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Informações: 2006.12.19

Publicada no D. República a «Estratégia Nacional para o Mar».

O Diário da República n. 237/2006 de 12 de Dezembro, publicou a Resolução n. 163/2006 do Conselho de Ministros de 16 de Novembro, que aprovou a Estratégia Nacional para o Mar.

A Direcção da ANMPN retirou alguns excertos do documento, que traduzem as linhas de força da Estratégia Nacional para o Mar nas áreas onde temos vindo a intervir. O resumo daí resultante, vai publicado abaixo para conhecimento dos nossos associados e visitantes do site. No entanto, no final do texto, é também proporcionado um link que permite efectuar o download de um pdf com a integridade do texto da resolução em apreço.

Como refere o documento a páginas tantas, apesar da ligação de Portugal ao mar ter ganho relevância durante a época dos Descobrimentos, facto que marcou decisivamente o início do processo de globalização em termos das trocas comerciais, culturais, científicas e tecnológicas, as quais, por sua vez, promoveram o grande desenvolvimento do nosso país e marcaram definitivamente os processos de transmissão de conhecimentos entre os povos, actualmente, o mar tem sido, para a maioria da sociedade portuguesa, algo de distante, intangível e invisível.

A Direcção da ANMPN revê-se no texto deste documento, para o qual enviámos também a nossa contribuição através do Site da Estratégia Azul.

No entanto, não nos podemos esquecer que deste 1998 têm vindo a ser criadas "comissões" e mais "comissões" (muito ao gosto português) para os Oceanos, todas elas aliás referenciadas no texto desta Resolução, as quais, na maior parte dos casos, apenas produziram extensos e coloridos "PowerPoint's", sem que daí tenha resultado qualquer materialização no terreno.

Um bom exemplo do desprezo, desleixo e abandono das frentes ribeirinhas, está bem patente aos olhos de todos no local mais visitado do País - Parque das Nações, onde a única marina da Cidade de Lisboa - capital do país de marinheiros - está convertida, há quase cinco anos, no "Maior Tanque de Lama da Europa".

Para quem tem acompanhado de perto esta situação, e encontra no texto do documento como 1ª acção estratégica - a "sensibilização e mobilização da sociedade para a importância do mar" -, ficará decerto a pensar que estaremos perante mais uma sessão de "Slideware", ou então, muito provavelmente, não estaremos a falar do mesmo país...!

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN


Resolução do Conselho de Ministros n. 163/2006 - DR, 1ª série n. 237 de 12 de Dezembro.

(...)
Ao definir, pela primeira vez, uma estratégia nacional para o mar, alicerçada numa abordagem integrada das várias políticas nacionais, o Governo cria os mecanismos indispensáveis e proporciona aos vários agentes as condições necessárias para que o aproveitamento sustentável do mar, em benefício das populações, venha a constituir uma realidade efectiva e credível.

De modo que Portugal aproveite as oportunidades existentes e mitigue as dificuldades, as linhas orientadoras da Estratégia Nacional para o Mar assentam em três pilares estratégicos:

  • o conhecimento,
  • o planeamento e o ordenamento espaciais e
  • a promoção e a defesa activas dos interesses nacionais.

Estes são os factores críticos de sucesso, ou seja, aquilo que se torna indispensável assegurar para valorizar definitivamente a importância do mar como elemento diferenciador, projectando-o no futuro como um dos principais motores de desenvolvimento do País. Estes factores permitirão tornar mais eficazes e integradas as várias políticas nacionais actualmente em desenvolvimento e a definição e implementação de novas políticas integradas para o melhor aproveitamento das potencialidades e meios existentes.

(...)
Atenta a natureza marcadamente horizontal da Estratégia Nacional para o Mar, define-se um conjunto de acções estratégicas que identificam medidas transversais que contribuem para criar condições favoráveis para o melhor aproveitamento do mar de forma sustentável. A implementação destas acções, articuladas com as restantes estratégias nacionais, permitirá operacionalizar os pilares estratégicos definidos, acrescentando valor às acções actualmente em curso e contribuindo para o objectivo central de definir o mar como um «projecto nacional».

