- © 2010 ANMPN -
Associação Náutica da Marina
do Parque das Nações


 
Cursos de Vela
Cursos de Vela
BMW Sailing Academy
Eventos:2007-03-24

Participação na Nauticampo 2007 em hora de balanço. Resumo da Conferência.

 

Conforme divulgado em informações anteriores, teve lugar entre 10 a 18 de Fevereiro, a tradicional Nauticampo, que decorreu como habitualmente na FIL - Parque das Nações. A ANMPN esteve presente com um stand gentilmente cedido pela organização da Nauticampo, o qual funcionou como ponto de encontro e convívio de todos nautas que pretendem contribuir para a dinamização da náutica de recreio, do desenvolvimento das zonas ribeirinhas e do turismo de vertente náutica no grande estuário do Tejo. A evolução do dossier - Marina do Parque das Nações - e o papel que a marina poderá desempenhar como núcleo dinamizador de toda a estratégia, foi temática na ordem do dia.

A ANMPN optou por partilhar o stand  com o Centro Náutico Moitense, a Associação Bandeira Azul Europa e a Associação Nacional de Cruzeiros, entidades com quem temos vindo a celebrar protocolos ou a efectuar actividades conjuntas. O stand  obteve um assinalável número de visitantes, permitindo uma profícua troca de ideias sobre as actividades a desenvolver para a dinamização da náutica de recreio, em particular, no grande estuário do rio Tejo.

Como era natural, a maior parte dos visitantes pretendia saber notícias concretas sobre a data de reabertura da Marina do Parque das Nações, desactivada já lá vão quase cinco anos. Neste aspecto, nada mais pôde ser adiantado, para além daquilo que foi referido por S.Exa. o Ministro do Ambiente na resposta que enviou recentemente à Assembleia da República. A consulta ao mercado para a obra de recuperação da Marina está em curso, e as propostas deverão ser entregues até ao final do corrente mês de Março. Muito embora o Sr. Ministro tenha referido que sic «…subsistem ainda dúvidas sobre a responsabilidade pelo financiamento da obra», acreditamos que o governo, através da entidade concedente do espaço - ParqueExpo,SA -, está a dedicar especial atenção a este dossier, por forma a evitar que, durante o próximo mês de Abril, não seja possível adjudicar a obra por não estar ainda definida a forma de financiamento.


Um dos pontos altos da nossa participação, teve lugar no Sábado, dia 17 de Fevereiro, com a realização da Conferência "O desenvolvimento da náutica de recreio, do turismo de vertente náutica e das zonas ribeirinhas, no Grande Estuário do Tejo", a qual, conforme as imagens documentam, teve assinalável assistência que encheu por completo o espaço reservado para o efeito no Pavilhão 3 da Nauticampo. A Conferência foi aberta pelo Vice-presidente da Direcção da ANMPN - Paulo Andrade, que começou por fazer um breve resumo da situação do "dossier" do projecto de reabilitação da marina do Parque das Nações.


Um pequeno extracto da Conferência, cerca de 10 minutos, foi colocado no site "YouTube".
Para ter acesso a este resumo, clique na imagem do lado direito.


Conforme referiu Paulo Andrade, muito embora o projecto de reabilitação da marina esteja finalmente em fase de consulta, tendo como data para apresentação de propostas o final de Março, subsistem ainda dúvidas quanto ao financiamento da obra que poderão comprometer todo o processo, se até lá não existir adequada articulação e empenhamento dos diferentes stakeholders, em particular, do Ministério do Ambiente que tutela a ParqueExpo,SA. A três meses da Presidência da União Europeia, que terá a sua "Sede" a menos de meia milha náutica do local, o País de Marinheiros parece querer ser mais uma vez referenciado pelo país dos "maus exemplos", consubstanciado,

 

neste caso, pelo estado de completo desleixo e abandono da Marina do Parque das Nações convertida no "Maior Tanque de Lama da Europa" há mais de cinco anos.

Paulo Andrade apresentou de seguida os oradores convidados, lamentando a ausência do representante da Waterfront2007. Efectivamente, à última da hora, o orador Mark Beaumont cancelou a sua intervenção, devido a problemas de relacionamento com a "AMBELIS", Empresa Municipal com quem a Organização da Waterfront2007 celebrou um contrato para a realização do evento em Lisboa no próximo mês de Outubro.

