A Direcção da ANMPN recebeu do Sr. Director Geral do Turismo de Lisboa - para conhecimento -, cópia do Ofício que lhe foi enviado pelo Porta-Voz do Conselho de Administração da Parque Expo,SA, sobre o estado de desleixo e abandono da Marina.
Exmo. Senhor
Director-Geral do Turismo de Lisboa
Dr. Vitor Costa,
Rua do Arsenal, 15
1100-038 Lisboa
Lisboa, 11 de Março de 2004
Exmo. Senhor
Relativamente à carta que nos foi remetida por V. Ex.ª no passado dia 4 de Marco, cumpre-nos esclarecer o seguinte:
Na Sociedade Marina Parque das Nações, S.A., concessionária do espaço náutico desta área urbana, a Parque Expo tem apenas uma participação em cerca de 16% do seu capital social. Nesse sentido deverá ser em primeira instância àquela concessionária que deverão ser dirigidos os pedidos no sentido de obter mais completos esclarecimentos sobre a situação referida.
Contudo, podemos desde já informar que, culminando um longo e difícil processo jurídico e financeiro, foi possível obter no segundo semestre de 2003, uma solução positiva para a Marina do Parque das Nações, através de aceitação pelos credores do ex-concessionário a transformação dos seus créditos em capital, Na sequência dessa medida de recuperar o da Sociedade Marina do Parque das Nações, S.A., tomou posse no final do ano de 2003, um novo Conselho de Administração daquela empresa.
Uma das prioridades de acção definidas foi dotar a concessionária de meios operacionais, a fim de desenvolver um estudo de caracterização de condicionantes e potencialidades e elaborar um plano de desenvolvimento estratégico com a perspectiva de, no mais curto prazo possível, conseguir retomar a actividade e criar condições para o regresso das embarcações à Marina.
Assim sendo e terminada a fase de caracterização, iniciou-se já o processo de definição do plano de desenvolvimento, equacionando-se os diversos cenários possíveis.
Só após a conclusão desta fase, servo elaborados os correspondentes projectos e desencadeadas as Empreitadas de Obras,
Qualquer acção de maquilhagem a desenvolver agora poderá corresponder a um dispêndio de meios financeiros que, por escassos, no poderão ser desperdiçados em trabalhos que não venham a ter aproveitamento no futuro ou que por não serem executados outros previamente, viessem a retirar eficácia ao seu desenvolvimento posterior.
De toda esta situação esta plenamente informada a Associação Náutica da Marina do Parque das Nações, a quem foi transmitido que a criação de condições de amarração pare as embarcações e a retoma da actividade normal daquele espaço no ocorrerão antes do final do corrente ano. Como se compreenderá, ninguém mais do que a Parque Expo está interessado na revitalização de um espaço que permanece como nota dissonante numa zona de excelente qualidade urbana como é o Parque das Nações. Insistir publicamente em cenários que se sabe de antemão serem não correspondentes com a realidade a uma atitude que não nos parece servir o bom andamento do projecto e, em última analise, os próprios interesses dos seus directos utilizadores.
Quanto às questões de segurança invocadas nessa mesma carta da Associação o Náutica, elas estão a ser equacionadas no âmbito de um centro de coordenação a ser instalado durante o período do Euro 2004 no Parque das Nações e que integrará o dispositivo das entidades públicas encarregadas dessa tarefa.
Na expectativa de vos termos prestado todos os esclarecimentos possíveis neste momento, subscrevemo-nos com toda a estima a consideração.
Com os melhores cumprimentos
João Paulo Velez
Porta-Voz do Conselho de Administração
A Direcção da ANMPN, face ao conteúdo do Ofício enviado pela Parque Expo, respondeu ao Sr. Director Geral do Turismo de Lisboa, através da Carta que abaixo se transcreve:
Exmo Senhor
Acusamos a recepção da carta acima referenciada, que muito agradecemos e da qual tomámos devida e boa nota.
