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Direcção da ANMPN escreve mais uma vez a um conjunto de entidades sobre a situação da marina
A Direcção da ANMPN escreveu mais uma vez a um conjunto de entidades, nomeadamente, Presidência da República, Governo, Assembleia da República, Autarquias, e, pela primeira vez, à Comissão Europeia, sobre o estado de desleixo e de abandono da marina, bem como, sobre o marasmo que tem caracterizado o processo de reabilitação, que não consegue descolar do ciclo dos "estudos e mais estudos...".
Como referido em comunicado anterior, a Parque Expo'98, entidade concedente do espaço, cada vez que vem a público em declarações acrescenta mais uns meses ao prazo da obra, e nem a confirmada realização da Presidência Europeia no 2º semestre de 2007 no Pavilhão Atlântico, paredes meias com o "Maior Tanque de Lama da Europa", motivou maior dinâmica no processo de reabilitação, o qual, desde há mais de quatro anos a esta parte, possui apenas duas velocidades: devagar ou completamente parado!
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Lisboa, 05-11-2006
Assunto: Presidência Portuguesa da UE - 2º semestre 2007
Exmos Senhores
Portugal teima em não aproveitar as “janelas de oportunidade” que vão surgindo e, entidades que deveriam pugnar por esse aproveitamento em prol do superior interesse público, obstinam, estranhamente, em manter um histórico de letargia e indiferença face ao surgimento dessas mesmas oportunidades.
As mais recentes declarações da Parque Expo que remete a conclusão das obras de recuperação para 2008/9 e a continuada indiferença do Município de Lisboa face ao estado de completo abandono a que foi votada a Marina do Parque das Nações, deixam-nos fundadas preocupações.
Está quanto a nós “garantida” a continuação do actual “status quo”;
Total indiferença quanto às repercussões que tamanho desmazelo representa para a imagem da cidade de Lisboa e para Portugal.
Os responsáveis pelo actual estado da única marina da cidade de Lisboa, situação que se arrasta há perto de cinco anos, “propõem-se”, com a sua apatia e desinteresse, “presentear” com um ultrajante e sublime espectáculo de desleixo e degradação, todos os participantes e representantes dos “25” na próxima Presidência da U.E. assumida por Portugal, a decorrer no Pavilhão Atlântico no 2º Semestre de 2007.
Note-se que as recentes declarações da Parque Expo (PE) sobre os prazos necessários para a realização da obra, quase que duplicam os anteriormente divulgados pela concessionária MPN. De 10/12 meses previstos pela concessionária com a obra a arrancar no início do ano, para 18 meses segundo a Parque Expo, e com um início nunca antes do 1º trimestre de 2007.
Parece-nos evidente que a PE procura, desta forma, fazer crer ser já impossível colocar a marina a funcionar até ao final de 2007, ou seja, durante a presença no Pavilhão Atlântico da Presidência da UE. Deste modo, o projecto continuará a derrapar a seu belo prazer.
Por seu lado, a Câmara Municipal de Lisboa, entidade que se afirma preocupada e defensora do desenvolvimento da sua “frente ribeirinha”, continua estranhamente à margem do problema, reafirmando apenas a ausência de responsabilidade quanto ao sucedido.
É tempo de pôr cobro a esta postura do “deixa andar” tão característica dos projectos em Portugal, e que têm atirado o nosso país para a cauda dos principais indicadores europeus.
Lamentavelmente, nem a recente determinação demonstrada pelo S.E. o Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, motivou as entidades responsáveis – Parque Expo e Câmara Municipal de Lisboa -, a uma mudança efectiva de atitude que garantisse à marina, uma imagem de qualidade e beleza a todos os intervenientes na Presidência Portuguesa da U.E., dignificando a cidade e o país.
A Marina do Parque das Nações, infra-estrutura única e fundamental da cidade, recentemente considerada de interesse turístico por despacho de 25 de Julho de 2006 da DGT, continuará, se nada for feito, a sua lenta agonia.
Pelo descrito e pela extrema gravidade da situação, apelamos à intervenção superior de Vossa Excelência, convictos que se tal suceder, de forma efectiva, poderemos ainda atenuar o miserável espectáculo que todo o local apresenta e evitar a vergonha que decerto passaremos junto de todos os intervenientes na presidência portuguesa da UE, incluindo chefes de estado, altos responsáveis, funcionários, jornalistas e todo o conjunto de pessoas que tão importante e mediático acontecimento envolve.
Não será decerto a imagem actual (em anexo) da Marina do Parque das Nações, infra-estrutura náutica localizada na capital do país de marinheiros, que Portugal pretende passar ao mundo. Ou será?
A bem da nação
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente da Direcção
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