Na sequência da Carta recebida do Sr. Director Geral de Turismo de Lisboa, onde nos é dado conhecimento da resposta da Parque EXPO’SA, ao estado de desleixo e abandono da Marina, a Direcção da ANMPN preparou a resposta que abaixo se transcreve na íntegra.
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Exmo. Senhor |
Lisboa, 30 de Novembro de 2004
Assunto: Marina do Parque das NaçõesExmo. Senhor:
Em primeiro lugar queremos expressar o nosso reconhecimento pelo continuado interesse manifestado por V.Exa às exposições que a nossa associação tem apresentado ao Turismo de Lisboa (TL) sobre o “dossier” Marina do Parque das Nações.
Igualmente agradecer o envio de cópia da resposta que a Sociedade Parque Expo endereçou a V.Exa no cumprimento da solicitação do TL no sentido de saber qual a posição daquela sociedade face à nossa exposição.
A resposta da Sociedade Parque Expo surpreende-nos. Efectivamente, afirmar que as dificuldades técnicas são ainda motivo de constrangimento é preocupante, para além da invocação de outras questões destinadas a justificar o continuado estado de desleixo e abandono da marina, o qual, em nosso entender, constitui um atentado ao tema da Expo’98 – os Oceanos.
De notar que o actual quebra-mar foi construído pela Parque Expo para corrigir os problemas das correntes e do constante assoreamento que decorriam dos pontões flutuantes instalados na altura da Expo’98, pelo que parece ser legítimo perguntar, que garantias foram dadas à Parque Expo pela empresa projectista que concebeu a substituição da estrutura flutuante pelo quebra-mar em rocha? Mais uma vez, a culpa vai morrer solteira e a Parque Expo’98 encara como uma fatalidade, a necessidade de alterar novamente o projecto da marina. Será que é mesmo desta?
Por outro lado, perante um processo que se arrasta há cerca de 4 anos a esta parte, vir dizer que o mesmo está agora dependente de ”... uma pequena componente comercial e lúdica que exigirá a elaboração de um Plano de Pormenor a submeter à consideração do executivo camarário da Autarquia de Lisboa ...”, parece-nos uma argumentação fraca e sem sustentação, face ao interesse e utilidade da infra-estrutura.
Quando se pretende ganhar visibilidade a nível internacional como o País do Mar e dos Oceanos, fomentado o Turismo de vertente náutica, continuar com projectos nestas áreas pendentes de “pequenas” coisas que se arrastam indefinidamente, é, em nosso entender, um completo contra-senso, denunciador aliás de uma notória falta de empenhamento, em resolver os problemas que são comuns a qualquer projecto.
Se os nossos navegadores tivessem desistido com as “tormentas” que decerto passaram ao dobrar os Cabos de Sagres e de São Vicente, provavelmente, nem teríamos chegado a África....!
Compreendemos assim o incómodo da Carta da Parque Expo, face ao absurdo de toda a situação, onde uma empresa pública gastou avultadas verbas sem aparente benefício ou contrapartida. É difícil explicar o inexplicável !
Não é mais aceitável que o país que definitivamente acolheu o mar, os oceanos e a diversificação da oferta turística como formas de incremento dos fluxos turísticos fora das épocas normais –primavera/verão-, permita que a sua capital continue com o que poderia ser o seu principal porto de recreio, no mais completo estado de desleixo e abandono.
Efectivamente, a Marina do Parque das Nações, pela sua soberba localização, permite desfrutar a quem a demanda, um conjunto invulgar e único de infra-estruturas e, simultaneamente, ser ponto de partida para as mais diversas práticas e visitas.
Afirma-se:
- “Portugal deve ao mar a sua melhor da sua herança”.
- “Portugal deve jogar o seu futuro, no mar, no turismo diversificado, contrariando a sazonalidade com ofertas atractivas e inovadoras, desenvolvendo assim e ainda mais a economia do turismo”.
- “... o Tejo deve ser visto como o centro de uma cidade, sediada nas duas margens. O rio é uma estrada que já está feita. Vamos usá-la !“ .
Face ao conjunto de intenções, afirmações, discursos e promessas, onde o mar e turismo são os “eleitos”, como é possível que a capital do país que tudo afirma e promete, não ter ainda contribuído de uma forma efectiva para a operacionalidade da Marina do Parque das Nações?
Caricato senão triste, quando toda a estrutura da marina se integra num projecto global, que para além de contribuir para a recuperação urbanística de uma vastíssima zona da cidade de Lisboa e da devolução à cidade de parte importante da sua frente ribeirinha, pretende igualmente assumir o protagonismo na homenagem de hoje aos homens de ontem, antepassados navegadores e marinheiros, descobridores destemidos de outros mundos.
Na realidade, a partir da Marina do Parque das Nações, é possível a dinamização de diversas iniciativas conducentes à pratica de actividades náuticas, da quais destacamos, o turismo náutico tendo como destino alvo inúmeras localidades ribeirinhas, banhadas pelo rio Tejo, desde Oeiras até Valada do Ribatejo.
A nossa associação pretende aproveitar a óptima localização da marina, para dinamizar a navegação no longo rio e o turismo de vertente náutica, estimulando os proprietários de largas centenas de embarcações de recreio à pratica de formas diferentes de lazer. Neste sentido, procedemos actualmente ao levantamento das condições de navegabilidade, acolhimento e permanência das embarcações, interesses históricos e culturais para além das ofertas turísticas e hoteleiras dessas localidades.
Este programa de dinamização em preparação que suportará o turismo de vertente náutica na bacia do Tejo, terá como veio condutor o exercício desta forma de turismo, em pleno respeito pelo meio ambiente e pela cultura das populações ribeirinhas.
Das práticas que nos propomos levar a cabo, resultarão, estamos certos, evidentes benefícios para vários agentes económicos que desenvolvam na Marina do Parque das Nações as suas actividades comerciais, a começar pela própria concessionária, para além da visibilidade que algumas localidades obterão com a nossa acção.
Infelizmente, a Marina do Parque das Nações, única saída para o mar da Expo dos Oceanos, porto de recreio por excelência da capital de marinheiros, capital possuidora do maior estuário da Europa, continua votada ao desleixo e abandono, num processo que eterniza em estudos e mais estudos....! Até quando ?
Terminamos reafirmando o nosso apreço e reconhecimento pelo interesse que V.Exa sempre manifestou pelo “dossier” Marina do Parque das Nações .
Infelizmente o Turismo de Lisboa, e V.Exa em particular, representam as poucas “ilhas” neste mar imenso de desinteresse, apatia e desmotivação em que todo o processo de recuperação da Marina do Parque das Nações mergulhou.
Creia-nos com elevada consideração e particular estima,
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente da Direcção da ANMPN







