Recebemos, nesta data, a Carta da MPN - Marina do Parque das Nações, que surge como resposta ao envio do CD-ROM editado pela ANMPN - "A oportunidade perdida", a qual abaixo transcrevemos na íntegra.
ANMPN - Associação Náutica da Marina do Parque das Nações
Passeio das Gáveas, Lote 4.22.01
Fracção A, Moradia J - Parque das Nações
1990-413 LISBOA
23 de Abril de 2004
Assunto: Eventos Euro 2004 e Rock-in-Rio na MPN
Exmo. Senhor Presidente da Direcção
Acusamos a recepção da V/carta datada de 2004.03.31 sobre o assunto em epígrafe assim como o CD anexo.
Conforme já anteriormente comunicado à Direcção da ANMPN, é objectivo prioritário desta Administração a reabertura da Marina do Parque das Nações com a maior brevidade. Para isso estão em curso os estudos considerados necessários para assegurar as condições de operacionalidade e viabilidade económica do empreendimento.
Tem a Direcção da ANMPN procurado insistentemente sensibilizar as entidades oficiais para a importância da recuperação da Marina, nomeadamente tendo em conta a realização dos eventos Euro 2004 e Rock-in-Rio. É assim com alguma expectativa que aguardamos o empenhamento e contribuição dessas entidades para a materialização do objectivo acima referido.
Com os melhores cumprimentos,
José Vilar Filipe,
Director Geral da MPN
Nota da Direcção:
A posição aqui manifestada pela Marina do Parque das Nações mostra que, muito embora pese o esforço desenvolvido pela Direcção da ANMPN junto do Governo e principais entidades responsáveis, quer pela organização dos eventos em apreço quer pelo turismo, quase todos manifestaram um completo alheamento para o problema. Tanto quanto pudemos investigar, mesmo as entidades que evidenciaram a sua indignação perante o actual estado da Marina do Parque das Nações, não demostraram qualquer vontade de colaborar com a Parque Expo / Marina do Parque das Nações, no sentido de equacionar soluções que permitissem acelerar o processo de recuperação do local a tempo do Euro 2004. Foi de facto a "oportunidade perdida...."
António Florêncio, Director de Media da Sociedade 2004, numa entrevista recente ao "Notícias do Parque", refere que o "Pavilhão Atlântico vai ser o 11º Estádio do Euro 2004". Efectivamente, quase toda informação enviada para o exterior sairá daquele local, através da infra-estrutura criada para os milhares de jornalistas presentes, os quais irão conviver dia a dia com a vergonhosa e nada edificante imagem que caracteriza o actual estado da Marina do Parque das Nações. De facto, a realidade actual da marina, se passar para o exterior, será concerteza castradora da imagem de qualidade e modernidade que se pretende transmitir de Portugal. Como refere a campanha do Governo, "...falar da imagem de um país é falar de um todo", já que,"...tudo comunica porque tudo significa". A 50 dias do início do Euro 2004, resta-nos a consolação de, em tempo oportuno, tudo ter feito para que a imagem da Marina do Parque das Nações fosse diferente, baseada numa realidade feita de alegria, de festa, de intensa actividade náutica, de participação efectiva no júbilo que é organizar e realizar tão importante e mediático evento, através do qual se pretende tirar evidentes dividendos para Portugal.
Numa entrevista publicada no Site do Euro 2004 no passado mês de Março, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, refere que sic. "... não tem dúvidas que Lisboa está pronta para dar aos adeptos do futebol uma experiência única nas suas vidas.(...) Quem nos visitar vai encontrar uma cidade muito ligada à sua identidade, à sua história e às suas tradições, mas que é ao mesmo tempo uma cidade com muita luz, muita cor, muito calorosa e hospitaleira." Para quem conhece a realidade da marina, a única saída mar da Expo dos Oceanos que em 1998 projectou Lisboa e o País além fronteiras, só poderá concluir que o Dr. Santana Lopes estará provavelmente a falar de outra cidade, ou passou demasiado tempo no interior do polémico túnel e perdeu a noção da realidade do que se passa à superfície, nomeadamente, nas zonas ribeirinhas da cidade.
Face à inércia e ao desprezo evidente demonstrado pelas mais variadas entidades, apetece-nos dizer: "palavras para quê?"
A Direcção da ANMPN