 

Segundo e-mail recebido do orador convidado, todas as actividades de promoção da Waterfront2007 em Lisboa estariam suspensas até que novo entendimento fosse conseguido.
O primeiro orador convidado Charles Lindley, fez uma apresentação onde comparou os planos de água do Grande Estuário do Tejo com o Solent (Sul de Inglaterra). Apesar das semelhanças, e do Estuário do Tejo beneficiar de melhor clima e de uma natural proximidade aos centros urbanos, a actividade náutica em Lisboa pode ser considerada marginal quando comparada com o Solent (35.000 embarcações, 25 marinas e centenas de ancoradouros).

 

Por outro lado, a aposta na náutica de recreio efectuada no Solent, com a criação de um conjunto de destinos suportados em infra-estruturas adequadas e bem geridas, conduziu ao desenvolvimento de um conjunto de actividades conexas à náutica e ao lazer (estaleiros, bares, pubs, restaurantes, hotéis, etc.), existindo mesmo o exemplo da cidade "Cowes" - capital da vela em Inglaterra, cuja economia está baseada na náutica de recreio. O Tejo, com condições naturais invulgares para um desenvolvimento semelhante ao Solent, é já palco de alguns exemplos, ainda que tímidos e condicionados, face à ausência de uma estratégia neste domínio.

 

Alhandra, Vila Franca de Xira, Salvaterra e Escaroupim, são alguns exemplos que se registam com agrado.
No entanto, para navegarmos até esses destinos em condições de segurança, é necessário conhecer rotas e condições de navegabilidade associadas, tendo em conta que a navegação num estuário apresenta sempre alguns riscos associados aos fundos baixos. Nesse sentido, Charles Lindley introduziu o seu companheiro José Gomes, médico com paixão pelo mar, que actualmente desenvolve um excelente trabalho no que respeita à criação de roteiros para a navegação em rios.

 

José Gomes lançou o Roteiro sobre o Guadiana, estando para breve o lançamento do Roteiro do Tejo. Estão também "na calha" os Roteiros do rio Sado, do rio Mira e da ria Formosa (Vide www.upriverpilot.com).
José Gomes na sua apresentação "Derrotas e Destinos" falou sobre as características do plano de água associado ao estuário do Tejo e das condições de navegabilidade que lhe estão subjacentes, sensibilizando para a preservação deste importante património. Os seus Roteiros Fluviais pretendem ser um importante contributo para a navegação e exploração dos rios de Portugal e para a promoção do turismo fluvial.

A balizagem dos canais de navegação no grande Estuário do Tejo acaba em Vila Franca de Xira, onde termina a jurisdição do Porto de Lisboa. O desafio que lançámos ao Cte. Proença Mendes, Chefe da Divisão de Navegação do Instituto Hidrográfico, foi efectuar uma palestra sobre os considerandos a ter em conta no âmbito de um projecto que tenha como objectivo efectuar o assinalamento marítimo entre Vila Franca de Xira e Valada, assegurando a respectiva manutenção da navegabilidade para a náutica de recreio e turismo de vertente náutica.
 
O Cte. Proença Mendes, depois de debruçar-se sobre os vários considerandos associados ao programa de balizagem em apreço, recomendou uma «Sinalização Básica» no troço pretendido, a qual, suportada num levantamento hidrográfico de baixa densidade, no respectivo projecto de traçado e sinalização, na colocação de cerca de 30 bóias/balizas e na edição de um mapa de auxílio/roteiro, corresponderia a um investimento aproximado de 100 K€, com um custo anual de manutenção de cerca de 20 k€. Referiu ainda ser necessário providenciar apoio de busca e salvamento e cobertura VHF ao longo do troço.
 

A instalação da cobertura rádio, não deverá, no entanto, alterar significativamente a estimativa de investimento atrás referida, já que, a instalação de um repetidor em local a determinar, permitirál assegurar sem dificuldade a cobertura da zona de interesse.
Tal como prevíamos, o investimento para este assinalamento náutico não é muito elevado, e em última análise, poderá ser suportado pelas autarquias banhadas pelo troço em questão, principais beneficiados pelo desenvolvimento do turismo de vertente náutica naquela na zona (Vila Franca de Xira, Azambuja, Benavente, Salvaterra de Magos e Cartaxo)

 

Todo o projecto de dinamização da náutica e do turismo só fará sentido se for efectuado de forma sustentada, e em pleno respeito pelo meio ambiente e cultura das populações ribeirinhas.