Foram assim seleccionadas oito acções estratégicas:

  • a sensibilização e mobilização da sociedade para a importância do mar;
  • a promoção do ensino e divulgação nas escolas de actividades ligadas ao mar;
  • a promoção de Portugal como um centro de excelência de investigação das ciências do mar da Europa;
  • o planeamento e ordenamento espacial das actividades;
  • a protecção e recuperação dos ecossistemas marinhos;
  • o fomento da economia do mar;
  • a aposta nas novas tecnologias aplicadas às actividades marítimas;
  • a defesa nacional, a segurança, a vigilância e a protecção dos espaços marítimos sob soberania ou jurisdição nacional.

Estas medidas, bem como outras que venham a ser consideradas relevantes, serão alvo de planos de acção específicos desenvolvidos pelas tutelas e dinamizados pela comissão de coordenação interministerial para a implementação da Estratégia Nacional para o Mar.

A proposta da Estratégia Nacional para o Mar, aprovada na generalidade em Conselho de Ministros de 4 de Outubro de 2006, esteve em discussão pública, da qual resultou o documento final que aqui se apresenta.

Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.o da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
Aprovar a Estratégia Nacional para o Mar, constante do anexo da presente resolução e que dela faz parte integrante.
Presidência do Conselho de Ministros, 16 de Novembro de 2006. —O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.


Anexo
Estratégia Nacional para o Mar
Introdução

(...)
Só é possível dinamizar uma economia do mar forte, moderna e sustentada através da clarificação e da transparência dos processos de licenciamento das actividades, bem como da criação de mecanismos de atracção de investimento baseados em informação sólida e credível. Um dos maiores desafios na formulação de uma estratégia nacional para o mar resulta da dificuldade em avaliar a situação actual e prever os potenciais desenvolvimentos. Apesar do trabalho realizado pela Comissão Estratégica dos Oceanos, da contribuição nacional para o Livro Verde da Política Marítima Europeia e dos escassos estudos económicos feitos para o conjunto das actividades marítimas, a quantificação da importância do mar para a economia nacional recorre a abordagens empíricas e a dados onde existem lacunas importantes, que não permitem obter uma imagem nítida da real situação económica, bem como do potencial interesse em investir nessas actividades.

A título de exemplo, embora o turismo surja como um dos sectores com maior importância nos estudos sobre o emprego, a estimativa do seu real impacte económico no que respeita às actividades ligadas ao mar é difícil, uma vez que os seus efeitos se propagam a vários subsectores da actividade económica, como sejam os transportes, a restauração, o comércio, a hotelaria e os eventos culturais e desportivos. Um dos objectivos da presente Estratégia Nacional para o Mar é precisamente o de criar as ferramentas e condições para dar resposta actualizada e permanente a esta ausência de informação necessária para a tomada de decisões estratégicas e para o reforço e atracção de novos investimentos.

Portugal dispõe no entanto de uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, com mais de 1 700 000 km2, o que corresponde a cerca de 18 vezes a sua área terrestre. Existe, ainda, a possibilidade de vir a contar com espaços marítimos sob sua soberania ou jurisdição que poderão exceder em muito a actual área da ZEE. O trabalho que a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental está a realizar irá determinar os espaços a reclamar por Portugal, para além das 200 milhas náuticas, no âmbito de uma proposta a ser apresentada até Maio de 2009 à Comissão de Limites da Plataforma Continental, criada no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

As Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores assumem aqui um papel de destaque pelo seu posicionamento central nos espaços marítimos sob soberania ou jurisdição nacional.

Este extenso espaço marítimo encerra alguns dos mais importantes ecossistemas oceânicos ao nível global. As características biogeográficas e geomorfológicas das áreas sob jurisdição nacional englobam uma vasta biodiversidade marinha. Os ambientes insulares oceânicos, o mar profundo e as planícies abissais, os montes e bancos submarinos, a dorsal médio-atlântica, os campos de fontes hidrotermais, as riquíssimas zonas estuarinas e lagunares, os grandes canhões submarinos, as zonas de afloramento costeiro, os recifes rochosos, entre outros, conferem a Portugal um património natural único que importa valorizar e preservar. A este património juntam- se os valores arqueológicos, culturais, estéticos e históricos, os recursos geológicos e minerais, os recursos energéticos renováveis e os recursos biotecnológicos que, no seu conjunto, representam um dos principais activos nacionais que se encontra, no entanto, subaproveitado e cuja utilização importa investigar e dinamizar de forma sustentável.

