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Informações: 2006.12.30

Marina do Parque das Nações espera solução - in "Diário de Notícias".

A Edição do Diário de Notícias do dia 29 de Dezembro publicou um artigo sobre a marina, baseado num conjunto de entrevistas efectuadas pela Jornalista Luísa Botinas, sobre a situação actual do processo de reabilitação daquele espaço, que teima em não sair do marasmo que o tem caracterizado nos últimos anos.

Para conhecimento dos nossos associados e visitantes do site, publicamos abaixo o referido artigo, chamando à atenção para a Nota da Direcção inserida no rodapé.

Saudações Náuticas

A Direcção da ANMPN


Crédito Diário de Notícias


Marina do Parque das Nações espera solução

Luísa Botinas

Foi um dos locais emblemáticos durante a Expo'98. Hoje de marina nada tem. Além de não passar de um tanque de lama, com mosquitos no Verão, a infra-estrutura degradou-se. São precisas obras de recuperação cuja solução técnica já foi encontrada. Cavaco Silva respondeu a uma carta dos utentes, dizendo que avisou o primeiro-ministro.

A presidência portuguesa da União Europeia começa no segundo semestre de 2007 e um dos locais onde a logística vai assentar arraiais é no Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações. A poucos metros dali, à vista de todos, encontra-se uma situação degradante: a antiga Marina da Expo é hoje o "maior tanque de lama da Europa". Assim o designam os utentes daquela infra-estrutura náutica, há cinco anos sem actividade, após vicissitudes várias.

Manuel Ventura, presidente da Associação Náutica da Marinha do Parque das Nações, ANMPN, constituída para "não deixar cair no esquecimento este problema" e que representa 154 utentes que gastaram 300 mil contos na compra de postos de amarração, diz que a situação é "vergonhosa".

Apesar da adversidade, a ANMPN não desiste. "Temos escrito para todas as entidades com responsabilidades neste país. No total, já devemos ter enviado mais de 400 cartas". De Cavaco Silva os utentes da marina obtiveram uma resposta, segundo o chefe da Casa Civil de Belém, Nunes Liberato, "o assunto foi colocado à atenção do primeiro-ministro". De Durão Barroso souberam que o presidente da Comissão Europeia "tomou nota da situação".

Desencantado, Manuel Ventura confessa que quase perdeu a esperança de algum dia ver a Marina da Expo recuperada. "É só estudos e mais estudos. E não se passa disto. Nem o facto de a presidência portuguesa da UE ocupar um edifício aqui próximo parece preocupar os responsáveis. A indiferença e o laxismo não constituem motivo de constrangimento ou vergonha", acrescenta aquele responsável.

De quem nunca obtiveram uma reacção ou acção foi da Câmara Municipal de Lisboa. "Fomos recebidos uma vez por um assessor do então presidente Santana Lopes que se mostrou muito agastado com o facto de mostrarmos no nosso site imagens da marina atolada, que no seu entender transmitiam uma imagem pouco digna da cidade", conta Manuel Ventura. Ora é precisamente a autarquia de Lisboa que, na opinião do presidente da ANMPN, "tem denotado total desinteresse pela imagem da cidade ao ter-se colocado durante todo o processo completamente à margem, eximindo-se de exercer pressão sobre as partes que têm que resolver o problema - a concessionária, Marina do Parque das Nações e a dona do espaço, a Parque Expo". Manuel Ventura lamenta o alheamento do município de Lisboa, que "argumenta que não tem nada a ver com o assunto".

Estranho é também o silêncio do sector imobiliário. "Vários promotores têm construído ali na zona sul, com o chamariz da marina, mas não têm vendido nada. E apesar de tudo não ouvimos protestos pela situação por parte de ninguém do sector", salienta.

Da parte da empresa concessionária da marina, José Vilar Filipe adianta-nos que "decorrem os estudos de viabilidade económica da recuperação da infra-estrutura, sendo por isso impossível adiantar quando é que a intervenção arranca".

