Quem está ligado há algum tempo à náutica de recreio, sabe perfeitamente que a America's Cup iria constituir um elemento catalisador para as actividades náuticas que possuem em Portugal potencialidades ímpares, que não têm vindo a ser devidamente aproveitadas. No entanto, o facto do evento não vir para o nosso País, não deve constituir um elemento castrador que impeça a realização de um conjunto de acções que façam com que Portugal reencontre a sua vocação atlântica, e que, nesse âmbito, passe a ser uma referência em todo o mundo, como já o foi no passado. Estou neste momento a complementar a minha formação náutica com o curso de Patrão de Alto Mar, onde a principal disciplina é a Navegação Astronómica. Ao fazer uma pesquisa na Internet sobre este tema, fiquei surpreendido com o número de sites encontrados, onde a homenagem aos navegadores portugueses e a tudo aquilo que fizeram pela arte de navegar é uma constante. São alusões ao estabelecimento em 1506 do 1º meridiano pelo navegador português Pedro Reinel, que passava sobre a Madeira, e que constituiu o meridiano de referência da navegação até 1884 (altura em passou para Greenwich), passando pelos instrumentos náuticos inventados pelos portugueses, e terminando em toda a cartografia então desenvolvida. Portugal realizou em 1998, como o êxito que todos conhecemos, a Expo dos Oceanos, onde se procurou homenagear os navegadores portugueses e chamar à atenção do mundo para o respeito pelos Oceanos.
Efectivamente, costumo velejar principalmente no estuário do Tejo, e muitas vezes revolto-me com a insensibilidade e apatia das entidades responsáveis, face ao elevado estado de degradação de toda a margem esquerda do rio, mormente, desde Cacilhas até à foz. Nascido na Madeira, e como qualquer ilhéu, com o gosto pelo mar embebido no sangue que me corre nas veias, posso afirmar sem margem para dúvidas, que não "choro" pela America's Cup!
"Choro" pela estado de degradação em que se encontram todas as zonas ribeirinhas por esse país fora, que pela incúria e insensibilidade das entidades responsáveis, impossibilitam que Portugal volte a ser um país de Marinheiros honrando e dignificando o seu passado, e enaltecendo cada vez mais a sua vocação marítima e atlântica. Tenhamos força de vontade para lutar contra este imobilismo, recuperando e dinamizando as nossas lindas zonas ribeirinhas, e teremos concerteza muito mais oportunidades para organizar a America's Cup e/ou outros eventos náuticos de renome.
No fundo é não esperar que aconteça algo para que tenhamos de algo fazer.
É na obra e na realização que devemos afirmar a vocação marítima de Portugal. É proporcionar o gosto pela náutica, independentemente das posses de cada um . É apostar na formação de base.
Temos excelentes navegadores. Temos gente apostada em ajudar Portugal neste desígnio que é o mar . Faltam objectivos e um rumo certo e definido. Para isto não necessitamos de "America's Cup".
Fazemos votos que terminado o sonho, todos se revejam na realidade e com a sua acção, honrem os nossos antepassados, navegando e ajudando a navegar desenvolvendo o gosto pela náutica e pelo mar. |
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Paulo Jorge Andrade |
vicepresidente@anmpn.pt |








