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Informações:2004-02-27

Marina do Parque das Nações e os eventos Euro 2004 e Rock-in-Rio. Para que em nome da dignidade de Portugal, não se descure a "segurança"!

Transcreve-se abaixo, o conteúdo da Carta enviada nesta data pela Direcção da ANMPN às principais entidades governamentais, em particular, àquelas que de forma mais directa têm responsabilidades na realização dos eventos Euro 2004, Rock-in-Rio e na promoção de Portugal como o "País dos Oceanos".


Face à manutenção da situação da Marina do Parque das Nações, de aparente abandono e desleixo, tomamos a liberdade de enviar a presente, convidando cada entidade destinatária, a reflectir sobre o que a seguir expomos.

Depois da decisão do Tribunal de Comércio de Lisboa no final do mês de Julho de 2003, favorável à recuperação da empresa concessionária da Marina do Parque das Nações, a direcção da ANMPN logo no inicio do 4º trimestre de 2003, alertou as entidades envolvidas no processo "Marina da Expo" e diversos responsáveis governamentais, para a importância de as obras de recuperação da marina estarem concluídas antes da Nauticampo 2004 e, consequentemente, antes dos eventos Rock-in-Rio e Euro 2004.

Se pensarmos que a estratégia estabelecida para potenciar o turismo em Portugal nos referidos eventos é fazer passar a mensagem entre outras de "Portugal - O País dos Oceanos", o estado de abandono e desleixo da Marina do Parque das Nações poderá ser considerado pelos destinatários da mensagem e potenciais visitantes como "de publicidade enganosa"....!

No respeitante ao primeiro dos eventos - a Nauticampo -, recordamos a péssima imagem passada para o exterior em 2003, pelo facto da última Nauticampo ter decorrido com a Marina em estado de elevada degradação. A versão em espanhol da prestigiada revista náutica "Skipper" referia-se deste modo à edição da Nauticampo de 2003 - Sic. "Da verdadera lástima ver las gaviotas caminando por donde deberiam estar amarrados los barcos. (...) Y Nauticampo se ha quedado si una baza importante, la de poder disponer de espacio para exponer barcos en el agua".

Imaginem-se as consequências para a imagem da Nauticampo, do Parque das Nações e do turismo em geral, quando a dias da abertura da edição 2004 da Nauticampo, os agentes económicos, jornalistas e visitantes, verificarem que, passados 12 meses, nada se alterou na Marina do Parque das Nações. Tudo está como em 2003, ou pior ainda, face à inexistência de qualquer medida no terreno para travar o processo de degradação continuada daquele local !

Podemos antecipar o que escreverão desta vez os jornalistas espanhóis e de uma maneira geral os jornalistas estrangeiros que visitarem a Nauticampo 2004, evento organizado pelo país que pretende ser conhecido como "Portugal - O País dos Oceanos"... Provavelmente que, "Portugal se quedó sin acción", contrariando o que o Governo repetidamente afirma.

Com a "batalha" da Nauticampo perdida e a uma distância de cerca de três meses do início dos eventos Rock-in-Rio e Euro 2004, antevê-se uma nova "derrota" considerando a aproximação do início de tão mediáticos e planetários eventos. Dificilmente será possível fazer em três meses o que deveria ter sido feito em seis, tantos quantos já passaram desde o trânsito em julgado da decisão do Tribunal de Comércio de Lisboa.

Assim, "resignados", mas nunca vencidos, e perante a evidência de nada ter sido feito até hoje, resta-nos alertar para que a imagem negativa que perdura daquele espaço há cerca de três anos, não seja mais agravada pela eventual ocorrência de qualquer acidente, altamente potenciado pela ausência total de segurança no local.

Efectivamente, o Parque das Nações para além de acolher o Centro de Imprensa do Euro 2004 (+ de 8.000 jornalistas) e de ir ser visitado pela imprensa que cobrirá o festival Rock-in-Rio, vai dar acolhimento a largas centenas de milhares de pessoas ( talvez + 1 milhão) num curtíssimo espaço de tempo.