A intervenção do orador seguinte Dra. Catarina Gonçalves Operadora Nacional da Campanha Bandeira Azul, procurou sensibilizar a assembleia para a adopção de novos comportamentos em termos da educação e do respeito pelo meio ambiente, no sentido de alcançar o desenvolvimento sustentável das zonas marinhas e costeiras.

 

O Programa Bandeira Azul é um eco-label exclusivo e voluntário destinado a zonas balneares, marinas e embarcações de recreio que cumpram um conjunto de critérios relacionados com informação e educação ambiental, qualidade de água, segurança e serviços e gestão ambiental.

A atribuição da Bandeira Azul às Marinas e Portos de Recreio, obriga ao cumprimento de um conjunto de 22 Critérios em termos de Educação e Informação Ambiental (5), Gestão Ambiental (11), Segurança e Serviços (5) e Qualidade da Água (1).

 

No respeitante às Embarcações de Recreio, os proprietários com motivações na protecção e preservação do Ambiente, poderão subscrever e seguir um Código de Conduta com nove critérios ambientais, que lhes confere o direito de arvorar o galhardete da Bandeira Azul numa das adriças da sua embarcação.

Desde que o respeito pelos critérios referidos seja cumprido, o galardão poderá ser arvorado por tempo indeterminado.

 

Na última intervenção da conferência foi orador o Professor Carvalho Rodrigues, na qualidade de Director do Centro Náutico Moitense.

Entusiasta das Embarcações Típicas do Tejo, o Professor efectuou uma apresentação suportada em imagens de um arquivo histórico, onde mostrou a vivência das zonas ribeirinhas do grande estuário do Tejo, há cerca de 40/50 anos, e a importância que as embarcações típicas do Tejo tinham para a economia da cidade.

Ficaram as saudades das velas dos barcos que

 

pescavam, carregavam e transportavam gente entre as margens do Tejo, e que contribuíram para moldar e caracterizar a cidade. Na verdade, a grandeza e a identidade de Lisboa devem muito às embarcações que davam cor e movimento ao vasto estuário que banha a cidade. A apresentação do Professor mostrou ainda a vida das populações ribeirinhas, que exerciam a sua actividade num clima de sã convivência como o rio, que contrasta com o estado de abandono em que se encontram hoje muitos desses locais. Navegar no rio era uma arte, tirando o melhor partido dos ventos, das correntes e das marés, bem como, conhecendo os fundos - "sonhando o baixo"!

 

O Professor Carvalho Rodrigues teve ainda ensejo de se debruçar sobre o assoreamento do rio Tejo, circunstância normal em estuários. Através de um conjunto de fotografias, datadas dos anos 40 até finais dos anos 60, o Professor mostrou as inúmeras dragas que, com intervenções regulares e permanentes, mantinham navegáveis os diferentes canais de navegação e desassoreavam as docas.

 

Bem haja o Centro Náutico Moitense pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na recuperação do valioso património das embarcações típicas do Tejo.

Depois do último orador seguiu-se um período de debate, com várias intervenções da assistência, onde se procurou chamar à atenção para algumas situações que podem condicionar o desenvolvimento da náutica de recreio. João Gregório, Presidente do Centro Náutico Moitense, chamou à atenção para a necessidade de recuperar o Cais do Rosário na Moita.

 

Por outro lado, referiu ser motivo de preocupação a altura da tabuleiro da nova Ponte do Carregado, situação que poderá condicionar a passagem de algumas das embarcações típicas do Tejo. Sobre este assunto, a Srª Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira presente na Assembleia, referiu ter informação que a altura do tabuleiro não será inferior à da Ponte de Vila Franca de Xira, mas perante o alerta, iria novamente questionar a entidade responsável pela obra, de modo a ter garantias de que a altura vai ser respeitada, e que a nova ponte não irá constituir mais uma restrição à navegação.

 

A Dr.ª Mª da Luz Rosinha referiu ainda a sua identificação com a temática da conferência, e a importância que a autarquia que dirige atribui à dinamização das zonas ribeirinhas, salientando as dificuldades que sente em avançar nestes processos, face ao elevado número de entidades a quem estão atribuídas responsabilidades neste domínio.

