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Informações: 2006.04.13

O "Lodo da Expo" - in Jornal Expresso @ 8 de Abril.

A Edição do Jornal Expresso de 08 de Abril, num artigo sobre o afundamento de um Barco Restaurante na Doca do Espanhol (Alcântara) faz uma referência ao "Lodo da Marina da Expo".

No final deste artigo, e em caixa, com o título "Cemitério no Poço do Bispo" o Jornal Expresso faz referência à situação de precariedade e de abandono de outras áreas da Zona Ribeirinha de Lisboa, em particular, a Doca do Poço do Bispo e a Marina da Expo, através do texto que abaixo publicamos para conhecimento dos nossos associados e visitantes do Site.

A Direcção da ANMPN


Cemitério no Poço do Bispo

TRÊS navios encontram-se abandonados há vários anos na doca do Poço do Bispo sem que a Administração do Porto de Lisboa (APL) tenha, até ao momento, decidido retirá-los da água. Um dos barcos está atracado no cais junto a um terminal de extracção de areias e corre o risco iminente de ir ao fundo, com a cabina e o casco totalmente corroídos pela ferrugem e já depois de ter sido totalmente vandalizado, ficando sem vidros nas janelas.

As outras duas embarcações acabaram por naufragar. Uma delas afundou dentro do perímetro da doca, num local de circulação usado por pequenos veleiros e barcos de pesca para atracar. Os outros navegadores tiveram de improvisar, prolongando o mastro com um pau que serve de bóia de sinalização e evita possíveis acidentes para quem não conheça o mapa do fundo da doca.

O caso mais visível e mais falado, no entanto, continua a ser o navio «Ponta Delgada», que está a apodrecer no lodo do rio Tejo há quase cinco anos, desde que começou a adornar. A APL tem argumentado que só poderá desmantelar o navio que fazia as ligações entre as ilhas dos Açores com uma autorização Judicial, mas os tribunais parecem ter esquecido definitivamente o assunto.

O lodo da Expo

Na marina da Expo, no lado sul do Parque das Nações, o cenário está a tornar-se parecido com o cemitério do Poço do Bispo. Já há sinais de ferrugem e de deterioração generalizada nos quatro restaurantes flutuantes que entraram em falência em 2003 e que, no entanto, continuam atracados exactamente como no dia em que fecharam as portas. Com a diferença de, em vez de ainda estarem a flutuar na água, assentarem agora no lodo que assoreou a marina até à superfície.

A Administração da Parque Expo faz parte da nova sociedade da marina e disse ao EXPRESSO que planeia retirar os quatro batelões de uma só vez, aguardando para isso decisões judiciais. Dois dos barcos-restaurantes já são propriedade da Parque Expo - o «Maria La Gorda» e o «Oceano Pacífico» - mas ainda restam outros dois que entraram em contencioso com a empresa que geria a marina. Um deles é o «Titanix», de Luís Represas.

in Jornal Expresso @ 08 de Abril de 2006


Nota da Direcção:

Lamentavelmente, a situação na Marina da Expo caminha a passos largos para uma situação semelhante ao "Cemitério" do Poço do Bispo. Efectivamente, dado o marasmo que tem caracterizado o processo de reabilitação da marina, aliado ao alheamento da situação pelas várias entidades com responsabilidade no local, em particular, a Parque Expo e a Câmara Municipal de Lisboa, a degradação no local tem sido uma constante. Há mais de quatro anos que nem um único grão de areia foi removido do local, e a limpeza dos arredores da marina e do Edifício Nau, só muito recentemente começou a ter lugar, depois das sucessivas reclamações da Direcção ANMPN que têm vindo a ser publicadas neste site.

Quando se olha para as imagens da Marina do Parque das Nações, ou para as imagens da Doca do Poço do Bispo, e seguidamente, se lê o Editorial do Dr. Fontão de Carvalho na Revista de Março do Turismo de Lisboa, chegaremos rapidamente à conclusão que, muito provavelmente não deveremos estar a falar da mesma cidade.

Imaginem, os Turistas que desembarcarem no Terminal de Cruzeiros em Santa Apolónia virem rio acima na zona ribeirinha até ao Parque das Nações, deparando-se com este espectáculo de desleixo e abandono na Capital do País de Marinheiros.

Como será possível estabelecer uma estratégia que privilegie o interesse paisagístico e ambiental nas margens do rio para funções turísticas, o desenvolvimento da actividade marítimo-turística, o fomento do Turismo Náutico e os eventos ligados ao rio, como refere o Dr. Fontão de Carvalho, se na prática, os projectos nesta área eternizam-se, e neste momento, face a tanto marasmo, a única desculpa por parte das entidades com responsabilidade neste locais para o facto de nada terem feito, são as sempre recorrentes «decisões judicias»....?

Como referimos em informação anterior, é fundamental que o TLx10 – Plano Estratégico Turismo de Lisboa 2007-2010 contemple um conjunto de acções na área da reabilitação da zona ribeirinha de Lisboa, com prazos e responsabilidades bem definidas, condição necessária para que qualquer estratégia funcione e produza os resultados esperados. Caso contrário, ficaremos apenas pelos textos cheios de boas intenções, como o Editorial do Dr. Fontão de Carvalho ou o Programa do Governo neste domínio, sem que, efectivamente, nada seja concretizado. Se alguém perguntar porque é que não foi feito, haverá sempre a desculpa das "decisões judiciais" e a culpa morrerá solteira (como sempre) ....!

Estamos cada vez mais na cauda dos principais indicadores da Europa, apenas porque, lamentavelmente, esses são os lugares que nos cabem por "demérito" próprio.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

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