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Informações: 2005.10.22
Gestão do Recinto da Parque Expo passa para a Câmara Municipal de Lisboa. O Presidente da CML quer marina reabilitada.

A Câmara Municipal de Lisboa e a Sociedade Parque Expo assinaram, no dia passado 18 de Outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, um Protocolo que tem por objectivo estabelecer os termos e condições em que se procede ao pagamento do valor em dívida do Município à Parque Expo, resultante de intervenções desta empresa e seus acessos. Presentes na cerimónia estiveram Carmona Rodrigues, presidente da autarquia, e Rolando Borges Martins, presidente do Conselho de Administração da Sociedade Parque Expo.

Os pormenores deste protocolo podem ser obtidos através das notícias que, sobre o assunto foram publicadas nos Sites da Câmara Municipal de Lisboa e da Sociedade Parque Expo'98,SA.

Este acordo, foi igualmente divulgado pela comunicação social. Reproduzimos aqui as declarações produzidas respeitantes à temática da Marina, proferidas pelos dois protagonistas do acordo celebrado.

Crédito da CML
  • Carmona quer marina reabilitada
    (...) O presidente do município salientou ainda que "a Marina do Parque das Nações, actualmente desactivada, deve ser reabilitada no mais curto espaço de tempo".
    - in Metro @ 19 de Outubro 2005 -

  • Carmona Rodrigues garantiu "a todos os moradores e comerciantes do Parque das Nações que a Câmara de Lisboa se irá empenhar para manter e até melhorar o nível de serviço urbano que tem sido prestado na zona pela Parque Expo", desde 1998. Indefinido está ainda o futuro de três dezenas de trabalhadores da Parque Expo que se encarregam pela gestão de trânsito no recinto, disse Rolando Borges Martins, adiantando que "também falta definir quando serão efectuadas e quem pagará as obras para reabilitar a marina do Parque das Nações".
    - in Diário de Notícias @ 19 de Outubro 2005 -

Nota da Direcção:

As afirmações anteriores deixam-nos, como é natural, com alguma apreensão.

No final de um acordo entre duas entidades, o discurso de um dos protagonistas refere que pretende "a marina reabilitada no mais curto espaço de tempo" e o outro refere que "falta definir quando serão efectuadas e quem pagará as obras para reabilitar a marina". Será assim legítimo perguntar, porque é que a questão da Marina não ficou desde já acautelada no acordo, visto que, quer o Professor Carmona quer o Dr. Rolando Martins assumiram recentemente a responsabilidade de desbloquear o Projecto de Recuperação da Marina a breve prazo. Vejam-se as declarações do Prof. Carmona na visita que efectuou à Marina durante a Campanha Eleitoral e as afirmações do Dr. Rolando Martins na Reunião com a Direcção da ANMPN.

Note-se que em Abril de 2004 o CA da Parque Expo informou o Secretário Estado de Turismo que:

(...) a nova concessionária foi dotada de meios operacionais a fim de desenvolver um estudo e caracterização de condicionantes e potencialidades e elaborar um plano de desenvolvimento estratégico com a perspectiva de rapidamente retomar a actividade e criar condições para o regresso de embarcações à Marina, previsto para o final de 2004.

Um ano e meio depois desta afirmação, ou sejam, 18 longos meses sem que um único grão de areia tivesse sido removido do local ou encetada qualquer outra medida para travar o estado de degradação permanente daquele espaço, vem o CA da Parque Expo afirmar que:

(...) falta definir quando serão efectuadas e quem pagará as obras para reabilitar a marina.

Esta aparente contradição, sugere-nos o início de um novo episódio de uma mesma "novela", com um estranho e complexo enredo, que em termos práticos traduzir-se-á em prolongar, sem termo, a agonia da MARINA DO PARQUE DAS NAÇÕES.

Efectivamente, não tem sentido vir afirmar publicamente que "falta definir..." sem referir quando é que essa definição vai ser efectuada, e quem serão as entidades responsáveis por estabelecer essa definição. Sempre que se estabelece um objectivo, neste caso "Reabilitar a Marina", deve-se definir também a respectiva "Milestone" em que esse objectivo será concretizado. A Direcção da ANMPN avançou com uma proposta de reabertura da Marina no Verão de 2006, objectivo que, tendo em conta o que está previsto no planeamento do projecto, é perfeitamente concretizável. Para tal, torna-se apenas necessário que exista vontade política por parte do Governo, da Parque Expo e da CML, em estabelecer esse acordo de viabilização em tempo útil. Se entramos novamente no ciclo dos "estudos, novos estudos e mais estudos..." como aconteceu nos últimos dois anos com a Sociedade MPN, nunca mais teremos marina.....!

Por outro lado, quando se publicam notícias referindo que a frente ribeirinha de Lisboa foi considerado um dos 12 Case Studies presentes em Riga na Conferência das Waterfronts , e que a edição de 2007 desta Conferência realizar-se-á em Lisboa onde, segundo a organização, a espectacular frente ribeirinha do Parque das Nações será o assunto dominante, fica-se com a dúvida se estaremos, de facto, a falar do mesmo local...! A situação presente da marina do Parque das Nações e dos seus espaços envolventes corresponde exactamente à antítese do que está estabelecido nos Princípios das Waterfronts.

O marasmo que caracteriza a concretização dos projectos de reabilitação em Portugal como aqui ficou bem demonstrado, evidencia que os baixos níveis de produtividade que rotulam neste momento o nosso país, estão lamentavelmente presentes em todos os níveis de gestão..! Estamos, na verdade, numa depressão profunda...

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

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