Assunto: Reportagem Revista Vega s/Marina do Parque das Nações
Exmo Senhor
Perante o estado de absoluto desleixo e abandono da Marina do Parque das Nações, única saída para o mar da zona da Expo 98 – a Exposição dos Oceanos – que projectou Portugal além fronteiras, infra-estrutura única da cidade de Lisboa, a Revista VEGA publicou na sua última edição, extensa reportagem sobre o tema, abordado igualmente em editorial.
Assim e como complemento à constante denúncia que a nossa associação vem fazendo no decorrer dos últimos quatro anos junto das mais diversas entidades com responsabilidade directa ou indirecta por todo aquele espaço, sobre o ultrajante e chocante estado de degradação de toda a infra-estrutura, entendemos pertinente oferecer a V.Exa um exemplar da referida revista.
Não deixa de ser caricato o estado a que chegou a zona ribeirinha do rio Tejo, quando diversos responsáveis autárquicos e governamentais afirmam que a dinamização do turismo na região de Lisboa depende, em grande parte, da criação de novas infra-estruturas náuticas, da recuperação e melhoramento das já existentes, dotando-as de originalidade e excelência.
A julgar pelas imagens da realidade deplorável das margens do rio, nomeadamente na zona do Parque das Nações actualmente a mais visitada do país, onde a marina foi convertida no “Maior Tanque de Lama da Europa”, é difícil acreditar que quem tanto apregoa, seja capaz de concretizar algo, considerando o tempo decorrido em que pouco ou nada se fez pelo rio e suas margens.
De facto e lamentavelmente não foi ainda possível sensibilizar e impressionar os principais responsáveis, que de concreto assumem total passividade perante a realidade dramática de toda a zona da Marina do Parque das Nações. O triste espectáculo apresentado em tão belo e singular local parece não preocupar ninguém!
E nem a próxima realização da Regata dos Grandes Veleiros - “Tall Ships Race” - foi motivo bastante para desbloquear o processo, de modo a ser possível afixar no local um Cartaz com o desenho da nova marina e calendário da obra que, de alguma forma, amenizasse o deplorável estado em que se encontra toda a zona ribeirinha da marina.
É nossa intenção convidar os participantes na regata a visitarem o local, apelando ao espirito náutico de inter-ajuda e solicitando-lhes pertinentes comentários junto das autoridades portuguesas perante inconcebível realidade.
Talvez a próxima presidência portuguesa da União Europeia que será instalada no Pavilhão Atlântico durante o 2º semestre de 2007 possa funcionar como “alavanca” que desbloqueie o impasse e a indiferença.
Como “santos da casa não fazem milagres”, temos esperança que perante opiniões “vindas de fora”, as entidades governamentais e autárquicas fiquem, finalmente, sensibilizadas para a situação vigente, e se empenhem na resolução do problema, a bem de Lisboa e de Portugal, ou por mais que não seja, pela vergonha!
Com respeitosos cumprimentos,
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente da Direcção
Anexo: Revista VEGA de Junho/Julho
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