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Informações: 2006.05.06

Uma lufada de ar fresco na melhoria do espaço urbano ribeirinho

As principais ideias chave que sobressaíram do estudo apresentado pela Roland Berger ao Conselho de Marketing do TLx10 – Plano Estratégico Turismo de Lisboa 2007-2010, no passado dia 20 de Abril, apontaram para:

  • A promoção e desenvolvimento de três centralidades turísticas – Belém, Expo e Centro Histórico;

  • A necessidade de potenciar ao máximo a relação com o rio, o qual, estabelece uma ligação natural entre as três zonas referidas. Refere-se, a este propósito, que Lisboa é das poucas cidades de referência junto ao mar e com um estuário de rio de grande dimensão, considerado, o maior da Europa;

  • A realização de eventos nacionais que permitam aumentar a notoriedade da cidade, sobretudo, aqueles em que esteja também associada uma melhoria da qualidade do espaço urbano.

Face ao que atrás ficou referido, a Direcção da ANMPN complementa a contribuição enviada a 18 de Abril p.p., ou seja, antes das conclusões apresentadas pela Roland Berger ao Conselho de Marketing.

1. Marina Do Parque das Nações:

A Direcção da ANMPN considera que a realização em Lisboa, em Outubro de 2007, no espaço da Expo, de um grande evento internacional – WaterfrontExpo 2007, constitui uma oportunidade única para concertar um conjunto de acções que assegurem notoriedade e visibilidade à cidade de Lisboa.

Na nossa opinião este acontecimento, está perfeitamente alinhado com a proposta de estratégia referida, já que:

Crédito Parque Expo,SA

 

  • A WaterfrontExpo 2007 decorrerá na Expo – uma das três centralidades turísticas;

  • A temática associada à WaterfrontExpo 2007 está em perfeita consonância com a necessidade de promover e potenciar a ligação ao rio, face às condições de excelência únicas do estuário do Tejo que, como é sublinhado no estudo apresentado, constitui um factor de diferenciação de outras cidades de destino turístico;

  • A realização em Lisboa da WaterfrontExpo 2007 só fará sentido se for realizada, de forma atempada, a reabilitação da Marina do Parque das Nações, a qual deverá constituir uma referência inequívoca ao respeito pelo meio ambiente (cumprimento dos critérios da Bandeira Azul);

  • A reabilitação da MPN constituirá uma lufada de ar fresco na melhoria do espaço urbano ribeirinho, assegurando a notoriedade pretendida de uma cidade que cada vez mais pretende retornar ao rio que lhe deu a alma e a quem tanto deve.

 

Face ao que ficou referido, são necessárias acções urgentes junto dos “stakeholders” da Marina do Parque das Nações (Sociedade MPN, Parque Expo, CML, Governo), para que o projecto de reabilitação saia definitivamente do marasmo em que se encontra há vários anos.
O “Maior Tanque de Lama da Europa”, em que ficou convertida a marina, constitui hoje uma das péssimas imagens que são passadas aos turistas visitam o local, um dos mais visitados de Portugal, prejudicando a cidade e o país. Não será decerto com este tipo de exemplos, que infelizmente proliferam nas belíssimas margens do rio Tejo, que se poderá “vender” a imagem de modernidade, de respeito pelo meio ambiente, de singularidade e excelência das ofertas que se pretendem para a toda a frente ribeirinha.
As acções efectivas de recuperação, terão de ser desencadeadas a breve prazo, através daquilo que o Professor Carmona referiu durante a campanha eleitoral – “uma solução que deve ser tão rápida quanto possível, suportada por protocolos públicos e exigindo, por isso, o consenso das várias entidades responsáveis” – os tais “stakeholders” que atrás referimos, de modo a que os resultados possam ter visibilidade até ao final do Verão de 2007, tendo em conta que a Waterfront Expo terá lugar em Outubro do referido ano.
Por outro lado, dentro de três meses, os cerca de 3000 marinheiros das tripulações das embarcações da Regata dos Grandes Veleiros irão conhecer duas realidades na zona ribeirinha de Lisboa: A “centralidade de Belém” que parece continuar a ser menina dos olhos de ouro da CML, e a “centralidade da Expo” com a marina convertida no maior Tanque de Lama da Europa.

Como medida transitória destinada a amenizar tanto quanto possível o estado de abandono e desleixo da marina e dos espaços envolventes, a Direcção da ANMPN propõe mais uma vez, que o Planeamento da Obra seja afixado no local tão breve quando possível, referindo as “milestones” associadas ao projecto de reabilitação.