Gentilmente remeteu-nos V.Exa resposta da Soc. Parque Expo à carta do Turismo de Lisboa, resposta essa que, sem pretender alimentar polémicas, nos merece alguns comentários.
A Parque Expo'98,SA muito embora afirme que apenas possui 16% na MPN, não se pode esquecer que representa naquela Sociedade o interesse público, e que, a Marina não pode ser dissociada do projecto global do Parque das Nações que surgiu da Expo dos Oceanos. Aliás, a Parque Expo reconhece-o, quando afirma na sua resposta , sic -"...ninguém mais do que a Parque Expo está interessado na revitalização de um espaço que permanece como nota dissonante numa zona de excelente qualidade urbana como é o Parque das Nações".
Por outro lado, não foi concerteza de forma "inocente", que o representante da Parque Expo foi eleito Presidente do Conselho de Administração pela Assembleia Geral da MPN, pese embora o facto da sua representada apenas possuir 16% do capital da MPN. Assim, em nosso entender e salvo melhor opinião, não é sensato a Parque Expo refugiar-se nos 16% do capital que possui na MPN para justificar as "mazelas" daquele local, já que, a sua responsabilidade na Presidência do CA da MPN obrigaria a uma postura de defesa da estratégia definida, independente da qualidade do seu voto em sede de Administração.
O que nos importa, como Portugueses e como "convocados" do Euro2004 e Rock-in-rio é a imagem que vai passar para o exterior, do país dos Oceanos, do Portugal moderno e singular, do Portugal como destino turístico de múltiplas diversidades e qualidade nas ofertas. Nesse sentido, comecemos por analisar as razões da nossa referência à "Oportunidade Perdida".
Datas avançadas até hoje, para a reabertura da Marina:
- Na 1ª reunião entre a Direcção da ANMPN e a actual Administração da Parque Expo,SA que teve lugar em 2002-09-23, o CA da PE previa na altura fechar as negociações com os credores até ao final do ano de 2002, pelo que, com os cinco meses para dragagem e colocação dos fingers, a estimativa de reabertura apontava para o início do Verão de 2003.
- Durante o lançamento do Piloto Wi-Fi no Parque das Nações em 2003-11-10, na troca de impressões que a Direcção da ANMPN teve com o Sr. Dr. Bracinha Vieira sobre a recém criada Sociedade Marina do Parque das Nações, foi consensual entre ambas as partes que, muito embora o projecto de recuperação da Marina (bacias e zona envolvente) tivesse uma duração superior a um ano, deveria ser acautelada a recuperação das Bacias e a reabertura da Marina num prazo mais curto, não só para assegurar a revitalização do local, mas também, para garantir uma imagem de qualidade no "País dos Oceanos", durante os eventos do Euro e Rock-in-Rio. Assim, desde essa altura, a nova data previsível de reabertura passou a ser o início do Verão de 2004.
- No início do corrente ando, e na primeira reunião entre o Conselho de Administração da Sociedade Marina do Parque das Nações (MPN) e a Direcção da ANMPN realizada em 2004-01-14, a estimativa avançada pela MPN para a reabertura da Marina foi efectivamente o final do Ano de 2004.
No entanto, e atendendo ao referido anteriormente, a Direcção da ANMPN, chamou à atenção para a importância do regresso das embarcações antes dos eventos do Euro 2004 e do Rock-in-Rio, de modo a ser criado um ambiente de festa que permitisse a revitalização daquele espaço, repetindo aliás o sucesso da Expo'98, onde a Marina foi um dos locais de maior concentração dos visitantes. Por outro lado, se tal não acontecesse, a imagem dos dois tanques de lama em que estão convertidas as duas bacias da Marina, seria concerteza extremamente negativa para o País que quer ser conhecido como o "Portugal dos Oceanos". A MPN considerou que aceleração do processo de dragagem e colocação dos fingers proposta pela ANMPN, só poderia ser entendida como de interesse público, cabendo à Parque Expo a avaliação dessa situação junto da tutela.
