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Eventos:2007-07-20

Valorização da Cultura Avieira no Rio Tejo. A ANMPN vai apoiar um Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional.

Realizou-se na Escola Superior de Educação de Santarém, no dia 30 de Junho passado, um encontro que reuniu 21 instituições regionais e nacionais, com o objectivo de organizar os trabalhos do projecto de candidatura da cultura dos pescadores Avieiros a património nacional. A ANMPN foi convidada pela AIDIA - Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça (aidia@sapo.pt) e pela ESES - Escola Superior de Educação de Santarém (www.eses.pt) para estar presente neste encontro, convite este que muito nos honra e que surge como reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver na divulgação da beleza e riqueza cultural das zonas ribeirinhas do Grande Estuário do Tejo.

 

Crédito Projecto Palhota Viva
Vista aérea da Aldeia Avieira da Palhota, na margem norte do Tejo, gentilmente cedida à ANMPN pelo Projecto Palhota Viva - www.palhotaviva.pt

 

Como é óbvio, o nosso Projecto de «Desenvolvimento da Náutica de Recreio, do Turismo de Vertente Náutica e das Zonas Ribeirinhas no Grande Estuário do Tejo», passa necessariamente pelo estabelecimento de "locais de visita" nas diferentes zonas ribeirinhas, de beleza natural e riqueza cultural assinaláveis, que possam ser inseridos nos roteiros fluviais. Escusado será dizer que as Aldeias Avieiras assentam neste nosso Projecto como uma luva, e será com muito empenho que daremos à organização da Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional, todo o apoio que estiver ao nosso alcance.

 

Crédito Fotógrafo Paulo Barreiros
Fotografia do Sr. Gerónimo, pescador Avieiro do Patacão (Alpiarça), da autoria do fotógrafo Paulo Barreiros, e gentilmente cedida à ANMPN para ilustrar este artigo

 

O texto que abaixo publicamos, foi-nos enviado pela organização e sintetiza os resultados do trabalho realizado até ao momento. A Direcção da ANMPN dará a sua contribuição em dois dos grupos de trabalho constituídos, nomeadamente, o da "criação de uma rota turística" e o da "recuperação das Aldeias Avieiras" (ligando essa recuperação à da rota turística). Como temos vindo a afirmar, o desenvolvimento do turismo de vertente náutica no grande estuário do Tejo, terá de necessariamente ser efectuado em pleno respeito pelo meio ambiente e pela cultura das populações ribeirinhas, esperando também que, no âmbito deste projecto, possamos vir a dar o nosso contributo, em estreita articulação com as autarquias e com a ABAE, na promoção do estabelecimento de Praias Fluviais galardoadas com Bandeira Azul.


VALORIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CULTURA AVIEIRA

O Vale do Tejo conheceu historicamente importantes movimentos migratórios, nas suas zonas de cultura extensiva, atraindo e absorvendo força de trabalho oriunda de outras partes do país – com características mais sazonais (como os Gaibéus), ou mais permanentes (como os Avieiros).

As migrações Avieiras do século XX fazem parte de um fenómeno nacional inserido num outro mais vasto, europeu.
A importância destas migrações e a correspondente fixação permanente dos Avieiros, têm a importância e o significado de uma preciosa cultura regional e nacional.
As migrações devem ser consideradas como um acontecimento social e cultural relevante, por representarem a acção do homem colocado perante condições adversas de sobrevivência;


Aldeia Avieira do Escaroupim

O fenómeno deve ser considerado como transversal a toda a sociedade, visto ter implicações com outras culturas, com uma actividade primária muito precária, e com a evolução cultural de uma identidade comunitária, a partir da pesca, que derivou para o emprego em outros sectores de actividade. Ele deve por isso ser avaliado, estudado e valorizado, como integrando um sistema económico e social em evolução.
A avaliação e o estudo da cultura Avieira, e as acções daí emergentes, devem ter uma perspectiva de cruzamento de várias disciplinas, e de integração de saberes, incluídas num plano de trabalho coerente.


Aldeia Avieira do Escaroupim

O trabalho daí decorrente, bem como a sua aplicação, devem resultar de um encontro de vontades de várias organizações, instituições e pessoas, assim como dos membros da comunidade Avieira ainda existentes, e da necessidade de cooperação entre todos os envolvidos.

Com esta acção de candidatura da cultura Avieira a Património Nacional, visa-se o reconhecimento de uma genuína identidade cultural que tem sido ignorada e que se desvanece rapidamente.

A sua devida valorização pode contribuir para um desenvolvimento auto-sustentado, não só das próprias comunidades mas também das envolventes, com o renascer e a criação de serviços de oferta cultural, turística e de lazer.
Os princípios programáticos deste plano de desenvolvimento são os da potenciação articulada, dentro da autonomia de interesses e de esferas de intervenção, visando a descentralização, a cooperação inter-institucional e interpessoal e a co-responsabilidade, num projecto comum que se pretende exemplar, de reconstituição em novos contextos dos traços marcantes da Cultura Avieira.

Desta participada reunião resultaram propostas de constituição de grupos de trabalho complementares e pluridisciplinares, tendo em vista estudar e caracterizar com rigor a complexa cultura destes pescadores que souberam aproveitar o Tejo como fonte de sobrevivência e de desenvolvimento humano e cultural, não só enquanto pescadores mas como membros de uma comunidade mais vasta – a dos Ribatejanos – tendo para ela contribuído com inestimáveis e ricas contribuições culturais e humanas que a todos beneficiaram. Não só os ribatejanos, mas todos os Portugueses.


Aldeia Avieira do Escaroupim


Assim se trabalhará a partir de agora, para valorizar esta cultura esquecida e para a elevar a património de todos nós.

ESES: Escola Superior de Educação de Santarém

Dr. Luís Vidigal

AIDIA: Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça

Dr. João Serrano e Dr. Aurélio Lopes

Em breve daremos mais informações sobre a evolução dos trabalhos, solicitando deste já aos nossos associados (ou a familiares & amigos) que pretendam colaborar neste projecto, que enviem um email para a Direcção, manifestando a sua disponibilidade e interesse nessa participação.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

 
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