 

2. Ligação do Terminal de Cruzeiros à Centralidade da Expo:
A criação do Terminal de Cruzeiros em S.ta Apolónia deverá em nosso entender ser acompanhada de medidas que permitam a existência de uma “promenade” tão ribeirinha quando possível, entre a zona do Terminal de Cruzeiros e a Zona da Expo.

Entre as medidas sugeridas, deverá figurar necessariamente a recuperação da Doca do Poço do Bispo, que constitui neste momento mais uma ferida grave da zona ribeirinha de Lisboa – outro tanque de lama – consubstanciado por um espectáculo miserável de barcos afundados e de inqualificável degradação.

A proximidade do Terminal de Cruzeiros à centralidade “Centro Histórico” por um lado e à centralidade “Expo” por outro,

assegurará condições ímpares aos excursionistas. Efectivamente, os Terminais de Cruzeiros noutras escalas, obrigam quase sempre à utilização de “shuttles” entre o Terminal e as “centralidades turísticas” da cidade.
Será assim possível assegurar, condições ribeirinhas que permitam o usufruto em segurança e com adequada qualidade urbana das três centralidades que foram consideradas no estudo. Ou seja, um dos objectivos do Plano Estratégico deverá ser enunciado da forma seguinte: “Dignificar a zona ribeirinha dotando-a da qualidade urbana necessária ao lazer da população e de quem nos visita”. Por outras palavras – “Debruçar a cidade sobre o rio que lhe deu a alma”.

 

3. De Oeiras a Valada - Estender a zona ribeirinha fomentado o Turismo de vertente Náutica.

O desenvolvimento do Turismo em Lisboa deverá ter também em conta a região onde a capital está inserida, oferecendo-se desta forma uma maior abrangência e diversidade

de atracções, aliás como também foi assinalado pela Roland Berger, na apresentação do estudo.

O Prof. Carmona, na sua campanha eleitoral para a CML, propunha-se estabelecer um “Pacto Metropolitano” que permitisse às autarquias trabalhar em conjunto, quer nas questões de interface quer no âmbito de projectos abrangentes para a área metropolitana.

A Direcção da ANMPN considera que o rio Tejo deverá ser um elemento facilitador e catalisador deste entendimento, e um dos projectos que deve de forma clara e inequívoca merecer o consenso, será o do aproveitamento de toda a zona ribeirinha, permitindo a promoção do Turismo de Vertente Náutica entre Oeiras e Valada, em pleno respeito pelo meio ambiente e cultura das populações ribeirinhas.
Algumas autarquias banhadas pelo rio Tejo já encetaram programas estruturantes das suas zonas ribeirinhas, nalguns casos com alguns resultados visíveis. Como exemplo, o caso de Oeiras, com o seu porto de recreio e passeio marítimo, Seixal, Montijo, Barreiro e Alcochete, onde foram colocados pontões para acesso a embarcações de recreio, Alhandra e Vila Franca de Xira com pequenas marinas e um passeio marítimo em execução.
A montante de Vila Franca, encontram-se também bons exemplos de reaproximação ao rio, como sejam as infra-estruturas de Salvaterra de Magos, Escaroupim e Valada.

A dinamização da náutica de recreio numa área muito mais alargada da actualmente existente, fortemente concentrada entre Algés e Alcântara, irá proporcionar um crescimento sustentado desta actividade, sem perturbar o funcionamento ou condicionar o desenvolvimento do Porto Comercial de Lisboa.

Para além da proposta e como forma de potenciar todo o programa estruturante de dinamização do turismo de vertente náutica entre Oeiras e Valada,

torna-se necessário assegurar o Assinalamento Náutico entre Vila Franca de Xira e Valada, por forma a garantir condições adequadas de navegabilidade em completa segurança de todo o trajecto, à semelhança do que já foi efectuado no rio Douro, e em vias de concretização para o Sado e Guadiana.

As povoações ribeirinhas que têm vindo a investir nas infra-estruturas náuticas já referidas, deverão funcionar como pólos dinamizadores, onde as componentes “náutica”,

natureza”, “turismo” e “ambiente” terão com certeza um peso muito importante, e contribuirão para um efectivo desenvolvimento e viabilidade de todo um conjunto de actividades económicas, que emergirá com esta recuperação das zonas ribeirinhas.

Uma oferta diversificada, sustentada numa forte componente náutica, é, em nosso entender, factor seguro no desenvolvimento do turismo na área da Grande Lisboa e não só, indo assim ao encontro das intenções amplamente anunciadas mas, quase nunca concretizadas.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN


Aviso de Recepção
Exmo. Senhor/a Direcção da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações
Acusamos a recepção do seu email de 6 de Maio de 2006, que agradecemos.
Obrigado pelo seu contributo - www.tlx10.com.pt -

 

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