A Direcção da ANMPN assumiu como sua responsabilidade sensibilizar de imediato as várias entidades do Governo e das Autarquias com responsabilidade na área, acção que foi tomada através do envio a essas entidades de um dossier sobre o estado degradante da Marina.
Passados que foram três meses, nem um grão de areia foi removido daquele local, e o estado de desleixo e abandono consubstancia -...a oportunidade perdida! As consequências desta péssima imagem para o exterior extravasam decerto o perímetro do Parque das Nações, afectando todo o Portugal dos Oceanos - País de Marinheiros...!
Não está, nem nunca esteve em causa o regresso, per si, das embarcações antes do Euro 2004, apesar de considerarmos que por tal não se efectivar, perdeu-se uma excelente oportunidade de promoção do local e de todo o projecto.
Efectivamente, para quem está há mais de dois anos fora da Marina, não teria neste momento qualquer sentido encetar uma "luta" por uma antecipação de seis meses no regresso. Estamos conscientes que regressaremos no final do ano, conforme publicamente é assumido pelos responsáveis na recuperação do espaço, e a nossa postura é de colaborar de forma efectiva em articulação com a MPN, para que essa situação seja uma realidade.
Afirma a Parque Expo'98 que qualquer intervenção seria uma, sic - "acção de maquilhagem e com um dispêndio de meios financeiros". Permitam-nos discordar desta posição, e bastará sair-se do "imobilismo" e empenhar-se no lema do Governo sobre sic -"...a oportunidade única e soberana de dar a conhecer ao mundo a diversidade turística do território nacional " para encontrar soluções passíveis de melhorar a imagem sem que isso necessariamente corresponda ao esbanjamento de verbas. Algumas dessas medidas, em nosso entender poderiam passar tão simplesmente por:
- Forrar as janelas dos restaurantes flutuantes, para eliminar a visão do seu interior, em completo estado de desmazelo;
- Limitar o acesso aos passadiços dos restaurantes, através da colocação de uma corrente com um cartaz "Zona em reabilitação";
- Colocar dois ou três Painéis Informativos na zona Marina, referindo, por exemplo: "Zona em recuperação. No final do ano, não vai reconhecer este espaço! Estamos a trabalhar na criação de uma das melhores Marinas do País!".
As acções anteriores poderão ser perfeitamente efectuadas com "a prata da casa", e contribuiriam significativamente para uma diminuição do impacto negativo que o actual estado da Marina proporciona aos seus visitantes.
Quanto à segurança, não retiramos uma linha às nossas preocupações. Entretanto ficámos a saber que irá ser instalado um Centro de Coordenação por altura da realização do Euro 2004. Ficámos também a saber que as centenas de milhares de pessoas e crianças que habitualmente e durante todo o ano visitam a zona da marina, continuarão a estar desprotegidas, já que, ao que parece, as acções previstas serão implementadas apenas durante a fase do Euro 2004 e Rock-in-Rio.
Se nada for efectuado, ou seja, sem a "tal maquilhagem" - a última coisa que nos resta -, a Marina do Parque das Nações irá lamentavelmente contribuir para sic - "os pormenores que prejudicam Portugal no exterior", preocupação que tem vindo a ser enfatizada pelos responsáveis governamentais.
O respeito e homenagem aos navegadores portugueses que com abnegação deram ao mundo, novos mundos, deveria contribuir para que o espaço fosse acarinhado e polo de intensa actividade náutica e lúdica.
O resultado do nosso esforço foi até hoje infrutífero. Consola-nos, como portugueses, tudo ter feito para alertar quem de direito, sobre a situação degradante em que se encontra a Marina do Parque das Nações. Continuaremos a nossa acção, porque estamos convictos que a nossa causa é nobre e no superior interesse de Portugal, do País que se afirma, dos Oceanos e de Marinheiros
Terminamos, agradecendo profundamente o interesse de V.Exa no assunto. Infelizmente acontecimento raro, considerando tantas foram as entidades a quem nos dirigimos.
Creia-nos com elevada consideração e particular estima,
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente Direcção







