontrar o Cais das Colunas sairá completamente frustrada. O estaleiro da obra do Metro domina completamente toda a área que se encontra em estado deplorável há vários anos. (Figuras 13 a 16)


Seguindo em direcção ao Cais-do-Sodré, praticamente na continuação da situação anterior, encontraremos mais uma obra de enorme volumetria, destinada à Sede da Agência Europeia de Segurança Marítima. Tudo indica que a cidade deixou de ter direito ao Tejo, o rio que lhe deu alma ao longo de toda a sua história. As paredes entre a cidade e o rio multiplicam-se de forma preocupante e ao que parece, de forma definitiva. (Figuras 17 a 20)


Quando chegarmos finalmente ao Centro Cultural de Belém, Sede da Presidência da UE em 2000, ao olharmos para o Tejo encontraremos um enorme conjunto de gruas e mais uma obra de betão a nascer sobre a margem do rio, evidenciando a vocação para uma construção continuada sobre a “interface”, limitando definitivamente as vistas e condicionando a circulação dos ventos entre a cidade e o rio responsáveis pela renovação do ar que respiramos em Lisboa. Ao aproximarmo-nos do local, encontraremos um cartaz do "Porto de Lisboa - Requalificação Urbana”!?  Que estranha forma de requalificar, negando à cidade o direito à ligação forte e inequívoca ao seu rio, sobre o qual sempre se quis debruçar! (Figuras 20 a 24)


Citando António J.C. Maia Nabais in Barcos do Tejo -

O Tejo vai nu… recordação, saudade, memória, cultura (mal tratada) é o que resta deste rio cheio de história. Pobre de ti Tejo, que de tanto dares, tão pouco recebes!


NÃO NOS RESIGNAREMOS!

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

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