No final de um acordo entre duas entidades, o discurso de um dos protagonistas refere que pretende "a marina reabilitada no mais curto espaço de tempo" e o outro refere que "falta definir quando serão efectuadas e quem pagará as obras para reabilitar a marina". Será assim legítimo perguntar, porque é que a questão da Marina não ficou desde já acautelada no acordo, visto que, quer o Professor Carmona quer o Dr. Rolando Martins assumiram recentemente a responsabilidade de desbloquear o Projecto de Recuperação da Marina a breve prazo. Vejam-se as declarações do Prof. Carmona na visita que efectuou à Marina durante a Campanha Eleitoral e as afirmações do Dr. Rolando Martins na Reunião com a Direcção da ANMPN.
Note-se que em Abril de 2004 o CA da Parque Expo informou o Secretário Estado de Turismo que:
(...) a nova concessionária foi dotada de meios operacionais a fim de desenvolver um estudo e caracterização de condicionantes e potencialidades e elaborar um plano de desenvolvimento estratégico com a perspectiva de rapidamente retomar a actividade e criar condições para o regresso de embarcações à Marina, previsto para o final de 2004.
Um ano e meio depois desta afirmação, ou sejam, 18 longos meses sem que um único grão de areia tivesse sido removido do local ou encetada qualquer outra medida para travar o estado de degradação permanente daquele espaço, vem o CA da Parque Expo afirmar que:
(...) falta definir quando serão efectuadas e quem pagará as obras para reabilitar a marina.
Esta aparente contradição, sugere-nos o início de um novo episódio de uma mesma "novela", com um estranho e complexo enredo, que em termos práticos traduzir-se-á em prolongar, sem termo, a agonia da MARINA DO PARQUE DAS NAÇÕES.
Efectivamente, não tem sentido vir afirmar publicamente que "falta definir..." sem referir quando é que essa definição vai ser efectuada, e quem serão as entidades responsáveis por estabelecer essa definição. Sempre que se estabelece um objectivo, neste caso "Reabilitar a Marina", deve-se definir também a respectiva "Milestone" em que esse objectivo será concretizado. A Direcção da ANMPN avançou com uma proposta de reabertura da Marina no Verão de 2006, objectivo que, tendo em conta o que está previsto no planeamento do projecto, é perfeitamente concretizável. Para tal, torna-se apenas necessário que exista vontade política por parte do Governo, da Parque Expo e da CML, em estabelecer esse acordo de viabilização em tempo útil. Se entramos novamente no ciclo dos "estudos, novos estudos e mais estudos..." como aconteceu nos últimos dois anos com a Sociedade MPN, nunca mais teremos marina.....!
Por outro lado, quando se publicam notícias referindo que a frente ribeirinha de Lisboa foi considerado um dos 12 Case Studies presentes em Riga na Conferência das Waterfronts , e que a edição de 2007 desta Conferência realizar-se-á em Lisboa onde, segundo a organização, a espectacular frente ribeirinha do Parque das Nações será o assunto dominante, fica-se com a dúvida se estaremos, de facto, a falar do mesmo local...! A situação presente da marina do Parque das Nações e dos seus espaços envolventes corresponde exactamente à antítese do que está estabelecido nos Princípios das Waterfronts.
O marasmo que caracteriza a concretização dos projectos de reabilitação em Portugal como aqui ficou bem demonstrado, evidencia que os baixos níveis de produtividade que rotulam neste momento o nosso país, estão lamentavelmente presentes em todos os níveis de gestão..! Estamos, na verdade, numa depressão profunda...
Saudações Náuticas,
A Direcção da ANMPN