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Suponhamos que, algum dos governantes, membro das comitivas ou jornalista, resolve percorrer na zona ribeirinha do Tejo, a distância que separa as duas localizações atrás referidas. Lamentavelmente, fruto da negligência, incúria e falta de responsabilidade dos governantes e gestores públicos, a zona ribeirinha de Lisboa apresenta mazelas graves como demonstramos nas imagens que podem ser vistas clicando no Álbum ao lado. |
Saindo do Pavilhão Atlântico, a menos de meia milha náutica está localizado o “maior tanque de lama da Europa”, consubstanciado na Marina do Parque das Nações. A única saída mar da “Expo dos Oceanos” está há mais de cinco anos votada ao mais completo desleixo e abandono. (Figuras 1 a 4)
Continuando para jusante, encontraremos a Doca do Poço do Bispo, a qual, para além de mais um enorme tanque de lama, serve também de “cemitério de embarcações”. (Figuras 5 a 8)
Já na zona do Centro Histórico da Cidade, em frente a Alfama, surge outra situação de abandono da zona ribeirinha do Tejo, associada à Doca do Jardim do Tabaco. (Figuras 9 a 12)
Chegados ao Terreiro do Paço, qualquer tentativa para encontrar o Cais das Colunas sairá completamente frustrada. O estaleiro da obra do Metro domina completamente toda a área que se encontra em estado deplorável há vários anos. (Figuras 13 a 16)
Seguindo em direcção ao Cais-do-Sodré, praticamente na continuação da situação anterior, encontraremos mais uma obra de enorme volumetria, destinada à Sede da Agência Europeia de Segurança Marítima. Tudo indica que a cidade deixou de ter direito ao Tejo, o rio que lhe deu alma ao longo de toda a sua história. As paredes entre a cidade e o rio multiplicam-se de forma preocupante e ao que parece, de forma definitiva. (Figuras 17 a 20)
Quando chegarmos finalmente ao Centro Cultural de Belém, Sede da Presidência da UE em 2000, ao olharmos para o Tejo encontraremos um enorme conjunto de gruas e mais uma obra de betão a nascer sobre a margem do rio, evidenciando a vocação para uma construção continuada sobre a “interface”, limitando definitivamente as vistas e condicionando a circulação dos ventos entre a cidade e o rio responsáveis pela renovação do ar que respiramos em Lisboa. Ao aproximarmo-nos do local, encontraremos um cartaz do "Porto de Lisboa - Requalificação Urbana”!? Que estranha forma de requalificar, negando à cidade o direito à ligação forte e inequívoca ao seu rio, sobre o qual sempre se quis debruçar! (Figuras 20 a 24)
Citando António J.C. Maia Nabais in Barcos do Tejo -
“O Tejo vai nu… recordação, saudade, memória, cultura (mal tratada) é o que resta deste rio cheio de história. Pobre de ti Tejo, que de tanto dares, tão pouco recebes!”
NÃO NOS RESIGNAREMOS!
Saudações Náuticas,
A Direcção da ANMPN







