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Informações:2004-12-05

Direcção da ANMPN  escreve, mais uma vez, ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa sobre a “eternização”  do Processo de Recuperação da Marina

A Direcção da ANMPN enviou mais uma Carta ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, cujo conteúdo abaixo se transcreve na íntegra para conhecimento de todos os associados.


Exmo Senhor
Engº António Carmona Rodrigues
Digmo. Presidente da
Câmara Municipal de Lisboa

Lisboa, 30 de Novembro de 2004

Assunto: Marina do Parque das Nações

Exmo Senhor Presidente

A Marina do Parque das Nações, representa quanto a nós, a antítese das afirmações, decerto bem intencionadas, dos mais diversos responsáveis governamentais a autárquicos.

“É tempo do mar, é tempo dos oceanos, é tempo do turismo inovador e de qualidade”.

Por tudo o que se afirma e promete, não é compreensível que um país que definitivamente “acolheu” o mar, os oceanos e a diversificação da oferta turística como desígnios nacionais e forma de incremento dos fluxos turísticos fora das épocas normais –primavera/verão -, permita que a sua capital, continue com o que deveria ser o seu principal porto de recreio, no mais completo estado de abandono.

Efectivamente a Marina do Parque das Nações pela sua soberba localização, permite desfrutar a quem a demanda, um conjunto invulgar e único de infra-estruturas e simultaneamente, ser o ponto de partida para as mais diversas práticas e visitas.

Afirma-se:

  • “Portugal deve ao mar a sua melhor da sua herança”.
  • “Portugal deve jogar o seu futuro, no mar, no turismo diversificado, contrariando a sazonalidade com ofertas atractivas e inovadoras, desenvolvendo assim e ainda mais a economia do turismo”.
  • “... o Tejo deve ser visto como o centro de uma cidade, sediada nas duas margens. O rio é a estrada que já está feita. Vamos usá-la ! “ .

Pretende-se assim, que Portugal assuma a consolidação de uma imagem de qualidade e modernidade, reforçando a sua posição como um dos destinos turísticos mais importantes do mundo. Definiu-se a “Marca Portugal Turismo” como uma estratégia e objectivo de aumentar a atractividade do país.

Na “Marca–País” a que é associado o turismo, é considerado como ponto forte, o “de ser Portugal conhecido como um país de sol e mar, com bom clima, histórico, pitoresco, boa gastronomia, hospitaleiro seguro e com produtos de qualidade,” e como ponto fraco o “de não ser conhecido pela diversidade turística a curtas distâncias, pelo design, pela arquitectura, nem pelos valores da modernidade, da competitividade, do dinamismo, da ciência da tecnologia e da credibilidade”.

Tudo comunica porque tudo significa” . “Tão importante é uma sinalética de uma cidade, a estadia num hotel ou um cruzeiro no Douro”. “É esse todo que comunica a imagem de um país” .

O governo português afirma querer que Portugal se torne num país incontornável  na agenda dos Oceanos, reconhecendo o valor estratégico que o mar representa para o nosso país.

Foi assim definido um novo posicionamento de Portugal  como “O país dos Oceanos”. Sublinhe-se que a Expo 98 já tinha aberto o caminho para este reposicionamento.

Face a conceitos e intenções tão claras e importantes para o futuro do nosso país, amplamente divulgados pelos mais diversos responsáveis da governação portuguesa, e  na pretensa coerência, consistência e persistência na aplicação por todas as entidades das estratégias definidas, pretende a nossa associação dar um exemplo vivo e actual de uma situação a todos os níveis incompreensível, se considerarmos os objectivos e o rumo traçado para o turismo português. Falamos da situação em que se encontra a Marina do Parque das Nações.

Ironicamente, a Expo dos Oceanos teve na sua única saída para o mar, um elemento negativo e de quase total inoperacionalidade, que em nada dignifica o projecto Parque das Nações, a cidade “imaginada”.

Paradoxalmente uma das estruturas que deveria ter maior impacto e actividade, está desde há muito votada ao completo abandono e desleixo, apesar de nela terem sidos gastas avultadíssimas verbas, sem que delas se tenha tirado até hoje, qualquer proveito. Num país que pretende rentabilizar e potenciar os seus investimentos , este facto não deixa de ser singular !

A marina foi apelidada na altura do inicio da sua comercialização (1998), como sendo uma estrutura inovadora e de elevada qualidade facto que originou que cerca de 150 entidades (singulares e colectivas) investissem na aquisição de direitos de utilização de postos de amarração, criando por tal legítimas expectativas.

