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Reabertura da Marina do Parque das Nações vai custar 25 milhões - "in Semanário Económico, 30 de Dezembro 2004"
A Edição do Semanário Económico de 30 de Dezembro p.p., traz inserida uma entrevista ao Presidente do CA da MPN - Dr. Fernando Antunes - sobre o processo de recuperação da Marina que, pelo seu interesse, abaixo reproduzimos na íntegra. O artigo é da autoria da Jornalista Maria Ana Barroso.
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Chamamos à atenção para a Nota da Direcção da ANMPN, incluída na parte final do artigo, onde é evidenciada a inversão de valores que o arrastamento deste projecto de recuperação tem conduzido, onde cada vez há mais "betão" e menos "marina", num País que escolheu o mar como desígnio nacional! |
Reabertura da Marina do Parque das Nações vai custar 25 milhões.
Operacionalidade prevista para final de 2005
Após cerca de cinco anos de paralisação e quase sete sobre a Expo 98, o novo projecto para o porto de recreio do Parque das Nações prevê uma redução drástica dos postos de amarração, face ao inicialmente previsto, uma área de construção três vezes maior e uma marina "semi-fechada", que ocupará apenas uma das bacias que compunham o projecto.
A história da Marina do Parque das Nações é tão longa como a da Expo'98. Quase sete anos passaram sobre o evento e o mesmo tempo passou já também sem que o Parque das Nações visse de facto avançar uma das infra-estruturas que integrava o projecto de reabilitação da área do recinto da exposição mundial. Uma marina, cuja concessão foi atribuída ainda em 1996, mas que esteve operacional apenas durante alguns meses, acabando por ser encerrada. Hoje o cenário é desolador: estabelecimentos comerciais e de restauração encerrados e nem um sinal de embarcações na costa.
O novo prazo para a reabertura do porto de recreio, com cerca de 200 postos de amarração e perto de 18 mil m2 de capacidade construtiva acrescida, é agora o final de 2005. Uma previsão "optimista", admite Fernando Antunes, presidente da Sociedade Marina do Parque das Nações.
2004 era data inicialmente prevista para reabertura
Num comunicado divulgado em Janeiro, a administração da Marina do Parque das Nações anunciava a preparação de um "Plano de Desenvolvimento Estratégico". E estimava que até ao final deste ano a marina estivesse operacional, prevendo até o regresso, ainda em 2004, "de algumas dezenas de embarcações". 2004 acabou, no entanto, por não ser o ano de reconstrução da Marina do Parque das Nações.
A sociedade Marina do Parque das Nações irá investir perto de 25 milhões de euros para recuperar a marina e tornar o projecto economicamente viável.
De acordo com o presidente da sociedade, a solução para o projecto, ainda não totalmente definida, deverá passar pela dragagem e colocação de comportas que darão origem a uma marina "semi-fechada", devido às elevadas taxas de assoreamento registadas. Pôr a marina operacional implicará um investimento calculado em 7,1 milhões de euros. Independentemente da solução adoptada, das duas bacias que inicialmente compunham a marina, apenas a Bacia Sul irá albergar embarcações. A Bacia Norte será utilizada para "actividades lúdicas associadas ao plano de água", como vela.
Novo porto de recreio terá o triplo da capacidade
Tornar o projecto viável financeiramente passa ainda por aumentar a sua capacidade construtiva, de forma a conseguir mais receitas, nomeadamente de rendas pagas por quem ocupar os edifícios construídos. O objectivo é que o projecto imobiliário criado na nova área seja de "interesse público" e por isso não vai ser entregue a entidades privadas.
O plano para a marina prevê, assim, o aumento da sua capacidade construtiva dos 7.147 m2 para os 25.000 m2. Para tal será ainda preciso que a Câmara Municipal de Lisboa aprove um plano director para a "nova" marina.
Está prevista a construção de 200 postos de amarração, que permitirão garantir o regresso das embarcações que haviam já comprado postos (cerca de 140) e a comercialização de mais alguns. O projecto inicial previa a construção de 1100. Antes do seu encerramento, após a Expo 98, a marina tinha 600 construídos e apenas 140 vendidos.
Uma história com quase sete anos |
Em 1996, resultado de um concurso internacional, foi atribuída à Marinaexpo a concessão da exploração do porto de recreio do Parque das Nações.
Na altura ficou definido que caberia à Parque Expo a construção dos molhes exteriores da marina. Erros na concepção e construção das infra-estruturas, a destruição dos molhes flutuantes nos temporais de Inverno de 1998 e o assoreamento (obstrução por areias) das duas bacias para embarcações levaram à quase paralisação da Marina, depois de um curto período de funcionamento, durante a Expo 98.
