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“Um pouco mais de Sol e um pouco mais de Azul” para a Marina do Parque das Nações.
Na sequência da Carta recebida do Sr. Primeiro Ministro, onde foi referido que a Proposta da ANMPN para abertura da Marina no próximo Verão tinha sido despachada para o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional e para o Ministério da Economia e Inovação, a Direcção da ANMPN decidiu enviar a estes ministérios a Carta que abaixo se transcreve na íntegra.
O conteúdo da missiva ora enviada pretende chamar à atenção do Governo para a janela de oportunidade que se apresenta, tendo em conta que todas as entidades necessárias à elaboração do "Protocolo Público" para por em marcha o Projecto de Recuperação da Marina do Parque das Nações já manifestaram publicamente a sua concordância, faltando mesmo "um pouco mais de Sol e um pouco mais de Azul". Com os 10 meses previstos para a obra, teremos concerteza marina no próximo Verão, se os nossos políticos, esquecendo o que os separa, forem capazes de se sentarem à mesma mesa e trabalharem em conjunto em prol do país e do povo que os elegeu.
A Direcção da ANMPN
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Exmo.s Senhores,
Prof. Francisco Carlos da Graça Nunes Correia
Digmo. Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional
e
Prof. Manuel António Gomes de Almeida de Pinho
Digmo. Ministro da Economia e da Inovação
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Com conhecimento de:
Presidente da República,
Primeiro Ministro
Câmara Municipal de Lisboa (Presidente e Vicepresidente)
Parque Expo,SA (Presidente do Conselho de Administração)
Data: 2005.09.05
Assunto: “Um pouco mais de Sol e um pouco mais de Azul” para a Marina do Parque das Nações.
Excelência,
No passado dia 26 de Julho enviámos uma carta a Sua Excelência o Primeiro Ministro, à Câmara Municipal de Lisboa e à Parque Expo,SA , intitulada “Como assegurar a abertura da Marina do Parque das Nações no Verão de 2006“, na qual esta Direcção procurou chamar à atenção para o estado de desleixo e abandono em que se encontra há mais de três anos a Marina do Parque das Nações, bem como dos argumentos que, em seu entender, justificariam o envolvimento dessas entidades em torno de uma estratégia comum, que permitisse de uma vez por todas assegurar o desbloqueamento do processo de recuperação e a efectiva concretização da obra até ao próximo Verão de 2006.
Em ofício datado de 8 de Agosto p.p. (Anexo I), o Sr. Primeiro Ministro informou-nos ter despachado a nossa carta para os Ministérios que V.s Ex.as dirigem, facto que nos levou à elaboração da presente missiva e para a qual solicitamos adequada reflexão.
Num discurso recente o Sr. Primeiro Ministro, parafraseando o poeta Mário de Sá Carneiro, afirmava que em Portugal a concretização de muitos projectos passa apenas pela necessidade de “um pouco mais de Sol e um pouco mais de Azul”. Em nosso entender, este pensamento do poeta e a analogia efectuada pelo Sr. Primeiro Ministro, aplica-se em toda a sua plenitude ao Projecto de Recuperação da Marina do Parque das Nações. Senão vejamos:
- O novo Conselho de Administração da Parque Expo’98,SA, em reunião com a Direcção da ANMPN realizada no passado mês de Julho, afirmou ter definido como uma das suas prioridades, a resolução definitiva do dossier Marina do Parque das Nações;
- O Prof. Carmona Rodrigues, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em visita recente ao Parque das Nações, afirmou que a marina requer uma solução tão rápida quanto possível, suportada num protocolo público, para o qual se exige o consenso das várias entidades envolvidas e com responsabilidade no local. Referiu ainda que, em seu entender, a responsabilidade da tomada desta iniciativa cabe à Parque Expo,SA.
A conclusão que nos parece óbvia do que atrás foi referido, é que estará nas mãos do Governo, nomeadamente, no Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional e no Ministério da Economia e da Inovação, dar “o pouco mais de Sol e o pouco mais de Azul” que falta a todo este processo, para que o “protocolo” se concretize e a obra arranque.
A tragédia dos incêndios tem levado a reflexões constantes sobre as suas causas e as melhores práticas para os prevenir e combater.
No capítulo da “Prevenção”, a manutenção dos arredores das habitações limpos e cuidados, parece ser até agora uma das medidas de consenso e já se fala, inclusive, em aplicá-la de forma coerciva.
No entanto, face à extensão do território, nenhuma medida legislativa produzirá efeito se não for acompanha de uma mudança de cultura, que conduza a atitudes diferentes das pessoas na sua forma de estar perante a sociedade e o ambiente que as rodeia.
Em nosso entender, é importante manter os arredores limpos, cuidados e asseados,
- porque só se é feliz quando se vive em paz e em perfeita harmonia com o ambiente que nos rodeia,
- porque somos um país cujas receitas dependem em grande parte do Turismo e é por demais importante mostrarmos a quem nos visita o cuidado e zelo que mantemos com tudo aquilo que nos rodeia,
- e na “época de incêndios”, passaremos a estar mais defendidos, porque a manutenção dos arredores limpos e devidamente arranjados, passará a ser uma preocupação permanente e não pontual e emergente.
O Parque das Nações é desde há algum tempo a esta parte o local mais visitado de Portugal. Surpreendentemente, quer a Marina do Parque das Nações quer toda a zona envolvente, encontram-se há mais de três anos no mais completo estado de desleixo, abandono e ausência de limpeza.
Muitos dos milhões de visitantes do Parque das Nações ficam indignados com o estado de degradação de todo o local. Nem mesmo a realização do Euro2004, que teve o seu Press Center no Pavilhão Atlântico (junto à Bacia Norte), foi motivo para que as entidades responsáveis pelo local fizessem algo para amenizar a péssima imagem que o mesmo apresentava e que decerto foi passada para o exterior
- Como será possível caminhar-se para a mudança de cultura atrás referida, se o próprio Governo permite que situações de desleixo, abandono e ausência de limpeza ocorram no local mais visitado do país?
- Que legitimidade terá o Governo e Autarquias para agirem coercivamente sobre as pessoas e entidades que não fazem manutenção cuidada dos seus bens, se nos locais sob a sua responsabilidade - domínio público - se verificam situações como a na presente descrita?
É impossível dar “banhos de civismo” com um Estado assim, onde proliferam os maus exemplos, mesmo no local mais visitado do país como é o caso em apreço!
Estamos profundamente convictos que V.Ex.ª não perderá a oportunidade de conceder ao Projecto de Recuperação da Marina do Parque das Nações, infra-estrutura impar e de rara beleza, “ o pouco mais de Sol e o pouco mais de Azul “ que lhe falta para que a marina possa vir a ser uma realidade no próximo Verão.
Há mais de três anos que, infelizmente, a cor predominante na Marina do Parque das Nações tem sido o cinzento da agonia, da tristeza e do desleixo, atraiçoando o lema da Expo’98 e a dignidade da “Cidade Imaginada”, não passando de uma grande mancha negra na capital do país que escolheu como desígnio nacional o mar e os oceanos! (vide Anexo II)
Saudações Náuticas,
Manuel Ventura,
Presidente da Direcção
Anexo I Carta do Sr. Primeiro Ministro
Anexo II Um pouco mais de Sol e um pouco mais de Azul para a Marina do Parque das Nações.
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