O Jornal de Notícias fez mais uma vez eco das acções que a ANMPN tem vindo a desenvolver no sentido de chamar à atenção dos responsáveis, para a necessidade de assegurar uma nova dinâmica no Processo de Recuperação da Marina do Parque das Nações.
O artigo abaixo transcrito, mostra bem o interesse que este prestigiado órgão de comunicação social tem revelado pelo dossier da Marina do Parque das Nações, facto que nos apraz registar e agradecer.
A título de exemplo, recordamos a entrevista (clique aqui) que há cerca de dois anos a esta parte o representante da Parque Expo na Presidência do CA da Sociedade Marina do Parque das Nações (MPN) deu a este Jornal, onde era apontada a reactivação da MPN até ao final de 2004. Para trás, ficavam cerca de dois anos de imbróglio jurídico que finalmente tinha sido ultrapassado com a Sentença do Tribunal Comercial de Lisboa de 28 de Julho de 2003.
A expectativa de todas as partes envolvidas era que, tendo sido ultrapassada a parte mais complexa e morosa (imbróglio jurídico), estariam criadas as condições para rapidamente se reactivar a marina.
A Direcção da ANMPN insistiu na altura para que essa reactivação acontecesse até o Verão de 2004, de modo a que a marina estivesse a funcionar durante o Euro2004. No entanto a Parque Expo e a MPN consideraram como mais prudente o final de 2004 como decorre da entrevista do Engº Augusto Norberto.
Passados mais de dois anos sobre a referida entrevista, nem um único grão de areia foi removido do local, e a situação de desleixo e abandono é cada vez mais preocupante.
A triste conclusão que tiramos de toda a situação é que, o denominado imbróglio jurídico foi, ao contrário de todas as expectativas, a parte do processo que decorreu de forma mais célere.
Efectivamente, estamos perante um “case study” que deveria ser analisado pelo Governo, para determinar as causas que fazem com que a capacidade de realização de projectos em Portugal seja, de facto, uma verdadeira lástima.
A análise da amostra - “processo de recuperação da Marina do Parque das Nações” – deverá concerteza apontar para conclusões que permitam melhorar de forma significativa a Qualidade dos projectos em Portugal.
Durante estes quatros anos falaram-nos de estudos e mais estudos, tomadas de decisão que se arrastaram porque aguardavam o “calendário político ou eleitoral mais adequado”, falta de articulação e empenho das entidades envolvidas, responsabilidades partilhadas por várias entidades nunca sendo possível identificar de quem foi a culpa de tantos atrasos e insucessos que invariavelmente prejudicaram o país.
Estamos de facto a viver um período de completa estagnação, onde estranhamente, os interesses do colectivo não são majorados.
Certo é que situações semelhantes, não abonam em nada as instituições, o poder vigente e o próprio país, dando deste uma imagem muito pouco favorável por muito que nos tentem “vender” o contrário, com imagens que nada têm a ver com o país real.
A Marina do Parque das Nações, representa um triste exemplo de desleixo, abandono, incúria, laxismo e desinteresse que grassa um pouco por toda a parte.
Uma nova dinâmica precisa-se para fazer sair Portugal do marasmo em que caiu.
A ANMPN continuará a sua acção em prol de uma causa que em muito ultrapassou os interesses legítimos dos proprietários de postos de amarração.
Saudações Náuticas,
A Direcção da ANMPN
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Degradação da marina inspira postais de Natal - in "Jornal de Notícias @2005.12.12"
Associação Náutica vai desejar boas festas com ironia aos governantes e entidades com responsabilidade na marina que encerrou há três anos Protestos incluem passeio de barco
Jornalista: Telma Roque
Imagens que ilustram o estado de abandono a que foi votado, há mais de três anos, o porto de recreio da Expo vão ilustrar uma série de postais de boas festas, com "mensagens amargas", que a Associação Náutica da Marina do Parque das Nações (ANMPN) vai enviar para governantes, autarcas e demais entidades com responsabilidade sobre o espaço, para contestar o impasse criado em torno da reabertura do porto.
"Os cartões, ao invés de festivos, representam a amargura e a tristeza de um belo e singular local, que por inércia e laxismo das mais variadas entidades continua em insuportável e intolerável agonia", avançou, ao JN, Manuel Ventura, presidente da ANMPN.