Seguiu-se um longo processo judicial, com troca de acusações entre a Parque Expo e a concessionária MarinaExpo.
O resultado foi a paralisia do porto de recreio, com a saída das embarcações que já tinham posto de amarração na marina, o fecho de estabelecimentos comerciais e de restauração, e milhões de euros de prejuízo e dívidas.
O passivo com que teria ficado a concessionária MarinaExpo chegou a estar calculado em 26 milhões de euros mas terá ficado, afinal, em perto de nove milhões de euros.
A gestão da marina acabaria por ficar nas mãos dos principais credores da concessionária inicial do empreendimento, a construtora espanhola Europroject.
Resultado de um complicado processo judicial, a nova sociedade, a Marina do Parque das Nações, passaria a ser detida em 41% pelo Millennium BCP, em 28% pela Agrupación Guinovart, em 16% pela Parque Expo e em 12% pelo IPG. |
in "Semanário Económico" @ 2004.12.30
Nota da Direcção da ANMPN:
Foi com incontida surpresa e indignação, que tomámos conhecimento através do jornal “Semanário Económico” das intenções de projecto já delineadas pela concessionária Marina do Parque das Nações para todo o espaço do porto de recreio.
Face ao teor do artigo e das declarações do Presidente do C.A. Dr. Fernando Antunes, consideramos imperiosa a publicação da presente Nota da Direcção, sem embargo de nos dirigirmos por carta ao C.A. da Marina do Parque das Nações SA, bem como desenvolvermos um conjunto de contactos e de acções na defesa do projecto Marina do Parque das Nações, já que, a julgar pelo artigo, o Projecto de Recuperação da marina, passou a ser, Projecto de CONSTRUÇÃO na zona da Marina do Parque das Nações .
A conduta de rigor e verdade, a defesa dos legítimos interesses de todos os proprietários e a credibilização do processo de recuperação da Marina do Parque das Nações, não nos permitem indiferença perante as intenções manifestadas no citado artigo.
Efectivamente reduzir os postos de amarração (de 1.100 para 200), é subverter a finalidade de todo o projecto do porto de recreio da Marina do Parque das Nações. É criar legitimas e fundadas desconfianças quanto à verdadeira intenção da concessionária.
Tendo em conta que cerca de 150 lugares estão já cativados pelos contratos estabelecidos, significa que os restantes destinar-se-ão apenas a receber embarcações visitantes, não existindo qualquer contributo para a comercialização de lugares numa altura em que as Marinas da APL “rebentam pelas costuras” .
Por outro lado, o elevado número de contactos que têm sido recebidos na ANMPN, fundamentalmente de moradores da zona do Parque das Nações que adquiriram as suas habitações na expectativa de virem utilizar a marina, mostra bem que a procura existe, e que este projecto praticamente vocacionado para o “betão” a concretizar-se, constituirá uma ferida grave no Projecto do Parque das Nações, - a Cidade Imaginada!
Sempre acreditámos que este seria o ano da reconciliação e da união efectiva de esforços, na defesa de um projecto que em muito valorizaria o Parque das Nações, o rio e toda a frente ribeirinha. Ao que parece, pelo conteúdo do presente artigo, não podíamos estar mais enganados !
A julgar pelas declarações do Presidente do C.A. da Marina do Parque das Nações, os barcos, a actividade náutica, serão meros instrumentos de decoro, um meio para atingir determinado fim, um mal necessário....!
Em nosso entender, não faz qualquer sentido gastarem-se avultadas verbas para criar 200 postos de amarração num local que alberga em conforto e segurança 400/500 embarcações, sem que para tal o investimento na infra-estrutura seja significativo relativamente ao valor global da obra de recuperação .
Intenções inconfessas e fins que não sejam a recuperação do espaço náutico e a sua dinamização, são motivo de preocupação para a nossa associação. Nesse sentido, e porque em nosso entender, a ampliação da área de construção no local só faz sentido se a mesma for efectuada de forma sustentada, ou seja, recuperando o polo de animação náutica que contribua para perpetuar o lema da Expo’98 – “os oceanos” - e dinamizar as zonas ribeirinhas da bacia do Tejo, a Direcção da ANMPN vai de imediato envidar todos os esforços para combater esta opção do projecto de recuperação, assente na redução drástica do n.º de lugares na marina.
A Direcção da ANMPN
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