A Parque Expo informou, entretanto, que a solução técnica para a recuperação da marina, estudada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, LNEC, passa pela criação de "uma nova bacia de entrada, provida de comportas de controlo dos fluxos de água e semelhantes, operando segundo um regime ajustado às ocorrências que ocasionam acréscimos de caudais sólidos em suspensão. Esta solução reduzirá substancialmente o ritmo de assoreamento, sem introduzir, em contrapartida, condicionantes operacionais sensíveis". Quanto a prazos, aquela entidade esclarece: "Os prazos legais inerentes ao lançamento do concurso público para as obras de reoperacionalização da marina (avaliadas em 9,7 milhões de euros) sugerem que a adjudicação da empreitada não ocorra antes do 1.º trimestre de 2007, estimando-se que a respectiva execução se prolongue por um período de 15 a 18 meses."

in Diário de Notícias @ 2006.12.29


Nota da Direcção:

Quem lê este artigo sem conhecer o histórico deste processo de reabilitação, pode ser levado a pensar, pelas declarações da Parque Expo, que a solução das comportas para controlo do assoreamento é algo de novo, que aparece como resultado de um estudo recente. Recordamos aqui as declarações do então Presidente do CA da MPN - Dr. Fernando Antunes ( Parque Expo), efectuadas há exactamente dois anos (30 DEZ 2004).

sic. «De acordo com o presidente da sociedade, a solução para o projecto, ainda não totalmente definida, deverá passar pela dragagem e colocação de comportas que darão origem a uma marina "semi-fechada", devido às elevadas taxas de assoreamento registadas. Pôr a marina operacional implicará um investimento calculado em 7,1 milhões de euros.»

É caso para perguntar, o que se fez durante estes dois anos?

Sabemos que o projecto a que o Dr. Fernando Antunes fez referência em 30 Dezembro de 2004, ficou concluído no final de Janeiro de 2005.

Inacreditavelmente, foram necessários seis longos meses para o projecto transitar da Parque Expo à Praça do Município (CML) no sentido de serem obtidos os necessários licenciamentos, facto que não veio a suceder devido à recusa da CML em autorizar o projecto então apresentado.

Passaram entretanto 18 meses. E o que é que foi feito ? Estudos e mais estudos, que a julgar pelas declarações dos “interessados” ainda não acabaram. Agora seguem-se estudos no que ao financiamento diz respeito...

Ou seja, como conclusão:

Daqui por seis meses, Portugal vai ter oportunidade de, mais uma vez, ser apresentado aos 27 membros da União Europeia, como o país onde abundam os maus exemplos.

Efectivamente, afirma aos quatro ventos que vai seguir uma estratégia virada para o mar honrando o seu passado de país de marinheiros e dignificando a sua vocação marítima e atlântica, mas, na prática, faz exactamente o contrário, deixando ao completo abandono, já lá vão quase cinco anos, a única saída para o mar da Expo dos Oceanos, consubstanciada na sua marina, única na capital do tal país de marinheiros...

Tendo em conta que o Parque das Nações constitui hoje o local mais visitado do país, seria natural encontrar no espaço da marina um "Cartaz" da Parque Expo referindo algo do género: "Estamos a trabalhar para reabilitar este local", de forma a amenizar o estado de desleixo e abandono reinante.

Em nosso entender, tal nunca aconteceu em primeiro lugar porque a Parque Expo sempre manifestou desinteresse pela zona sul do Parque das Nações e em segundo lugar porque tal "Cartaz" teria de possuir obrigatoriamente uma inscrição em rodapé referindo - « Nota: O processo de reabilitação da marina só tem duas velocidades: devagar (5% do tempo) ou completamente parado (95% do tempo). »

Assim, e com a aproximação do início da Presidência Portuguesa da UE, parece que fazemos questão de presentear os responsáveis dos 27 países da União Europeia com mais "um mau exemplo ao vivo" para juntar aos restantes, no sentido de reafirmar, para que não restem dúvidas acerca da nossa capacidade de, pelo menos neste aspecto, sermos uma "referência exemplar".

Note-se que o MAR vai ser uma tónica própria do semestre português da presidência da UE e, coincidência ou não, o centro operacional da Presidência fixar-se-á na Sala TEJO do Pavilhão Atlântico.

Resta-nos ter esperança, que depois de tantos estudos e reflexões, o produto final de tanta análise constitua de facto um exemplo de sucesso. Não será decerto por falta de tempo e de estudos que o projecto falhará.

Feliz ano a todos e que 2007 seja finalmente o ano da Marina do Parque das Nações. Mas por este andar e interesse ...!?

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

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