Depois da promessa de reabertura da Marina no final do corrente ano, assumida pelo actual CA da MPN presidido pela Parque Expo,SA, o processo parece encontrar-se completamente parado sem fim à vista...! As nossas tentativas para chegar a contacto com a concessionária têm sido infrutíferas. Face a esta situação, a Direcção da ANMPN entendeu endereçar a Carta abaixo a um conjunto de entidades com responsabilidade naquele espaço, chamando-se à atenção para a necessidade de desbloquear o processo e atribuir-lhe a celeridade que o assunto merece.
As entidades que receberam a missiva foram as seguintes:
Presidente da República, Primeiro Ministro, Ministro das Cidades, Ministro do Ambiente, Ministro do Turismo, Ministro das Act. Económicas, Ministro das Obras Públicas, Ministro do Mar, Presidentes das Câmaras Municipais de Lisboa e de Loures, e ainda, um conjunto de entidades ligadas ao Turismo.
Lisboa, 04 de Novembro de 2004
Assunto: Marina do Parque das Nações
Excelência
A Marina do Parque das Nações, infra-estrutura fundamental na consolidação do projecto global nascido da Expo 98, continua no mais completo estado de abandono e desleixo, apesar dos constantes apelos a uma intervenção mais efectiva por parte das entidades oficiais.
Em Julho de 2003 p.p., os principais credores da empresa concessionária, acordaram entre si recuperar económica e financeiramente a sociedade Marinaexpo SA, recuperação fundamental para a retoma da operacionalidade do porto de recreio da Marina do Parque das Nações, única saída para o mar da Expo dos Oceanos. A reactivação de toda a estrutura náutica e serviços de apoio, permitiria consolidar, segundo a sociedade Parque Expo, o projecto global Parque das Nações .
A nossa associação sempre pugnou pela reabertura da Marina do Parque das Nações e pelo exercício da sua actividade em padrões de qualidade e originalidade, que a colocassem como referência da náutica de recreio em Portugal e polo de promoção dos oceanos, perpetuando desta forma o lema da Expo'98.
Objectivo ambicioso, mas as soberbas potencialidades do local e a sua localização ímpar e privilegiada, fazem por si, parte do trabalho de excelência que pretendemos para todo aquele espaço.
Infelizmente e até ao presente, a Marina do Parque das Nações continua como há três anos, em completo estado de desleixo e abandono, apesar das avultadas importâncias ali gastas pela empresa pública, Parque Expo.
Passados 16 meses desde a decisão proferida pelo Tribunal de Comércio (Julho de 2003), do trânsito em julgado da sentença que confirma a viabilidade da empresa através de processo de recuperação, e das promessas feitas pela nova administração da empresa concessionária e Parque Expo, que apontavam o final do corrente ano como data limite para a reabertura da marina, nada foi feito que permita fundamentar esperanças de reabertura para breve!
Na verdade a Marina do Parque das Nações, continua no seu lento processo de agonia, abandonada à sua sorte, sem que nenhuma entidade se mostre incomodada com tal.
De acordo com declarações de diversos responsáveis governamentais, sic "...Portugal deve manter e requalificar os produtos consagrados ao sol e mar e abrir perspectivas de desenvolvimento para produtos emergentes, que revelem aquilo que nos distingue em termos naturais e culturais e que constitui uma significativa mais valia em termos competitivos (gastronomia, turismo cultural, enoturismo, turismo urbano, desportos náuticos, entre outros)".
Afirma-se que sic "...existem produtos como o turismo de vertente náutica, cujo estádio de estruturação da oferta turística, assim como a sua colocação nos mercados, requer um esforço adicional de levantamento e prospecção e/ou de imagem e promoção".
E ainda "...que as marinas são indispensáveis à qualificação e à atenuação da sazonalidade dos movimentos turísticos. O turismo náutico contribui para a atenuação da sazonalidade dos movimentos turísticos, o que justifica a sua existência fora da chamada época alta ".
A Marina do Parque das Nações deverá ser considerada e integrada na qualificação do turismo na área onde se encontra, bem como de toda a extensa zona envolvente.
Efectivamente a Marina do Parque das Nações possui condições naturais e de localização para que, a partir dela, se desenvolvam os chamados movimentos turísticos fora da época alta.
É justamente fora das épocas habituais (Primavera, Verão) que aquele local toma acentuado relevo no desenvolvimento de todo o tipo de actividades náuticas e de turismo, se considerarmos ser a zona relativamente abrigada e pouco exposta às alterações marítimas, normais no Outono e Inverno.
Em suma, tememos que imobilismo aparente da empresa concessionária, represente falta de estímulo, acrescidas dificuldades no desenvolvimento do projecto que afirma possuir mas que em absoluto desconhecemos.
Pensamos não estar perante uma desistência, situação que originaria prejuízos avultados aos compradores de postos de amarração, à própria Parque Expo que investiu no local, e ao País que jubilou com a Expo'98 e que veria assim desaparecer aquele que foi o espaço de maior animação durante a exposição, por sua vez, estruturante para o projecto Parque das Nações.
Em síntese, expusemos a V. Excelência os problemas, as expectativas até agora goradas, as esperanças, tudo concentrado num local de eleição, sediado num amplo espaço que se definiu universalmente como a exaltação e homenagem aos marinheiros e descobridores Portugueses, aos mares e oceanos, a Expo 98, - a Expo dos Oceanos.
Quando se afirma com insistência e convicção, que se pretende um Portugal de ofertas turísticas diversificadas e de qualidade, é difícil entender a continuada apatia das entidades oficiais em todo o processo Marina do Parque das Nações.
Entendemos que, pela importância estratégica da Marina do Parque das Nações é o "interesse público" que está também em jogo!
O turismo português, o Parque das Nações e a capital da Nação não merecem que uma infra-estrutura como a Marina do Parque das Nações, ímpar em condições e localização, continue votada ao desprezo e ostracismo das entidades que de forma directa ou indirecta têm responsabilidades no continuado estado de degradação de toda a zona.
Na convicção do superior interesse de V. Excelência, subscrevemo-nos com elevada consideração,
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente da Direcção