Por outro lado, o Parque das Nações será "zona tampão" e de trânsito de larguíssimas dezenas de milhares de espectadores, que naquela zona aguardarão até regressarem aos seus países de origem, levando consigo imagens de um país que pretende ser - Sic. "...um dos principais destinos turísticos do mundo" !

Não sendo possível devolver no imediato a dignidade à Marina do Parque das Nações, única saída para o mar da Expo dos Oceanos, resta-nos evitar que algo aconteça que fira ainda mais a já tão conturbada história recente de todo aquele local. Referimo-nos em particular às questões relacionadas com a segurança.

Em nosso entender é urgente dotar o local de condições que evitem acontecimentos de que todos nós possamos vir a lamentar, face à incúria na aplicação de acções preventivas. Pelo facto, e na ausência total de meios, sugerimos, salvo melhor entendimento:

  1. Prolongamento dos varandins de protecção do passeio ribeirinho do Parque das Nações à Bacia Sul da Marina;
  2. Colocação de "Bóias Salva-vidas" nos varandins, incluindo na zona das duas bacias da marina;
  3. Impedir o acesso aos passadiços da Bacia Norte , local onde se encontram cinco restaurantes completamente abandonados;
  4. Manter no local, durante os referidos eventos, uma equipa dos bombeiros com uma embarcação insuflável (tipo "Zebro") dotada de equipamento de socorro a náufragos, de modo a ser possível resgatar e assistir rapidamente qualquer eventual queda no plano de água (e de lama) das duas bacias;
  5. Divulgar os procedimentos de emergência junto dos proprietários dos restaurantes e residentes no local, de modo a tornar mais eficiente o processo de pedido de socorro e possibilitar maior eficácia em termos da intervenção requerida.

O Parque das Nações irá albergar largas concentrações de pessoas, dezenas de milhares das quais irão festejar o sucesso dos seus ídolos com imensa dose de alegria, festejos associados como é habitual ao consumo de álcool entre outros. Estes factores, quando conjugados despertam comportamentos de risco. O risco poderá chamar-se, Marina do Parque das Nações. Senão atente-se:

  • inexistência de protecção no local, limitando ou impedindo alguns acessos às bacias da marina (convertidas em tanques de lama );
  • inexistência de quaisquer meios de socorro e salvamento, incluindo vigilância 24 h por dia como foi feito aquando da realização da Expo 98.

O RISCO: a queda numa das bacias, sobretudo aquando do estofo da baixa-mar. As fotos, ilustrativas do "poço de lama" em que a marina se transformou, são elucidativas do que poderá acontecer a uma pessoa que caia no local. A inexistência de condições para o resgate imediato, tornará a ocorrência numa tragédia, considerando que o corpo se afundará na lama, que actualmente possui + de 3 mts de altura.

Seria com muita consternação que depois de tudo o que aquele local tem sido sujeito, o veríamos agora ser "palco" triste e dramático de um acidente durante as concentrações de espectadores do Euro 2004 e do Rock-in-Rio, tendo em conta que todo aquele espaço irá funcionar também como uma "Fun Zone".

Mais uma vez , como portugueses e como "convocados" para os eventos atrás referidos, cumprimos o dever de, enquanto organização de cidadãos responsáveis, contribuir para que a imagem de Portugal não seja denegrida por um qualquer acontecimento, passível de ser de prevenido com a aplicação, em tempo por quem de direito e obrigação, de medidas adequadas e indispensáveis à salvaguarda da vida humana e que contribuam para a mitigação dos riscos aqui enunciados.

Na expectativa que o exposto mereça a melhor atenção de Vossa Excelência e consequente encaminhamento apropriado, subscrevemo-nos com elevada consideração e estima,

Saudações Náuticas

Manuel Ventura
Presidente da Direcção

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