A única “saída para o mar” da Expo dos Oceanos, revelou-se entretanto uma nau que não foi devidamente preparada para resistir a tormentas, e por tal, “afundou-se” !

A Marina do Parque das Nações continua um local sombrio, um mar de lama e uma imagem de total abandono e desleixo, imagem decerto contrária do que se pretende dar de Portugal, principalmente de uma das estruturas mais significativas da sua capital.

A Marina do Parque das Nações possui condições naturais e invulgares para se tornar numa estrutura de referência no panorama da náutica de recreio em Portugal, para além de ser a única marina existente na cidade de Lisboa, capital de Portugal, com uma localização muito particular, considerando as inúmeras potencialidades do rio Tejo.

Na verdade, o porto de recreio da Marina do Parque das Nações, para além de oferecer ao seu visitante acolhimento das embarcações em planos de água de razoável calmaria e recolhimento, proporciona ainda :

  • Redes viárias, com ligação directa ao Norte e Sul do país por AE
  • Rede ferroviária
  • Rede aeroportuária
  • Centros de saúde incluindo hospitais e farmácias
  • Escolas
  • Unidades hoteleiras
  • Restauração
  • Áreas de lazer e divertimento
  • Áreas desportivas
  • Zonas verdes
  • Zonas habitacionais
  • Zonas de escritórios
  • Estacionamentos e parqueamento
  • Teatros, cinemas e galerias de artes
  • Maior Oceanário da Europa
  • Completa zona comercial, incluindo Centro Comercial com hipermercado
  • Segurança e vigilância 24 horas, incluindo posto policial
  • Bancos
  • Diversos serviços públicos incluindo Rep. Finanças e Notários
  • Futuro Casino de Lisboa
  • Futuro Centro de Artes
  • Futuro campo de Golfe

Para além das inúmeras ofertas e condições, o Parque das Nações recebe a maior parte dos visitantes de Lisboa e a cidade recebe só por si mais visitantes que o país inteiro incluindo o Algarve !

É assim incompreensível a insensibilidade das várias entidades oficiais, que  reconhecendo ser o local de importância estratégica para o turismo na região de Lisboa, nada têm feito para alterar a situação ou contribuir com a sua intervenção ou intermediação, na resolução do problema.

Não é assim razoável que se ofereça o “espectáculo” actual da Marina da Expo, local que deveria ser o mais acarinhado do Parque das Nações, considerando ser aquela área de ligação ao mar, a que melhor simboliza o tema da Exposição Mundial de Lisboa, os Oceanos.

Através da Expo’98, agora Parque das Nações, pretendeu-se dignificar e enaltecer os descobrimentos portugueses e a vocação marítima do povo lusitano que deu novos mundos ao mundo. Será possível promover dignificar o mar e os oceanos, com a única estrutura que poderia assumir um papel determinante, fechada e votada ao completo abandono?

Por outro lado, a Marina do Parque das Nações pode assumir um papel fundamental na dinamização e apoio a quem decida navegar “rio acima”, visitando as várias terras ribeirinhas, fazendo assim o tão desejado turismo de vertente náutica, singular e inovador, que o governo tanto defende e estimula.

Quem tem o poder de decidir, de fazer obra, de motivar investimento, de potenciar e gerar negócios, não pode permitir mais tempo a passividade reinante na Marina do Parque das Nações.

Ao aceitar que o actual estado das coisas se mantenha, contribuirá para “ferir de morte” os tão publicitados conceitos, objectivos e demais intenções publicamente assumidas pelo governo português. É deitar por terra, milhões de euros gastos ao erário público sem qualquer retorno.

A Marina do Parque das Nações, única saída para o mar da Expo dos Oceanos,  porto de recreio por excelência da capital de marinheiros, capital possuidora do maior estuário da Europa, continua assim votada ao desleixo e abandono. Até quando ?

Sensibilizar todos os portugueses os agentes turísticos para os pormenores que prejudicam a imagem de Portugal...” . A nossa associação para além de estar desde sempre sensibilizada, nada pode fazer senão apontar o “pormenor” a quem de direito.

Esperando merecer o interesse e empenho pessoal de V.Exa sobre o que na presente é exposto, contribuindo assim e em definitivo para “sarar a ferida” que a Marina do Parque das Nações representa não só para Lisboa como para Portugal.

Na certeza do superior interesse de V.Exa, subscrevemo-nos com a mais elevada consideração e particular estima,

Saudações Náuticas

Manuel Ventura
Presidente da Direcção da ANMPN

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