Só numa perspectiva sustentável é possível a criação de riqueza económica e emprego através de actividades como o transporte marítimo, a actividade portuária, a indústria naval, a pesca, o turismo, as energias renováveis, a ciência, tecnologia e inovação, a biotecnologia e a exploração de recursos vivos ou não vivos.

A ligação de Portugal ao mar ganhou relevância durante a época dos Descobrimentos, que marcou decisivamente o início do processo de globalização. As trocas comerciais, culturais, científicas e tecnológicas daí resultantes promoveram o grande desenvolvimento do nosso país e marcaram definitivamente os processos de transmissão de conhecimentos entre os povos. No entanto, actualmente, o mar é, para a maioria da sociedade portuguesa, algo de distante, intangível e invisível.

É hoje consensual que as ameaças e os riscos que pendem sobre as zonas costeiras, o ambiente marinho e a sua biodiversidade, como sejam os acidentes marítimos, a poluição marinha, as actividades ilícitas, entre as quais a imigração ilegal e o terrorismo, as alterações climáticas, o aumento do nível do mar, as catástrofes naturais e a sobreexploração dos recursos do oceano são significativos e têm repercussões à escala planetária. Estas ameaças implicam novas formas de articulação interna, de cooperação internacional e de princípios de gestão, já que condicionam o desenvolvimento sustentável das sociedades, com impactes na saúde pública, no desenvolvimento económico e social e na qualidade de vida das populações.

A importância do oceano e dos mares para a humanidade tem vindo a ser amplamente reconhecida no seio das Nações Unidas e noutros fora internacionais. Em todo o mundo, nas últimas décadas, tem emergido a consciência de que a gestão e a governação do oceano e das zonas costeiras e das actividades humanas a ele associadas devem ser abordadas numa perspectiva ecossistémica, de desenvolvimento sustentável, com base numa visão abrangente, não sectorial e integrada.

(...)
A Estratégia Nacional para o Mar está determinada em garantir a existência de factores críticos de sucesso que permitam tornar mais eficazes e articuladas as várias políticas sectoriais actualmente em implementação ou desenvolvimento para o oceano e zonas costeiras e contribuir para a identificação das áreas estratégicas nacionais, com vista ao melhor aproveitamento das potencialidades que o mar oferece.

A mais-valia para Portugal desta Estratégia é tornar o mar num projecto nacional, apostando numa abordagem integrada da governação dos assuntos do mar, que pela primeira vez congregue os esforços das diferentes tutelas, dos agentes económicos, da comunidade científica, das organizações não governamentais e da sociedade civil, co-responsabilizando todos os actores para o aproveitamento do mar como factor diferenciador do desenvolvimento económico e social, valorizando e preservando este património.

Convém tornar bem claro que esta Estratégia não é a solução para todos os problemas e que só poderá alcançar os seus objectivos se o mar for considerado por todos como um verdadeiro projecto nacional. O Estado tem um papel facilitador e promotor de condições de desenvolvimento económico e social, mas cabe às empresas e à sociedade civil o papel principal na concretização dos objectivos que são a razão de ser desta Estratégia Nacional para o Mar. A obtenção de resultados tangíveis só será perceptível em alguns casos a médio/longo prazo, exigindo por isso uma aposta rápida mas persistente nas áreas ligadas à educação, capacitação de meios humanos, criação e optimização de infra-estruturas e investigação e desenvolvimento.

(...)
Para responder a este desafio, tal como referido no Programa do XVII Governo Constitucional, indicado no relatório da Comissão Estratégica dos Oceanos e reforçado no decorrer da auscultação alargada realizada junto das entidades públicas e privadas com interesses nos assuntos do mar, Portugal tem de garantir a coordenação e articulação de todas as áreas que respeitem ao mar.