Segundo este responsável, as mensagens escritas nos postais são pensamentos de várias figuras sobre o rio Tejo, caso de José Manuel Fernandes e Maurício de Abreu. "Recordação, saudade, memória (mal tratada) é o que resta de um rio cheio de história a quem Lisboa tanto deve", é um desses exemplos. "Os rios foram artérias que vivificaram a nação, hoje viram-lhe as costas", é outra mensagem inscrita num postal.
"O maior tanque de lama"
A ironia impressa nos postais de boas festas constitui também um apelo "A recuperação efectiva da marina, devolvendo-lhe a dignidade, alegria e animação de outrora, para que esta possa assumir o seu papel como pilar estruturante do projecto global do Parque das Nações - a "Waterfront" resultante da Expo dos Oceanos".
Ao mesmo tempo que preparam os postais desejando um "Santo Natal" aos destinatários, pensam organizar um passeio de barco em redor daquilo que chamam o "maior tanque da lama da Europa", para mostrar o actual panorama da zona.
Os postais de Natal vão juntar-se a centenas de outras cartas enviadas nos últimos três anos a dezenas de entidades. Segundo Manuel Ventura, o número de missivas entregues, sem contar com os postais, ultrapassa o meio milhar. Direcção-Geral do Turismo, Secretaria de Estado do Turismo e dos Assuntos do Mar, primeiro-ministro, Ministério do Ambiente, Câmara de Lisboa e Parque Expo constam do longo rol de destinatários.
Manuel Ventura assegura que o problema nem é a falta de resposta às cartas, mas a falta de soluções, um facto que considera "estranho e bizarro". Como a aprovação do projecto onde se inclui a reactivação da marina está pendente nos gabinetes e as obras necessárias ao funcionamento do porto obrigam a meses de trabalho, ainda não será em 2006 que os barcos regressam ao Parque das Nações, teme Manuel Ventura.
A recente visita do ministro do Ambiente ao stand da Parque Expo no Salão Imobiliário de Lisboa, Parque das Nações, onde a questão da marina foi ignorada, indignou a Associação Náutica. "A Parque Expo, como responsável pelo espaço, poderia ter aproveitado a ocasião para sensibilizar o ministro. O esquecimento não é inocente, já que tem culpas no cartório", diz Manuel Ventura.
Vergonha junto ao casino
O facto de não ser pacífico o projecto apresentado à autarquia pode arrastar ainda mais o problema. Carmona Rodrigues visitou a marina, durante a campanha eleitoral, tendo alertado que projectos com componentes construtivas não seriam aprovados. Apesar disso, mostrou-se disponível para encontrar soluções.
"Ainda por cima, vai ser inaugurado com pompa, dentro de poucos meses, o casino (no ex-pavilhão do Futuro). A 600 metros, terá uma marina naquela vergonha. Poderia ser um complemento importante para o turismo", argumenta.
Cronologia
02/05/2002
Constituição da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações, para fomentar o convívio entre utentes e defender os direitos dos que tinham comprado postos de amarração. Desde Outubro de 2001 que os bens do porto estavam arrestados por ordem judicial devido à falência da concessionária, que deixou avultadas dívidas a vários credores.
19/05/2002
Saída conjunta das embarcações do plano de água da bacia norte, conforme condição prevista no acordo celebrado entre a associação náutica e a Parque Expo. Esta última paga desde então os custos da deslocação das embarcações para outros portos.
28/07/2003
Credores da MarinaExpo aprovam por maioria, no Tribunal do Comércio de Lisboa, uma proposta de recuperação da empresa. O grosso dos credores aceita transformar os créditos em capital. A Parque Expo assume o compromisso de reiniciar as obras necessárias para o funcionamento do porto de recreio. A nova concessionária - Marina do Parque das Nações SA - será financiada pelo BCP e BBVA. Os dois bancos e a Parque Expo são os maiores accionistas.
30/12/2004
Divulgadas as primeiras intenções do Plano de Desenvolvimento Estratégico da Marina. A redução dos postos de amarração e o aumento, para o triplo, da capacidade construtiva reacendem a polémica com os utentes e moradores da zona. O projecto já deu entrada na Câmara, para apreciação, mas o presidente já deu a entender que não dará aval a tanta construção.
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