O Presidente da Direcção da ANMPN, enviou nesta data a todos os associados a Carta, cujo conteúdo, abaixo se transcreve:
Caros associados e proprietários de postos de amarração,
Em breve o calendário Gregoriano indicará o termo do ano de 2003 e o inicio de 2004, propiciando a todos os mais variados desejos e intenções como se o novo ano fosse o último das nossas vidas.
Farei decerto parte dos que formularão os seus desejos. Neles incluirei a confirmação do encerramento do dossier Marina do Parque das Nações consubstanciado na sua reabertura e no regresso de todas as embarcações.
A assunção da responsabilidade de não deixar cair em "saco roto" o tema Marina da Expo e a tentativa de chamar à responsabilidade os verdadeiros responsáveis pelo sucedido não foi tarefa fácil. Como é comum neste país, responsáveis ou não existem ou são muito difíceis de encontrar....!
De facto, e após largas dezenas de cartas e exposições enviadas aos mais diversos órgãos, departamentos governamentais, entidades públicas e privadas que em nosso entender têm directa ou indirectamente responsabilidades no dossier Marina da Expo, foi possível verificar que todos com uma única excepção, nos afirmaram nada terem a ver com o assunto ou que o mesmo era, em seu entender, da competência de outra entidade para a qual muitas vezes nos remetiam.
A excepção ao parágrafo anterior chama-se Parque Expo que desde sempre assumiu, - apesar de se afirmar alheia ao sucedido - que tudo faria para repor a normalidade e contribuir para o efectivo cumprimento dos contratos de aquisição de direitos de utilização.
Apesar de muitos percalços e algumas incompatibilidades com a vida profissional de alguns dos elementos da direcção, tudo foi feito para levar a bom porto esta "nau" chamada Marina da Expo que ao tempo nos propusemos "manobrar".
Por vezes, algumas situações encontradas - muitas delas verdadeiramente incompreensíveis - fizeram-nos cerrar fileiras para vencer o desânimo face a realidades difíceis de imaginar numa sociedade que se afirma moderna e justa.
A vocação marítima e atlântica de Portugal é repetidamente afirmada pelos nossos governantes. O futuro do nosso país, dizem, está inexoravelmente ligado aos mares e oceanos. Afirmam ainda que o turismo deve estar indissociavelmente ligado ao meio náutico, considerando as imensas potencialidades naturais que o nosso país apresenta. Afirmações que deveriam propiciar abordagens diferentes e adequadas mas, que infelizmente não passam de meras declarações muitas vezes de circunstância.
Sendo a Expo 98 a Expo dos Oceanos a criação mais recente para a exaltação e homenagem aos homens que com abnegação, sofrimento e coragem "rasgaram" mares, oferecendo ao mundo novos mundos, não é possível compreender que a única saída para o mar da Expo dos Oceanos, a marina, tenha sido votada ao mais completo abandono e desleixo, com desprezo evidente para com os milhões de contos gastos naquele local.
Rico é o país que desbarata sem pudor os dinheiros públicos! O que se passa na Marina da Expo é o exemplo vivo e a expressão cruel da realidade Portuguesa.
Em declarações recentes os responsáveis da Parque Expo e da nova administração da concessionária Marina do Parque das Nações, SA anunciam o regresso das embarcações à renovada marina - agora denominada Marina do Parque das Nações - já para o inicio do próximo verão. Realço no entanto a total ausência de trabalhos em obra, facto preocupante considerando todas as tarefas necessárias para o dotar o local de condições indispensáveis à actividade própria de um porto de recreio.
A ANMPN teve oportunidade de em carta dirigida a um dos novos administradores da Soc. Marina do Parque das Nações SA, colocar-se à disposição para colaborar com todos as entidades envolvidas na restruturação da marina. Realçámos as condições ímpares oferecidas pelo local, propícias ao desenvolvimento de um projecto inovador e de qualidade. Para mais a Marina do Parque das Nações é uma obra fundamental na consolidação do projecto global Parque das Nações e assumidamente estrutura simbólica do tema da Expo 98, a Expo dos Oceanos .
Faço assim votos de longa e saudável vida para a anunciada e renovada Marina da Expo, doravante MARINA DO PARQUE DAS NAÇÕES, e desejo que os novos responsáveis saibam interpretar as soberbas potencialidades que a zona naturalmente oferece.
No entanto a prometida reabertura da marina não nos desobriga de zelar pelos nossos direitos e de exigir à nova administração o cumprimento integral dos contratos de cedência com qualidade e segurança. O futuro que se aproxima exigirá de nós, permanente vigilância e intervenção, pelo que é indispensável continuarmos unidos.
Termino desejando a todos um Santo Natal e um ano de 2004 repleto de acontecimentos felizes. Desejo igualmente que a reabertura da Marina do Parque das Nações se concretize o mais rapidamente possível, e que o renovado porto de recreio seja uma realidade feita de Qualidade, Inovação e Seriedade.
Dezembro 2003
Saudações Náuticas
Manuel Ventura
Presidente da Direcção