Esta necessidade é sentida em áreas onde existe falta de abrangência e continuidade de jurisdição, ou sobreposição de jurisdição e competências de várias autoridades, que, em acréscimo, se encontram divididas pelos vários níveis da administração local, regional e central, sendo particularmente evidente nas áreas de interface entre mar e terra.

É, assim, necessário apontar os principais caminhos e criar uma estrutura de coordenação dos assuntos do mar adequada a um país assumidamente marítimo e que permita aproveitar todo o potencial que o mar encerra, para a geração presente e para as gerações futuras.

A Estratégia Nacional para o Mar distribui-se por cinco capítulos. No capítulo I enunciam-se os princípios e os objectivos gerais preconizados. No capítulo II definem-se os pilares estratégicos que constituem os factores críticos de sucesso. No capítulo III caracterizam-se os meios humanos e financeiros a afectar. No capítulo IV indicam-se os mecanismos de acompanhamento, avaliação e revisão. No capítulo V formulam-se as acções fundamentais, classificadas em prioritárias e estratégicas, e as correspondentes medidas, relacionando-as com os pilares estratégicos. Em anexo apresenta-se uma tabela que resume as acções e medidas estratégicas apresentadas no capítulo V.

(...)


O conteúdo integral do texto da resolução poderá ser obtido através do download do documento, clicando no link abaixo:


De qualquer forma, e no respeitante às medidas com uma relação mais directa com objectivos da nossa associação, nomeadamente com:

promover e desenvolver de forma sustentada a náutica de recreio e o turismo de vertente náutica no grande estuário do Tejo, em pleno respeito pelo meio ambiente e pela cultura das populações ribeirinhas

complementamos o resumo da introdução efectuada acima, com uma parte do texto do Capítulo V - Acções e Medidas.


CAPÍTULO V
Acções e medidas


O estabelecimento e aplicação de acções e medidas que materializem os três pilares estratégicos prioritários é fundamental para o sucesso das actividades económicas onde se cruzam e renovam sectores tradicionais e sectores em desenvolvimento, como suporte essencial para a criação de riqueza e melhoria do crescimento, coesão social e qualidade de vida.

Só com uma estratégia nacional para o mar assente nestes alicerces será possível alcançar os objectivos preconizados nas diferentes políticas nacionais, nomeadamente nas seguintes áreas:

(...)

  • f) Ambiente e conservação da natureza: assegurando o bom funcionamento e manutenção dos serviços dos ecossistemas marinhos e costeiros, promovendo o conhecimento e protecção da biodiversidade marinha, recuperando habitats degradados e salvaguardando as áreas essenciais para a conservação e gestão dos recursos vivos e não vivos, nomeadamente através da criação de uma rede de áreas marinhas protegidas, assegurando o combate e controlo da poluição, incluindo o efeito das actividades humanas realizadas em meio terrestre sobre o meio marinho, combatendo e prevenindo a introdução de espécies não indígenas e assegurando a monitorização global do estado de saúde do ambiente marinho;

  • g) Educação, cultura e sensibilização: inserindo nos programas escolares o tema oceano em todas as suas dimensões, promovendo a mediatização das actividades marítimas junto da sociedade, apostando nos centros, aquários, oceanários e museus dedicados ao mar e fomentando o ensino naval e náutico, a valorização do património cultural subaquático e a educação ambiental;

  • h) Turismo, lazer, desportos e náutica de recreio: valorizando o mar como diferenciador da oferta turística e estimulando as actividades associadas ao mar que permitam a ocupação de tempos livres, o lazer e o desporto, desenvolvendo condições para um fácil e natural acesso ao mar; promovendo o turismo náutico e oceânico através da aposta na organização de provas desportivas internacionais de grande prestígio e emactividades marítimo- turísticas, como a vela, o remo, a canoagem, a náutica de recreio, o mergulho e a observação de aves e cetáceos; fomentando o turismo associado à actividade da pesca; tirando partido das importantes áreas naturais classificadas existentes na nossa costa, onde assumem um importante papel as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, para dinamizar o turismo de natureza; promovendo o turismo de cruzeiros, em franca expansão no nosso país;

 

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