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Informações:2007-04-30

Vice-presidente da Direcção da ANMPN, entrevistado pelo "Notícias do Parque"


O vice-presidente da Direcção a ANMPN foi entrevistado recentemente pelo "Notícias do Parque", Jornal de distribuição gratuita na área do Parque das Nações.

Para os associados que eventualmente não tenham acesso ao Notícias do Parque, reproduzimos abaixo o conteúdo da entrevista, consubstanciada no artigo publicado na edição de ABRIL-07, da autoria do Director do Jornal, o jornalista Miguel Ferro Menezes.


A ORIENTE

Paulo Andrade - vice-presidente da ANMPN

1. Qual a importância e que solução pensa haver para a constituição de uma freguesia única no PN?

Como vice-presidente da Direcção da ANMPN – Associação Náutica da Marina do Parque das Nações acompanho as posições que têm vindo a ser defendidas pela AMCPN – Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações. Como sabe, apenas um terço dos nossos associados habita no PN, dado que, na altura em que os lugares da marina estiveram à venda - 1998/2001 -, o número de habitantes no PN ainda tinha pouco significado. Eu próprio, moro na Portela onde me sinto muito bem, e acho que a Dra. Geni das Neves, presidente da Junta de Freguesia, nunca me “perdoaria” se saísse do bairro…! A minha forte ligação ao PN tem sobretudo a ver com a paixão que possuo pelo mar, nomeadamente, pela navegação no grande estuário do Rio Tejo. Foi essa a razão que me levou em 1998 a adquirir um posto de amarração na Marina da Expo, dado que, morar na Portela e ter uma embarcação na Marina do PN seria como ter um “barco no quintal”.


Tanto eu, como os meus colegas da ANMPN, que adquiriram postos de amarração naquela altura, demos um contributo muito importante para o êxito da Expo’98 e da própria transformação da Expo naquilo que é hoje o PN. O que ninguém esperava, era que os sucessivos gestores da Parque Expo, empresa tutelada pelo governo para efectuar a gestão do período pós-Expo’98, optassem por colocar os seus gabinetes de costas voltadas para o rio, e votassem a zona ribeirinha ao desleixo e abandono, em que a marina, convertida no maior Tanque de Lama da Europa, é a parte mais visível.


Acho que a constituição de uma freguesia única é inquestionável, como forma de assegurar um desenvolvimento harmonioso do PN. Fazendo um paralelo com a náutica, direi que ao longo da minha vida de nauta completei com sucesso todos os cursos de navegação desde Marinheiro até Patrão de Alto Mar. Desde o curso de Marinheiro (mais simples) aprende-se uma regra fundamental para quem navega, que é a necessidade de ser estabelecida sem ambiguidade a figura do “Comandante da Embarcação”, a quem cabe tomar decisões a bordo e assumir a responsabilidade pelo bom governo do navio e pela segurança das pessoas e bens. Quando esta figura não existe, o risco de naufrágio, de homem ao mar, de não se chegar ao porto de destino aumenta exponencialmente. Assim, em meu entender, esta “embarcação Parque das Nações” precisa de uma voz de comando, consubstanciada numa freguesia única que permita traçar as “rotas” para gestão do espaço de acordo com os anseios dos seus habitantes e demais “stakeholders”, sob pena de pormos em causa o projecto global que foi estabelecido para o PN, e retirando-lhe a importância que possui como elemento de referência para outros projectos de reabilitação no país, como é o caso dos associados ao Programa Polis.

 


2. Acredita que a constituição de uma freguesia única podia contribuir para o aceleramento da recuperação da Marina?

Acho que estes projectos têm “timings” diferentes. A constituição da Freguesia é algo que apesar de inevitável levará ainda o seu tempo face ao procedimento legislativo associado, e penso que, o problema da marina que se arrasta há mais de cinco anos, não pode esperar mais tempo. As propostas para a obra de recuperação decorrentes da consulta efectuada a meados de Janeiro deverão ter sido entregues a 30 de Março. Logo, neste momento deverá estar a decorrer o processo de avaliação das propostas, e penso haver condições para que a adjudicação tenha lugar no início de Maio, assumindo como razoável um mês como prazo de avaliação. Muito embora o Sr. Ministro do Ambiente, na resposta que enviou em Janeiro à Assembleia da República, tenha referido que sic «…subsistem ainda dúvidas sobre a responsabilidade pelo financiamento da obra», acreditamos que passados que foram três meses, o governo não venha agora dizer não ser possível adjudicar a obra por não estar ainda definida a forma de financiamento. Para quem, ultimamente, tem andado a anunciar aos quatro ventos a sua capacidade de tomar decisões e avançar com processos que estiveram em “banho maria” nos governos anteriores, penso que seria um valente “tiro num pé”…!

 

3. Para terminar e dados os últimos avanços, neste dossiê, para quando pensa ser possível o inicio do processo de recuperação?

Acho que a pergunta já está de alguma forma respondida no ponto anterior. Desde 1998, os diferentes gestores da ParqueExpo nomeados pelos sucessivos governos, têm centrado fundamentalmente a sua gestão na satisfação dos interesses do seu único accionista – “o Estado”. A Resolução recente do Conselho de Ministros n. 49/2007 de 01 de Fevereiro de 2007, estabelece um código de conduta e de bom governo para as empresas do estado, assente em princípios de natureza ética e comportamental que são essenciais para que as empresas sejam geridas no efectivo interesse dos seus accionistas e demais stakeholders e prossigam os objectivos para que foram criadas e são mantidas. Face ao conteúdo desta resolução, é fácil de verificar que a gestão da Parque Expo tem vindo a ser efectuada ao arrepio destes princípios, virada tão só para uma gestão financeira do projecto, e totalmente autista relativamente àquilo que são os interesses dos demais stakeholders. Só assim se podem compreender situações como o desleixo a que chegou a marina e a sua zona ribeirinha, a ausência de iluminações de Natal no PN, o abandono da Torre Vasco da Gama, e outras tantas mazelas que têm vindo a ser denunciadas pela Associação de Moradores e Comerciantes. Esperamos assim que, no início do próximo mês de Maio a obra de reabilitação da marina venha a ser adjudicada, dando assim início à concretização do Projecto que visa colocar a marina em operação durante 2008. Será a forma de devolver a dignidade à saída mar da Expo dos Oceanos, pilar estruturante do Projecto Global do Parque das Nações. Espero ainda que esta obra, venha a marcar uma inversão na forma de gestão do CA da ParqueExpo, em alinhamento com aquilo que vem mencionado na Resolução atrás referida, e que, para além dos interesses do accionista “Estado”, os demais stakeholders passem a ter a atenção que merecem.


A nossa participação recente na Nauticampo 2007 permite-nos afirmar com segurança que a marina, depois de recuperada, vai constituir um núcleo importante para a dinamização da náutica de recreio e do turismo de vertente náutica no grande estuário do Tejo. Efectivamente, muitas foram as organizações que entraram em contacto connosco, para saber notícias sobre a reabertura da marina, face às limitações hoje existentes na área de Belém, bem como, devido à pressão do porto “comercial” com grande actividade naquela zona, e que conflitua com a prática da náutica de recreio. Acredito sinceramente, que estamos mesmo a atravessar uma época de viragem, e que a marina vai ser uma realidade no próximo ano.

in "Notícias do Parque" @ Abril 2007

 

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