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Marina do Parque das Nações – “À deriva no mar do desinteresse...!”
A Direcção da ANMPN escreveu mais uma vez à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Por muito caricato que pareça, depois dos extensivos estudos efectuados pela actual concessionária e que se prolongaram por todo o ano de 2004, há cerca de três meses que o processo entrou novamente em "banho maria", aguardando disponibilidade da Presidência da Câmara Municipal de Lisboa para a sua apresentação e discussão.
De facto, o processo de recuperação da Marina do Parque das Nações parece estar condenado a ser o exemplo vivo do marasmo que caracteriza uma parte significativa dos projectos em Portugal, que se arrastam muito para além daquilo que seria considerado aceitável, com evidente desperdício de recursos e uma lamentável perca de oportunidades.
Face ao actual quadro executivo da CML a Direcção da ANMPN entendeu como conveniente endereçar a carta hoje publicada no nosso site, dirigida não só à Presidência da CML (Dr. Pedro Santana Lopes) como à Vice-Presidência (Engº António Carmona Rodrigues) no sentido de não corrermos o risco de falhamos no interlocutor, já que desconhecemos em absoluto quais os "pelouros" e responsabilidades de cada um.
A Direcção da ANMPN
Exmo Senhor
Dr. Pedro Santana Lopes
Digmo. Presidente da
Câmara Municipal de Lisboa
Praça do Município
1149 – 014 LISBOA
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Exmo Senhor
Engº António Carmona Rodrigues
Digmo. Vice - Presidente da
Câmara Municipal de Lisboa
Praça do Município
1149 – 014 LISBOA |
Assunto: Marina do Parque das Nações – “À deriva no mar do desinteresse...!”
Ao longo dos últimos três anos, a nossa associação tem vindo a endereçar várias cartas, exposições e pedidos de audiência à Câmara Municipal de Lisboa, alertando para a precariedade da situação em que se encontra a Marina do Parque das Nações e todo o espaço envolvente. Lamentavelmente, nenhuma mereceu até à presente o superior interesse dessa Câmara, a julgar pela ausência de respostas.
Porque entendemos não ser possível a continuação do evidente alheamento face ao insustentável estado de completo abandono e desleixo que toda a área da marina apresenta, local inserido na zona mais visitada de Lisboa - o Parque das Nações -, tomamos a liberdade de juntar à presente algumas fotografias representativas do miserável abandono a que todo este local foi votado, situação “testemunhada” mensalmente por cerca de um milhão de visitantes, de acordo com as últimas estatísticas do Turismo de Lisboa!
Não compreendemos a apatia dos responsáveis directos – Parque Expo e Sociedade Marina do Parque das Nações SA - e indirectos – Governo e Autarquias - que concerteza com uma intervenção coordenada e empenhada, poderiam ter já concretizado todo o processo de recuperação da infra-estrutura em apreço.
Efectivamente, desde o passado mês de Fevereiro e após um ano de apurados estudos, a nova concessionária afirma ter concluído o projecto de viabilização da marina. No entanto, afirma, continuar a aguardar disponibilidade da Presidência da Câmara Municipal de Lisboa para apresentação e discussão das linhas de força desse projecto. A ausência de disponibilidade por parte da presidência da CML tem vindo a provocar novo arrastamento de todo o processo de recuperação, contribuindo assim para o agravamento da degradação do local e eternização do problema.
| Estávamos convencidos que, pela atenção que o Sr. Eng.º Carmona Rodrigues dedicou ao lançamento da 4ª edição do Roteiro da Costa de Portugal - Marinas e Portos de Recreio do Continente - durante a edição da Nauticampo 2005, que esta questão seria abordada com o maior dos empenhamentos. |
Ao que parece, estávamos completamente enganados.....!
Em nosso entender, é completamente inaceitável a manutenção do actual estado da marina. Os compradores lesados, representados pela nossa associação, a náutica de recreio, o turismo, a cidade e o país, “exigem” o início das obras conducentes à retoma de toda a actividade náutica, invertendo assim o ciclo de abandono e desleixo em que todo aquele espaço mergulhou.
Não cremos possível que a C.M.L. permita ter na sua cidade, uma infra-estrutura fundamental como a Marina do Parque das Nações, no mais completo estado de degradação, desleixo, fruto da incúria e abandono de quem de direito.
A realização da Expo 98 não só permitiu a recuperação de toda uma zona altamente degradada da cidade como proporcionou visibilidade mediática à epopeia dos descobridores e navegadores portugueses. Foi inclusive denominada “a Expo dos Oceanos” ! Nada mais absurdo e dramático, ver a única saída para o mar da “Expo dos Oceanos”, no mais completo estado de abandono.
Não tendo a nossa associação conseguido sensibilizar por palavras os diversos órgãos de soberania, incluindo governo e autarquias, entidade cedente – Parque Expo - e concessionária – Marina Parque das Nações - , decidiu expressar em imagens a sua indignação pelo evidente desinteresse que toda a situação representa para quem de direito, na expectativa que “...as imagens valham mais que 1000 palavras “.
Mal de um país que não cuida do que é seu, que pela imagem que actualmente apresenta, fere o orgulho de uma nação.
O país dos marinheiros, dos descobridores, dos oceanos, dos mares, da excelência, do turismo de qualidade e diversidade, continua a ignorar o vergonhoso estado da Marina do Parque das Nações e o que ela representa como elemento estruturante para a concretização do projecto global “Parque das Nações”, a cidade imaginada, zona escolhida como imagem de marca da cidade de Lisboa, capital do Portugal moderno e dinâmico !
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente Direcção
Anexo à Carta (fotografias do estado da Marina): (clique aqui)
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