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Informações: 2006.03.12

É tempo de prestar ao mar uma nova atenção
Prof. Cavaco Silva no discurso de tomada de posse como Presidente da República Portuguesa.

(...) “Nesga de terra debruada de mar”, assim qualificou Miguel Torga o nosso Portugal. É tempo de prestar ao mar uma nova atenção. A vasta área marítima sob jurisdição nacional, que nos posiciona como uma grande nação oceânica, ponte natural entre a Europa, a África e a América, encerra potencialidades económicas e um valor estratégico que não podemos ignorar.
O mar, para além do seu significado histórico, constitui, para Portugal, uma enorme oportunidade.
(...)

Prof. Cavaco Silva - Presidente da República

O discurso da tomada de posse de SE o Presidente da República, deu especial ênfase à nossa vocação marítima e atlântica, e apelou a um maior dinamismo, dedicação e persistência na intervenção da sociedade civil.

A Direcção da ANMPN aproveitou a oportunidade do lançamento do novo site da Presidência da República, para deixar a mensagem de correio electrónico que abaixo transcrevemos na íntegra, solicitando o apoio da Presidência da República, no sentido de assegurar maior dinamismo ao Processo de Recuperação da Marina do Parque das Nações, contribuindo assim para terminar de vez com o lamentável e incompreensível estado de desleixo e abandono a que foi votada há mais de quatros anos a única saída para o mar da Expo dos Oceanos, situação que, em nosso entender, é de todo inconciliável com uma estratégia de viragem para o mar.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN


(Mensagem de Correio Electrónico enviada a SE o Presidente da República)

“É tempo de prestar ao mar uma nova atenção”

A Direcção da ANMPN vem através deste meio saudar SE o Sr. Presidente da República, e mostrar-lhe o seu apreço pelas referências que fez no discurso de tomada de posse, sobre a necessidade de prestar uma nova atenção ao mar, em particular, às oportunidades que lhe estão subjacentes para dinamizar a economia do nosso país.

Há cerca de quatro anos que a Direcção da ANMPN luta pelo desenvolvimento do Turismo de Vertente Náutica na bacia do grande Estuário do Tejo, através da criação de um pólo dinamizador centrado na Marina do Parque das Nações, naquela que foi um dos ex-libris da Expo 98 - a Expo dos Oceanos.

Lamentavelmente, após a realização da Expo’98, a marina foi praticamente abandonada. Na verdade, a Soc. Parque Expo 98, SA, não acautelou os interesses do bem público facto que acabou por levar ao seu encerramento em Abril de 2002.

A inadequação do projecto inicial originou um infindável rol de problemas e dificuldades, facto que contribuiu decisivamente ao fecho do porto de recreio e em consequência, de toda a infra-estrutura.

Acresce ao sucedido, a completa ausência de medidas destinadas a amenizar o estado de desleixo e abandono a que o espaço da marina foi votado, clara demonstração de completa insensibilidade e desinteresse pela imagem deplorável que toda a zona apresenta.

Hoje, pode afirmar-se que a Marina do Parque das Nações representa o maior tanque de lama da Europa, ironicamente localizado em local nobre e o mais visitado do país, - Parque das Nações.

E tudo se passa em Lisboa, a capital do “País de Marinheiros” que não possui, neste momento, uma única marina. As infra-estruturas náuticas em funcionamento na cidade, são as docas da APL que face à limitação de serviços, não possuem estatuto de marina.

A Direcção da ANMPN levou por várias vezes ao conhecimento da Presidência da República a situação atrás relatada, dado que, em nosso entender, a péssima imagem que está a ser passada para os visitantes do Parque das Nações (cerca de um milhão por mês) não se coaduna com a estratégia de um Portugal virado para o mar, fazendo por tal jus à sua vocação marítima e atlântica.

Na verdade, o lamentável estado de completo abandono e desleixo da Marina do Parque das Nações, representa a antítese das afirmações de princípio quanto à posição que Portugal deve assumir em relação aos Mares e Oceanos e à excelência e diversidade das suas ofertas turísticas!

Recordamos aqui duas cartas enviadas nos últimos seis meses à Presidência da Republica e cujo conteúdo pode ser acedido através dos respectivos links.

Carta 434 de 26/07/2005:

Carta 444 de 05/09/2005:

Naquilo que tem vindo a ser uma tendência crescente de requalificação urbana a partir da valorização das "waterfronts", consubstanciada num modelo contemporâneo de desenvolvimento das cidades através da "aproximação à água", o actual estado da marina constitui uma mancha negra que urge corrigir, sob pena de ridicularizar quem ousa defender tal princípio.

Assim e face à realidade do exposto, será em nosso entender impensável e totalmente inaceitável a realização no próximo ano da WaterfrontExpo 2007 – na frente ribeirinha do Parque das Nações. Seria uma evidente descredibilização e vergonha para Portugal, para a cidade de Lisboa, e, em última análise, para a própria organização das WaterfrontExpo.

Efectivamente, o que se passa hoje no espaço da Marina do Parque das Nações, é uma clara violação dos Princípios das Waterfronts, em particular o 4º Princípio que refere:

“Waterfronts should celebrate the water by offering a diversity of cultural, commercial and housing uses. Those that require access to water should have priority. Housing neighbourhoods should be mixed both functionally and socially”.

Em vez de celebrar a água e de atribuir adequada prioridade à única saída mar da Expo dos Oceanos consubstanciada na sua marina, a Parque Expo com o consentimento da Câmara Municipal de Lisboa, votaram todo o espaço ao mais completo estado de desleixo e abandono.

Como é que, em nosso entender, SE o Sr. Presidente da República poderá ajudar ?

A Direcção da ANMPN apenas pretende que a Presidência da República revisite o dossier e, se entender conveniente, questione o Governo, a Autarquia de Lisboa, a Parque Expo e a concessionária MPN - Marina do Parque das Nações SA sobre o projecto de recuperação da marina, bem como, se estas entidades estabeleceram ou estão dispostas a estabelecer adequada coordenação a fim de permitir a efectiva recuperação de todo o espaço e que tal ocorra antes da realização da WaterfrontExpo 2007, prevista para Setembro/Outubro do próximo ano.

O Parque das Nações herdou a responsabilidade de perpetuar a realização da Expo 98, a - Expo dos Oceanos. Não o fará decerto com credibilidade, se continuar a “oferecer” a quem o visita e ao mundo, o lamentável e degradante espectáculo “representado de forma sublime” pela sua única saída para o mar, a Marina do Parque das Nações.

Saudações Náuticas,

Manuel Ventura
Presidente da Direcção

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