A Direcção da ANMPN enviou mais uma Carta ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, cujo conteúdo abaixo se transcreve na íntegra para conhecimento de todos os associados.
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Exmo Senhor |
Lisboa, 30 de Novembro de 2004
Assunto: Marina do Parque das NaçõesExmo Senhor Presidente
A Marina do Parque das Nações, representa quanto a nós, a antítese das afirmações, decerto bem intencionadas, dos mais diversos responsáveis governamentais a autárquicos.
“É tempo do mar, é tempo dos oceanos, é tempo do turismo inovador e de qualidade”.
Por tudo o que se afirma e promete, não é compreensível que um país que definitivamente “acolheu” o mar, os oceanos e a diversificação da oferta turística como desígnios nacionais e forma de incremento dos fluxos turísticos fora das épocas normais –primavera/verão -, permita que a sua capital, continue com o que deveria ser o seu principal porto de recreio, no mais completo estado de abandono.
Efectivamente a Marina do Parque das Nações pela sua soberba localização, permite desfrutar a quem a demanda, um conjunto invulgar e único de infra-estruturas e simultaneamente, ser o ponto de partida para as mais diversas práticas e visitas.
Afirma-se:
- “Portugal deve ao mar a sua melhor da sua herança”.
- “Portugal deve jogar o seu futuro, no mar, no turismo diversificado, contrariando a sazonalidade com ofertas atractivas e inovadoras, desenvolvendo assim e ainda mais a economia do turismo”.
- “... o Tejo deve ser visto como o centro de uma cidade, sediada nas duas margens. O rio é a estrada que já está feita. Vamos usá-la ! “ .
Pretende-se assim, que Portugal assuma a consolidação de uma imagem de qualidade e modernidade, reforçando a sua posição como um dos destinos turísticos mais importantes do mundo. Definiu-se a “Marca Portugal Turismo” como uma estratégia e objectivo de aumentar a atractividade do país.
Na “Marca–País” a que é associado o turismo, é considerado como ponto forte, o “de ser Portugal conhecido como um país de sol e mar, com bom clima, histórico, pitoresco, boa gastronomia, hospitaleiro seguro e com produtos de qualidade,” e como ponto fraco o “de não ser conhecido pela diversidade turística a curtas distâncias, pelo design, pela arquitectura, nem pelos valores da modernidade, da competitividade, do dinamismo, da ciência da tecnologia e da credibilidade”.
“Tudo comunica porque tudo significa” . “Tão importante é uma sinalética de uma cidade, a estadia num hotel ou um cruzeiro no Douro”. “É esse todo que comunica a imagem de um país” .
O governo português afirma querer que Portugal se torne num país incontornável na agenda dos Oceanos, reconhecendo o valor estratégico que o mar representa para o nosso país.
Foi assim definido um novo posicionamento de Portugal como “O país dos Oceanos”. Sublinhe-se que a Expo 98 já tinha aberto o caminho para este reposicionamento.
Face a conceitos e intenções tão claras e importantes para o futuro do nosso país, amplamente divulgados pelos mais diversos responsáveis da governação portuguesa, e na pretensa coerência, consistência e persistência na aplicação por todas as entidades das estratégias definidas, pretende a nossa associação dar um exemplo vivo e actual de uma situação a todos os níveis incompreensível, se considerarmos os objectivos e o rumo traçado para o turismo português. Falamos da situação em que se encontra a Marina do Parque das Nações.
Ironicamente, a Expo dos Oceanos teve na sua única saída para o mar, um elemento negativo e de quase total inoperacionalidade, que em nada dignifica o projecto Parque das Nações, a cidade “imaginada”.
Paradoxalmente uma das estruturas que deveria ter maior impacto e actividade, está desde há muito votada ao completo abandono e desleixo, apesar de nela terem sidos gastas avultadíssimas verbas, sem que delas se tenha tirado até hoje, qualquer proveito. Num país que pretende rentabilizar e potenciar os seus investimentos , este facto não deixa de ser singular !
A marina foi apelidada na altura do inicio da sua comercialização (1998), como sendo uma estrutura inovadora e de elevada qualidade facto que originou que cerca de 150 entidades (singulares e colectivas) investissem na aquisição de direitos de utilização de postos de amarração, criando por tal legítimas expectativas.