Depois de várias intervenções onde foi por todos reconhecido a importância de unir esforços no sentido de potenciar sinergias que permitam um desenvolvimento harmonioso da náutica e do turismo no grande estuário do Tejo, deu-se por encerrada a Conferência, com uma entusiasta salva de palmas aos conferencistas e a todos os que tornaram possível a sua realização.

 

Os conferencistas, convidados e participantes deslocaram-se de seguida para o stand, onde num clima de são convívio e confraternização o debate continuou, proporcionando a discussão e análise da possibilidade de dar corpo a diversas iniciativas e actividades futuras, com o objectivo de devolver ao rio Tejo a alegria de outrora, pugnando pela reabilitação e dinamização das suas zonas ribeirinhas.

Falou-se também das situações de assoreamento, das docas e dos canais de navegação, e da necessidade de estabelecer medidas que permitam ultrapassar esta situação.

 

Ao contrário do que foi possível verificar na apresentação do Professor Carvalho Rodrigues, onde há cerca de 50 anos as dragas tinham uma actividade regular e permanente na manutenção das condições de navegabilidade do rio, hoje em dia é mais fácil encontrar uma agulha num palheiro que uma draga no Estuário do Tejo.

Efectivamente, as intervenções para combater o assoreamento, têm sempre carácter de última hora, quando toda a gente já há muito reclama dos prejuízos decorrentes da falta de condições de navegabilidade.

 

As desoladoras realidades da Marina do Parque das Nações e da Doca do Poço do Bispo, convertidas em enormes tanques de lama, bem como, as limitações existentes noutras docas da capital devido aos elevados índices de assoreamento, entristecem a cidade, são no mínimo humilhantes, e desprestigiam quem ousa dizer que defende a cidade a sua frente ribeirinha.

A aproximação da cidade ao rio terá de necessariamente ser efectuada, não só à custa da recuperação das zonas ribeirinhas, algumas delas em estado de completo desleixo e abandono

 

como atrás ficou referido, mas também, criando e mantendo adequadas condições de navegabilidade nas docas e nos canais do grande estuário do Tejo.

O Plano Estratégico Turismo de Lisboa 2007-2010, aprovado a 22 de Junho de 2006, “desenhou” as três micro-centralidades turísticas do Centro Histórico, de Belém e do Parque das Nações, interligadas pelo Eixo Ribeirinho. Desconhecemos se este Plano Estratégico já possui actividades em curso ou se se tratou apenas de mais um "PowerPoint" efectuado por uma empresa de consultadoria para depois ficar na gaveta a exemplo de tantos outros.

 

As imagens em cima e ao lado, mostram a actividade desenvolvida no stand, onde foi possível mostrar aos visitantes da Nauticampo um exemplo vivo do trabalho em madeira efectuado pelos nossos companheiros do Centro Náutico Moitense na recuperação das embarcações típicas do Tejo, valioso património da história das populações ribeirinhas do grande estuário.

A cana de leme de uma embarcação típica foi acabada no stand da nauticampo, através das mãos hábeis de quem sabe e vive de forma intensa aquilo que faz.

 

A boa disposição e o convívio foram uma constante, como é habitual entre gentes do mar, onde a amizade, a partilha de experiências e o espírito de entreajuda são valores muito estimados. Os filmes e as fotografias das viagens no grande estuário do Tejo, foram o tema da confraternização no stand da ANMPN, onde a "companhia" e qualidade dos Cafés Delta, cujo apoio agradecemos, deu um contributo muito importante.

Agradecemos ainda à Facideias - Serviços Publicitários, Lda. a oferta dos brindes que foram entregues aos conferencistas.

A terminar, informamos que a Direcção da Nauticampo felicitou a Direcção da ANMPN pela organização do Stand e da Conferência, convidando-a para estar de novo presente no próximo ano - Nauticampo 2008. Temos assim um novo desafio pela frente que esperamos estar à altura da resposta, contando mais uma vez com a colaboração dos nossos parceiros.

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

 
animated_gif
Click for Lisbon, Portugal Forecast

Clique aqui para pesquisar este Site,  ou a Web usando o
Click para pesquisar este Site ou a Web

AMCPN
Clique para aceder ao Site da AMCPN.
 
Calendário Eventos
Clique para ter acesso ao Calendário de Eventos
 
Registos da
Marinha do Tejo
Clique aqui para aceder a informação sobre a Marinha do Tejo
 
Marina do
Parque das Nações