A única “saída para o mar” da Expo dos Oceanos, revelou-se entretanto uma nau que não foi devidamente preparada para resistir a tormentas, e por tal, “afundou-se” !
A Marina do Parque das Nações continua um local sombrio, um mar de lama e uma imagem de total abandono e desleixo, imagem decerto contrária do que se pretende dar de Portugal, principalmente de uma das estruturas mais significativas da sua capital.
A Marina do Parque das Nações possui condições naturais e invulgares para se tornar numa estrutura de referência no panorama da náutica de recreio em Portugal, para além de ser a única marina existente na cidade de Lisboa, capital de Portugal, com uma localização muito particular, considerando as inúmeras potencialidades do rio Tejo.
Na verdade, o porto de recreio da Marina do Parque das Nações, para além de oferecer ao seu visitante acolhimento das embarcações em planos de água de razoável calmaria e recolhimento, proporciona ainda :
- Redes viárias, com ligação directa ao Norte e Sul do país por AE
- Rede ferroviária
- Rede aeroportuária
- Centros de saúde incluindo hospitais e farmácias
- Escolas
- Unidades hoteleiras
- Restauração
- Áreas de lazer e divertimento
- Áreas desportivas
- Zonas verdes
- Zonas habitacionais
- Zonas de escritórios
- Estacionamentos e parqueamento
- Teatros, cinemas e galerias de artes
- Maior Oceanário da Europa
- Completa zona comercial, incluindo Centro Comercial com hipermercado
- Segurança e vigilância 24 horas, incluindo posto policial
- Bancos
- Diversos serviços públicos incluindo Rep. Finanças e Notários
- Futuro Casino de Lisboa
- Futuro Centro de Artes
- Futuro campo de Golfe
Para além das inúmeras ofertas e condições, o Parque das Nações recebe a maior parte dos visitantes de Lisboa e a cidade recebe só por si mais visitantes que o país inteiro incluindo o Algarve !
É assim incompreensível a insensibilidade das várias entidades oficiais, que reconhecendo ser o local de importância estratégica para o turismo na região de Lisboa, nada têm feito para alterar a situação ou contribuir com a sua intervenção ou intermediação, na resolução do problema.
Não é assim razoável que se ofereça o “espectáculo” actual da Marina da Expo, local que deveria ser o mais acarinhado do Parque das Nações, considerando ser aquela área de ligação ao mar, a que melhor simboliza o tema da Exposição Mundial de Lisboa, os Oceanos.
Através da Expo’98, agora Parque das Nações, pretendeu-se dignificar e enaltecer os descobrimentos portugueses e a vocação marítima do povo lusitano que deu novos mundos ao mundo. Será possível promover dignificar o mar e os oceanos, com a única estrutura que poderia assumir um papel determinante, fechada e votada ao completo abandono?
Por outro lado, a Marina do Parque das Nações pode assumir um papel fundamental na dinamização e apoio a quem decida navegar “rio acima”, visitando as várias terras ribeirinhas, fazendo assim o tão desejado turismo de vertente náutica, singular e inovador, que o governo tanto defende e estimula.
Quem tem o poder de decidir, de fazer obra, de motivar investimento, de potenciar e gerar negócios, não pode permitir mais tempo a passividade reinante na Marina do Parque das Nações.
Ao aceitar que o actual estado das coisas se mantenha, contribuirá para “ferir de morte” os tão publicitados conceitos, objectivos e demais intenções publicamente assumidas pelo governo português. É deitar por terra, milhões de euros gastos ao erário público sem qualquer retorno.
A Marina do Parque das Nações, única saída para o mar da Expo dos Oceanos, porto de recreio por excelência da capital de marinheiros, capital possuidora do maior estuário da Europa, continua assim votada ao desleixo e abandono. Até quando ?
“Sensibilizar todos os portugueses os agentes turísticos para os pormenores que prejudicam a imagem de Portugal...” . A nossa associação para além de estar desde sempre sensibilizada, nada pode fazer senão apontar o “pormenor” a quem de direito.
Esperando merecer o interesse e empenho pessoal de V.Exa sobre o que na presente é exposto, contribuindo assim e em definitivo para “sarar a ferida” que a Marina do Parque das Nações representa não só para Lisboa como para Portugal.
Na certeza do superior interesse de V.Exa, subscrevemo-nos com a mais elevada consideração e particular estima,
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente da Direcção da ANMPN







